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PAINEIRAS

É abril. 2005. E eu continuo acompanhando as “minhas” paineiras daqui da janela de minha casa. Há alguns anos as acompanho e escrevo sobre elas. Já as descrevi floridas, toda vestidas de cor de rosa; já falei sobre seus frutos e suas sementes leves balançando no ar e cobrindo de branco a grama do jardim. Já falei sobre elas no inverno, sem folhas, nem flores nem fruto, apenas galhos nus. Elas me situam no tempo que aqui na cidade não segue calendário algum. Florescem no fim do verão, no outono, quando o seu ciclo determina. Este ano comecei a dar atenção à que fica mais próxima de mim, que eu vejo daqui de cima como um toldo verde e ficou assim quase até o fim do verão. Exatamente no dia 14 de março vi sua primeira flor. E a partir de então fui acompanhando o aparecimento de outra, mais outra, muitas outras. Este ano ela está preguiçosa. Floresce aos poucos e enquanto os ramos mais externos já estavam carregados, os mais de dentro só exibiam botões, que foram abrindo devagar, sem...