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Mostrando postagens com o rótulo Historia de vida - história de São Paulo

A LUZ - O BAIRRO, NÃO O FENOMENO FISICO

Vamos falar um pouco sobre a Luz, o bairro. Se eu conseguir motivar meus amigos a visitar esse pequeno pedaço de São Paulo, terei conseguido meu objetivo neste texto. Sempre tive por principio conhecer os lugares onde trabalho ou estudo. Conhecendo-os aprendo a respeitá-los. No ultimo mês trabalhei no Museu da Lingua Portuguesa com Karen numa oficina sobre Memórias de São Paulo e me envolvi com o bairro, com o que ele tem de especial. O antigo campos do Guaré, terreno pantanoso dado a Domingos Luiz , o Carvoeiro, no século XVII, se transformou em um centro cultural que é preciso conhecer. Há nele expressões de Artes Plasticas, Literatura e Musica, as três vertentes culturais básicas . O maior, mais bonito,mais saudável e mais verde espaço é o Jardim da Luz. Com cerca de 80 mil m², fauna e flora riquissimas, foi o primeiro jardim publico de São Paulo. Hoje, com trilhas bem arrumadas, 49 esculturas modernas espalhadas por todo ele, é ponto de referência complementando em outra zona, ...

SÉ - de LARGO à PRAÇA

Em 2005 quando voltei à USP, um dos primeiros cursos que fiz foi no IEB sobre gêneros literários. E, como tarefa me foi pedido uma cronica da cidade. Não sei bem se fiz o que a profa. pediu, mas foi a primeira vez que escrevi com umpouco de método e seguindo normas. E o saiu foi isso. Sé - De Largo a Praça Praça da Sé em 2005, cinco horas da tarde - ainda não é horário de pico e na onda humana ainda há claros que permitem observações. Das escadas do metrô chegam e partem multidões. Seres brotam e são engolidos a cada instante. É um parto contínuo de gente, que dentro dos vagões viviam numa intimidade, uma homogeneidade de comportamento, mas ao sair para a superfície retomam suas personalidades, suas identidades. E particularmente na Sé, essa diversidade é a tônica. É a Praça da Sé do formigueiro humano, dos camelôs que sempre vão e voltam e ocupa...

LAPA - MEU BAIRRO POR ADOÇÃO

50 anos de Lapa me dão o direito de me dizer lapeana. Novamente moro em um bairro que se iniciou como saída de São Paulo, agora para o interior do estado. Um bairro por onde se passava – Emboaçava. Entre rios se iniciou o bairro com uma fortaleza, no ângulo formado pelos rios Tietê e Pinheiros. Chega logo uma capela, a ermida de Nossa Senhora da Lapa e ao redor vão se agrupando casas e propriedades de jesuítas. De 5 casas e 31 habitantes em 1765, Emboaçava, ou a fazendinha da Lapa como era conhecida, passou a atrair gente pela qualidade do barro e aparecem olarias, embriões de cerâmicas maiores e indústrias iniciantes. E a Lapa de Baixo se configura. Logo se estende para além dos trilhos da estrada de ferro São Paulo Railway, alavanca do progresso do bairro. Cheguei à Lapa quando ela já era “grande”, mas ainda periferia. A Igreja da Lapa ainda está aí e por pouco eu não testemunho a difícil colocação de seus sinos nas torres, o que aconteceu em 1948. E eu cheguei em 1954. Ainda c...

MEU PRIMEIRO BAIRRO - O BRÁS

Foi o Brás da década de 30. Um Brás que se originou da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinho, na várzea do Carmo, erigida pelo português José Brás. Suas várzeas e brejos foram caminho de passagem para os paulistas que se dirigiam à corte, no Rio de Janeiro. E esses viajantes pagavam imposto de passagem (o bisavô dos pedágios atuais). O seu primeiro espaço comunitário foi a Praça do Brás, ao redor da qual ficavam chácaras famosas: do Bresser, do Coronel Inácio de Araújo com suas parreiras e fábrica de vinhos e licores, das chácaras de Bohemer e Henriksen com suas fábricas de cerveja. Um Brás que foi lento em seu progresso em função das constantes inundações da várzea do Tamanduateí e só começou a progredir em 1870, quando as margens do rio foram saneadas e foi construído o Parque Dom Pedro II, área de lazer, banhos e esportes dos paulistanos. Um Brás que saltou e se fez bairro, a partir da chegada da Estrada de Ferro do Norte, inaugurada em ...