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Mostrando postagens de Junho, 2008

IMAGENS DO MEU TEMPO DE GINÁSIO

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MINHA VIDA DE ESTUDANTE – TEMPOS DE GINÁSIO PAULISTANO ( 1941-1947)

Durante sete anos fiquei debruçada sobre cadernos de anotações e os livros didáticos requeridos. Não tinha em casa mais do que os dois livros citados. A escola era o Ginásio Paulistano, na Rua Taguá 150 ( onde hoje fica a FMU) , na Liberdade. Sete anos de bonde diário, conhecendo cada pedra do caminho. Passava pelo monumento do Ipiranga, via de longe o Museu, e observava a bela Avenida Dom Pedro I, lugar da elite ipiranguense, com suas belas residências. Um dia viria a morar nessa avenida. Estação dos bondes da Light, A lembrança do relógio do Laboratório Andrômaco, Largo do Cambuci (que teria importância grande na minha vida). O curso científico foi difícil e até hoje tenho pesadelos com as aulas de Matemática. O professor era ótimo, mas eu era péssima aluna. Prof. Oswaldo Sangiorgi até hoje é boa lembrança. A matéria não. “Sete anos de pastor Jacob serviu...” para ter condições de mudar de status. Quem estudou nessa época nesse Ginásio, certamente vai recordar muita coisa. T

AS FOTOS DO MEU TEMPO DO PRIMÁRIO: 1935 A 1940

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MINHA VIDA DE ESTUDANTE – PRIMEIRA PARTE (1935-1940)

Volto para trás, olho o passado, fisgo a memória e me vejo com cinco anos atravessando a rua Correia de Andrade no Brás, e entrando na escolinha da Dona Etelvina, que por coincidência tinha sido professora de meu pai em suas primeiras letras. Eu já as conhecia pelo jornal que meu pai trazia e me ensinava qual era qual, mas foi Dona Etelvina, minha primeira professora que organizou esse conhecimento primordial. Tenho agora sete anos. O que dona Etelvina podia já me ensinou. Estou ávida de aprender. Eu não tinha nenhum ambiente propício, não vivia em uma família que fosse letrada ou pelo menos interessada. Meu pai era guarda livros, já um degrau acima do restante da família, mas sempre achou que eu devia subir mais. A “biblioteca” de minha casa era constituída por 02 (sim, dois) livros apenas: Uma Antologia Nacional onde eu li pela primeira vez o verso Meus Oito Anos de Casemiro de Abreu; e um livro de Geografia Geral, naturalmente em preto e branco, sem nenhuma foto colorida. Claro,

IL VERO TEMPERO ITALIANO

Temperos especiais sempre foram o diferencial da macarronada da nona Gema aos domingos da casa de Vittorio. - Gio, Enrico, ta na hora do futebol do campinho. - Tamo indo pai. Estou acabando de amarrar a chuteira. Sei não. É nova e acho que vai machucar. - Não vem com desculpa não Gio. Não põe a culpa na chuteira de engolir algum “frango” E lá se vão os três, pai e filhos, para o programa das manhãs de domingo. Enquanto isso... A nona Gemma já levantou cedo e começou logo a preparar a “macarronada”. Hoje não vai usar músculo, como faz nos domingos normais. Hoje é um domingo especial, festejam o aniversário do Vittorio, o filho italiano que imigrou para o Brasil trazendo a mãe, a nona Gemma. Hoje ela vai fazer “bracciola” e no capricho. Muitas, porque como bons napolitanos eles comem bem e devem precisam ficar satisfeitos. Ela usa seus temperos habituais, mistura que só ela conhece e que não conta pra ninguém pra não passar o segredo da Macarronada da nona Gemma

AYRTON...VISTO POR MIM

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É um retrato de vida. Escrito por mim, Neuza, sua companheira de 46 anos, pode soar piegas, mas é a visão de quem só o enxergou com os olhos do amor, de um grande e profundo amor. Sou suspeita em minhas considerações, parcial com certeza, mas é um direito que tenho de escrever o que sinto e penso sobre ele. Nossa vida foi simples, comum, mas rica em sentimentos e plena de realização emocional. Não tenho dúvidas que o mérito coube todo ao Ayrton. O que hoje eu tenho de bom, me foi passado por ele, que com sua paciência e tolerância me foi mostrando o jeito certo de viver. Suas qualidades foram tantas, que não consigo acabar de listá-las. Foi antes de tudo uma pessoa sempre igual, sempre coerente em suas atitudes, sem picos de depressão ou euforia, e por isso foi muito fácil conviver com ele. Para retratá-lo, tenho que falar sobre sua maneira de ser, suas qualidades. Não me lembro de defeitos, e se existiram foram completamente ofuscados. Deve ter tido seus pequenos defeitos, er

A VOZ DOS OBJETOS - CONVERSINHA ATUAL

Cenário – escritório da repórter de um grande jornal de uma grande cidade. Tempos – Atualidade – dia de APAGÃO Personagens- lápis e papel Lápis conversando com o papel: - Ufa!!! Estou cansado. Sabe o que eu fiz até agora? Fui usado para escrever uma reportagem que minha dona tinha que entregar sem falta ao jornal onde trabalha. Encheu várias folhas de papel no bloco onde vc estava. - Estranho respondeu o papel. Ela nunca faz isso. Sempre usa o computador e nem me usa. Não imprime nada. Manda direto via e-mail. - Pois é, mas hoje aconteceu um APAGÃO. Faltou luz em grande parte da cidade e ela teve que voltar aos velhos tempos de lápis e papel. E então aproveitou para escrever sobre o que está acontecendo na terra. E saiu um bom artigo só que enquanto ela escrevia eu fui sentindo aquele friozinho na barriga, aquela sensação de tudo o que ela escrevia dizia respeito também a mim. Sou de madeira e pelo que ela diz, sou uma espécie em extinção. Daqui a alguns anos não haverá mais

RUA DIREITA 49

Há na Rua Direita de agora, abril de 2008 – e já deve existir ha algum tempo, mas só agora me dei conta - um prédio de sete andares que é um testemunho da cidade de São Paulo no começo do século XX.. É o numero 49, agora ocupado por uma grande loja de calçados. Edifício Ghinle, foi o primeiro prédio da cidade construído em cimento armado. Entre dois sobrados de dois pavimentos. Com esquadrias em pinho de riga, começou a ser construído em 1913, terminando em 1916. A fachada está restaurada, mas chama pouca atenção no meio de prédios ainda descuidados. À noite fica bem iluminado o que o destaca na rua. Voltei várias vezes, observei detalhes e mergulhei na pesquisa. Aprendi mais um pouco sobre São Paulo. Ninguém olha para cima, ninguém o nota, ninguém lê a placa que o identifica. Todos andam com os olhos no chão desviam dos transeuntes que se deslocam sem regras nem métodos. Cuidam para não cair nas calçadas péssimas, e não tropeçar nos “lençóis” de CDs e DVDs esparramados

MAIO MUSICAL - SEGUNDA QUINZENA

E como sou eclética, na sexta feira 16, comecei o dia com a “musica” dos pregões da feira, que não deixam de ter sua musicalidade, sua criatividade. Mais Wagner com filme sobre Tristão e Isolda, cinematográfico, nada fiel ao enredo operístico. Apenas mais um filme épico, com muita luta medieval, muito sangue, traições, gente artificialmente bonita, mas no final nem o trecho “A morte do Amor” musicalmente mais envolvente e emocionante e por isso mesmo mais conhecido, foi aproveitado. Esperei por ele e fiquei frustrada. E Isolda nem morre!!!!! E ainda tive gás para prestigiar amigos. Ivanilson, marido da querida Margarete ia se apresentar às 21h em um espaço em Perdizes. Fui até lá (felizmente de carona). Um espaço simples ao qual se chega por lances de escada estreitos e penosos. Auditório amplo, escurinho, com almofadões para os ouvintes. Ainda bem que tinha uma poltrona para mim. Sentada nos almofadões não me levantaria tão fácil. Musica Popular Brasileira legitima com l

MAIO MUSICAL - PRIMEIRA QUINZENA

Já no dia 4, domingo houve concerto no Ibirapuera, na parte aberta do auditório. Domingo de sol depois de muita chuva, céu azul com nuvenzinhas brancas para enfeitar. Lugar privilegiado para nós que já vivemos bastante. Desta vez foi uma orquestra alemã, Orquestra Sinfônica de Bamberg e a apresentação sempre apreciada de Marcelo Jafé. Cinco Danças Eslavas de Dvorak, e então, nem a 5ª, nem a 9ª Sinfonias de Beethoven, mas a 7ª que sem ser a mais conhecida, encanta. Seu segundo movimento é.... sinto, não encontro palavras para falar sobre ele. Envolve, emociona, e deixa muita tristeza quando acaba. Muitas aclamações, bis e os sons pairando no ar acompanham a saída do parque. Em casa, “Quem tem medo de Musica Clássica” de Arthur da Távola ainda com Beethoven, Concerto nº 5 – Imperador. Um dos clássicos do repertorio pianistico. No dia 6, terça feira na Faculdade de Medicina. Instrumentistas da Orquestra Sinfônica da USP se apresentam em pequenas formações. Foi um recital de Trompe

LAPA - MEU BAIRRO POR ADOÇÃO

50 anos de Lapa me dão o direito de me dizer lapeana. Novamente moro em um bairro que se iniciou como saída de São Paulo, agora para o interior do estado. Um bairro por onde se passava – Emboaçava. Entre rios se iniciou o bairro com uma fortaleza, no ângulo formado pelos rios Tietê e Pinheiros. Chega logo uma capela, a ermida de Nossa Senhora da Lapa e ao redor vão se agrupando casas e propriedades de jesuítas. De 5 casas e 31 habitantes em 1765, Emboaçava, ou a fazendinha da Lapa como era conhecida, passou a atrair gente pela qualidade do barro e aparecem olarias, embriões de cerâmicas maiores e indústrias iniciantes. E a Lapa de Baixo se configura. Logo se estende para além dos trilhos da estrada de ferro São Paulo Railway, alavanca do progresso do bairro. Cheguei à Lapa quando ela já era “grande”, mas ainda periferia. A Igreja da Lapa ainda está aí e por pouco eu não testemunho a difícil colocação de seus sinos nas torres, o que aconteceu em 1948. E eu cheguei em 1954. Ain

IPIRANGA - BAIRRO DE MINHA ADOLESCENCIA E MOCIDADE

Treze anos de Ipiranga. Grandes lembranças, Grandes vivências. O Ipiranga de duas etapas de minha vida: uma mais simples, mais popular, mas muito mais humana, onde conhecíamos todos e éramos conhecidos; outra mais sofisticada, um degrau a mais na escala social mas pagando o preço do isolamento humano, onde nem sequer sabíamos o nome dos vizinhos. Bairro também de saídas e entradas de São Paulo, agora vindos do litoral e usando caminhos que se interrompiam na rua do Lavapés, onde os viajantes lavavam os pés no riacho existente, antes de entrar na área nobre da cidade. Bairro sede de acontecimentos históricos como a proclamação da Independência do Brasil. Bairro que começou a conhecer o progresso a partir desse acontecimento, com a construção de um marco comemorativo, mais uma escola que depois virou museu, jardins de ligação e o projeto ambicioso de uma avenida ligando dois bairros operários - Ipiranga e Brás. Só em 1922, 100 anos depois da proclamação da Independência é que o c