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O BAU DA MEMÓRIA

Há algo que desejamos que permaneça imóvel ao menos na velhice”: o conjunto de objetos que nos rodeiam. (...) eles nos dão um assentimento à nossa posição no mundo, à nossa identidade.(...) são nossos objetos biográficos Ecléa Bosi - O tempo Vivo da memória. Era uma vez um baú. Como todo baú que se preza aquele também era de madeira e ocupava um lugar importante, na sala principal da casa. Um dia, alguém ouviu um zum zum e se aproximando bem pode ouvir uma vozinha esganiçada falando, falando falando. Não dava nem tempo do seu parceiro argumentar ou dialogar. O alguém foi se aproximando, abriu a tampa do baú e lá dentro encontrou objetos bastante diversos, ajeitados, dividindo um espaço comum. Foi fácil identificar de onde vinha a tal vozinha e de quem era. - Pois é – dizia a Tesourinha - eu sou a moradora mais velha deste baú. Não a que mora há mais tempo, mas a mais velha em idade. Tenho quase cem anos e você deve andar por aí. Ganhamos o direito de estar...

OS MEUS NATAIS DE 2008

Como já disse uma vez, esse meu BLOG é também um diário, relatos de pedaços de minha vida. Nas datas especiais sempre há o que contar. E agora é Natal, época de festas, de movimentos inusitados, de contatos entre amigos e familiares. Para mim, Natal é festa de celebração de amizades.Tenho muitos amigos e o prazer seria estar com todos juntos nessa data. Impossível. São perfis diferentes, interesses diferentes e se forem muitos ao mesmo tempo não dá para curtir bem a presença de cada um. Faço então o meu Natal parcelado com grupos distintos, das minhas muitas atividades e centros de interesse, Neste ano foram seis. Seriam sete, mas um gorou. Então, tive seis Natais. No dia 9 de dezembro reuni o grupo bem novo da VivendoCienciArte, da Biomédicas. Foram poucos, dividimos uma macarronada aos quatro molhos, tomamos um vinho e nos deliciamos com as conversas. Estiveram presentes Maria Inês, Nair, Joana, Renê e chegando do estudo Jarlei e Carol. No dia 16 foi a turma da Figueira da Gle...

NOSSOS QUARTOS: OS "DELE", OS "MEUS", OS "NOSSOS"

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Quem disse que quarto não tem história? Posso até reconstruir a minha vida passando por eles. Não há um quarto preferido. Há quartos com histórias. O primeiro “quarto” de Ayrton adulto foi improvisado. No conjunto alugado para montar seu primeiro consultório tinha uma sala de espera grande. Ayrton fez então uma divisão, delimitando um espaço de aproximadamente 3m por 1,5m. Só cabia uma pequena cama, espaço para levantar, uma mesa e uma cadeira. Espaço mínimo para viver, mas que ele se dispôs a ocupar para que pudesse ficar mais tempo no consultório e não ter mais despesas que as necessárias. Nesse “cubículo” viveu 2 anos. Foi sua cota de sacrifício de início de vida, mas valeu à pena. Dos meus quartos de solteira, do primeiro que me lembro foi, no Brás. Nele ficávamos os quatro: meus pais, eu e minha irmã. Foi nele que passei por uma “nefrite” doença grave na época. Depois, já no Ipiranga, eu e minha irmã ficávamos em um pequeno quarto cimentado, mas quando ela morreu passei para o...

HISTORIAS DE ACAMPAMENTOS

Um dia, em 1969, resolvemos acampar. O campismo ainda estava engatinhando e nós achamos que era o modo mais fácil e mais barato de viajar, e o modo de unir mais a família. Custei a entrar no espírito da coisa, mas quando me envolvi foi pra valer. Compramos barraca e todo o necessário. Horas arrumando o porta mala do carro. Nossa primeira barraca era enorme, um verdadeiro circo. Um ambiente de 2x4m, com sobreteto ainda maior de um “avance” minúsculo. Saímos de São Paulo em um final de dezembro e fomos para o sul. O destino era Foz do Iguaçu, mas a primeira parada foi em Cascavel (Pr), no Parque Florestal. Primeira providência: montar a barraca. Onde estava a barraca? No fundo do porta malas, com todo o material – que não era pouco – em cima. Inexperiência lógico. Tivemos que tirar tudo, colocar no barro sob chuva intensa para chegar à barraca. E agora tinha que ser montada. Mais de uma hora, manual na mão, três homens (Ayrton, Flavio e Décio) para dar palpites e segurá-la. Finalmente m...

MINHA VIDA DE ESTUDANTE – TERCEIRA PARTE (1948-1951)

O primeiro ano de Universidade foi difícil, de adaptação, de greve de alunos e até segunda época de Química, coisa para mim excepcional. Tive caxumba na época de exame, mas eu acredito que tenha sido por não entender nada da Química.do prof. Senise já então nos moldes acadêmicos. Dos calouros da História Natural só foram para o segundo ano cinco alunos: Helena Villaça, hoje Cerqueira César, Eudóxia Maria de Oliveira Pinto, Cláudio Gilberto Froelich, que no fim do curso se casaram, Liliana Forneris, que permaneceu solteira e trabalhando na Usp, e eu, então Neuza Guerreiro. A ida para a Faculdade me propiciou mudança completa de ambiente. Vindo de um colégio médio, com colegas se não do mesmo bairro, pelo menos de níveis sociais parecidos, agora meu ambiente era muito heterogêneo. Colegas de bairros mais sofisticados, de níveis culturais mais altos, alguns estrangeiros cultos, outros de pais já com nome como cientistas, e até a filha de um médico famoso, morando em uma mansão no Pacae...

HISTÓRIAS DE PROFESSORA

Sempre fui uma profissional dedicada. Durante os quase 30 em que lecionei Ciências, Biologia, Biologia Educacional, Anatomia e Fisiologia Humanas e outras matérias, de acordo com o curso assumido, sempre procurei motivar os alunos, mostrar-lhes aspectos diferentes dos estudos, e minhas aulas sempre foram muito movimentadas, cheias de novidades e fiz coisas de que nem eu mesma me lembrava. Foi preciso de ex-alunos me escrevessem me lembrando das minhas corridas de baratas, criações de bicho de seda, estudos de formigueiros e minhocários, observação continuada de caramujos, cobras que comiam outras, dessecação de sapos, estágios em maternidades, atividades praticas de puericultura etc etc etc. A criação de bicho da seda que propus aos alunos foi algo que movimentou a comunidade. Foram mais de mil larvas alimentadas, foram todas as amoreiras do bairro desfolhadas, centenas de casulos espalhados pela sala, milhares de metros de fios enrolados e algumas peças tecidas em tricô ou crochê como...