terça-feira, 21 de maio de 2013

AGORA É COM IMAGENS



Em  minha última publicação falei das cadeiras e do lustre da Sala de Concertos do Conservatório da Praça das Artes. Sem prova ninguém é obrigado a acreditar nos meus comentários.
Então, vejam as imagens:





Observem como ficou com a restauração: as paredes brancas, com detalhes dourados, os janelões emoldurados por cortinas vermelhas (da cor dos veludos do Teatro Municipal), cortina de palco também em veludo vermelho.

Olhe bem. O que destoa nessa sala? Seriam as cadeiras? Seria o Lustre?

Sinta o choque visual das cadeiras de madeiras,  modernas, incomodas, nada anatômicas.  Ouvir uma música da qualidade que se ouve nessa sala  em cadeiras desconfortáveis interfere seguramente no prazer de ouvir.

Veja no detalhe das ditas cadeiras




E o lustre? Dizem que tem 3000 luzinhas. Já que é pra serem luzinhas, que fossem LEDS. Pelo menos gastaria menos eletricidade e durariam mais. Mesmo assim continuariam deixando o lustre completamente fora do contesto. 
O Conservatório data de 1909 e nada mais fácil que uma luminária condizente com a época, que, se já se usava luz elétrica ainda não se  tinha ideias modernosas.


Tenho razão no meu comentário? Aguardo o SEU comentário.





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sábado, 18 de maio de 2013

16 de maio de 2013 – um dia denso,cheio de lembranças, de significados.


 Hoje Ayrton faria 86 anos. É um dia especial para mim. Não imagino como ele estaria porque ao partir as pessoas como que congelam e são lembradas sempre pela mesma fisionomia.  Para seus próximos param no tempo.

Começo meu dia às 5h hora em que me levanto para poder cumprir meus compromissos matinais e ainda dar uma lida rápida no jornal do dia. E hoje, um olhar mais demorado para a foto que ocupa lugar privilegiado. Algumas palavras trocadas entre nós, só entre nós. Nem é mais de saudade, porque 13 anos de partida, fez as rotinas do  dia a dia  atual ocuparem o lugar de outras rotinas. Mas é de lembrança dos bons tempos.

Devo sair de casa 6,30 se não quiser ficar parada na Praça Panamericana por mais de meia hora mergulhada em um trânsito insuportável. Chego antes das 7h à Cidade Universitária e minha aula é só ás 8 horas. Ótimo. Aproveito quase uma hora para ler confortavelmente dentro do carro. Agora leio “Lendo Lolita em Teerã”.

Das 8h às 12horas assisto a uma aula de Estética e História da Arte, hoje versando sobre Arte e Civilização Bizantina. A profa? Lisbeth Rebolo.

Meio dia saio da ECA para a Musculação, atividade prioritária para mim. Mantém-me íntegra e com boa saúde. Escolhi o trajeto pela Teodoro Sampaio. Pior escolha, porque os mais de dois kms foram vencidos como um anda – para – anda – para irritante. Finalmente chego e passo uma hora vencendo os 10 aparelhos com pesos variados. Nem me canso mais. É rotina de 13 anos.

Ainda paro no supermercado para comprar açúcar mascavo o que me falta para um bolo de maçã delicioso para o fim de semana. Assim tenho com o que receber minhas visitas.

Em casa, tento descansar um pouco para a saída da noite, mas não tenho espaço. Tudo está sendo pintado no AP. e tenho que andar durinha para não encostar nas portas recém pintadas. Com jogo de cintura consigo trocar de roupa para sair.

E então, outro acontecimento.
Digo para mim mesma que estou em um ritual de passagem porque passei de uma locomoção independente para uma locomoção assistida, isto é começo a usar uma bengala. Preciso de mais segurança, penso em mim e nos outros porque se cair será um grande problema para muitas pessoas. Claro que não gosto, mas aceito essa nova condição. Usei a bengala pela primeira vez hoje à note e senti mais segurança nas calçada esburacadas, desniveladas, sendo mais fácil desviar do lixo esparramado.

Mas, à noite foi plena de beleza, de sons do Eden (como diria o prof.Terron) que compensam todo e qualquer vazio que encontro em mim por 13 anos de lembranças queridas.

16 – Noite

Quase não chego. Novamente a Av. Dr. Arnaldo parada. Mas, como sai com muita antecedência ainda cheguei a tempo. Para chegar á Sala do Conservatório, mais de meio quarteirão da Av. São João, lugar sem nenhuma iluminação própria para um evento da natureza que íamos assistir. Na meia escuridão muitos moradores de rua esparramados pelo quarteirão da São João dito Boulevard. Exigem atenção para não serem atropelados.  E lixo em espécie que será muito maior na saída.

Onde estamos? Na Praça das Artes, pertencente á Fundação Theatro Municipal (assim diz o programa) e mais especialmente na Sala do Conservatório.
Que conservatório? Nada menos que o Conservatório Dramático e Musical que desde 1909 ocupa o mesmo espaço. Passou por fases de esplendor, outras de decadência, e agora recuperado, restaurado, volta ao seu posto de sala de música por excelência.

Em um palco onde se apresentaram grandes nomes e ocupando agora o lugar como sua sede, o Quarteto de Cordas da Cidade, o “nosso quarteto” estaria se apresentado com dois dos quartetos de Beethoven.

Prazer maior ver as fisionomias conhecidas de Betina (particularmente charmosa no seu vestido de “folhas”) Nelson, Robert e Marcelo prontos para um programa de altíssimo nível, com obra de complexidade e dificuldade formal (palavras de John Neschling). A cada programa eles se superam.  Não há palavras. Só posso ouvir cada nota e me angustiar por saber que a música vai acabar. Não tem como encompridá-la. É finita.  É única daquele momento.
Os quatro, uma unidade enquanto executam, ao terminar voltam a ser únicos, agora com a alegria de terem passado para nós simples mortais, momentos de encantamento.  São deuses nos oferecendo beleza. E por isso recebendo aplausos e aplausos.

Tudo acaba e nem sentimos a dureza de cadeiras desconfortáveis, que nada tem a ver com o espaço de um branco e dourado e cortinas vermelhas como o Teatro do qual a Sala do Conservatório é uma continuação.

Saindo, nem comento o “lustre” que deve se sentir completamente inadequado, um elemento modernoso em um ambiente solene e erudito.

Saímos em grupo para poder vencer com segurança os poucos metros agora abarrotados de lixo e com mais habitantes. Medo? Sim, mas também pena. Impotentes, convivemos com essa desigualdade que nesses momentos se torna mais e mais evidente.

Escrevo este texto ao som de Grieg – A suíte Peer Gynt e o concerto para Piano e orquestra.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

SAC - o que significa?


Sempre achei que SAC significava SERVIÇO DE ATENDIMENTO AO CONSUMIDOR. Mas, errei. 
Quando procurei usar a sigla não funcionou.

Entre minhas latas de Água Tônica Zero  da Antarctica, bebida que consumo bastante, encontrei uma delas com  1/3 da capacidade, detectada antes de abrir a lata, pelo peso (130g contra 350g a normal). Levei o fato ao conhecimento da ANTARCTICA, (disk@antarctica.com.br) colocando à disposição o frasco.Achei que com essa atitude estaria contribuindo para sanar possível falha técnica.

Não recebi nenhum retorno.  Não me deram a menor atenção.

Então, para que na lata  tem esse e-mail associado ao SAC – atendimento ao consumidor?

Quem sabe usando estas vias de comunicação (blog e Facebook) mereço atenção.

segunda-feira, 25 de março de 2013

UM FIM DE SEMANA MUSICAL POR EXCELÊNCIA


Duas situações musicais diferentes mas ambas oferecendo música de primeira linha

23 DE MARÇO – Teatro Municipal -  Orquestra Sinfônica Municipal – Teatro lotado
Apresentação formal com músicos de fraque e fisionomias concentradas.

Na programação Rachmaninov

Regencia John Neshling

Solo de piano – Arnaldo Cohen

Apresentação formal com músicos de fraque  e fisionomias concentradas.

Não poderia deixar de ir ao Municipal com esse programa. Era um ingresso para 20h mas mesmo assim fui.
Rachmaninov é um dos meus preferidos. Nunca me esqueci ( e nem ela) de que  o fundo musical para o casamento Jurema-Oscar foi o Adágio do Concerto nº 2 e Rachmaninov.. O casamento civil foi em casa e pude escolher e providenciar a música.
John Neshling é minha esperança no futuro do Teatro Municipal
Armaldo Cohen dispensa comentários maiores. Acomanho sua carreio ao longo do tempo.Não posso dizer que vi seus cabelos embranquecerem como os meus (eles não estão tão brancos assim) mas sempre que pude fui ouvi-lo.  O currículo dele no programa dispensa comentários.
A execução desta noite, 23 de março foi..................nem tenho palavras. Vibrei e me emocionei  tempo todo . Nos fortes, fortíssimos, no adágio delicado Pelo que conheço de música e de mim mesma digo com letras grande  GOSTEI, GOSTEI, ME EMOCIONEI, CURTI.

Acho que o publico também porque as ovações foram repetidas e um dos bis de Arnaldo Cohen foi a Valsa do Minuto de Chopin onde o artista mostra toda sua técnica e interpretação.

Tudo contribuiu para que a noite fosse perfeita: o ambiente de um teatro que  eu gosto, tenho uma ligação afetiva muito forte;Visual, acústica, performances de regente e solista formaram um todo especial.

Para mim, melhor não poderia ser. E então, fiz o que tenho feito quase sempre: se uma parte do programa é excepcional vou embora. A segunda não pode ser melhor do que o supremo. Fico com a música fazendo parte de mim um tempo maior, sem interferência de outra.

Minha angustia vem de saber o que estou ouvindo é finito. Queria segurar o tempo, mas não posso. E me rendo a ele quando a música termina. Não há reprise. Aquele momento foi único: para mim, para o executante, para a orquestra.
Nem senti o caminho de volta e sozinha, dentro de um ônibus barulhento só consegui ouvi esse  belo concerto, ainda impressionando minha emoção


24 DE MARÇO – Museu da Casa Brasileira
OCAM – Orquestra de Câmara da USP.

Ambiente em tudo diferente de ontem: fundos da casa dos Silva Prado, plateia e palco montados no dia e em um plano só, músicos ensaiando junto com os primeiros ouvintes que chegavam, pianista lá mesmo a  poucos metros dos  ouvintes, dando os últimos retoques na sua participação; nenhuma acústica especial, até com helicópteros passando algumas vezes durante o concerto; choro e balbuciar de crianças; jardim de fundo (em reforma agora) ampliando o ambiente.

Músicos  em trajes informais.

Programa -  Uma suíte de Guerra Peixe, uma Sinfonietta de Villa-Lobos para mim só para esperar o Concerto de Grieg . Sempre associo os Concertos de Rachmaninov e o de Grieg. O que eles tem em comum? Não tenho a menor ideia.

Solista – Eduardo Monteiro

Maestro  - Gil Jardim  entusiasta, com expressões corporais e faciais  participantes da música. Simpatia contagiante.

Sempre que posso vou a concertos de Eduardo Monteiro. Não entendo de música tanto quanto gostaria, mas não vejo muita diferença entre o badalado Arnaldo Cohen com um currículo de virar página e Eduardo Monteiro mais simples, sem currículo de virar página, mas dedicado ao ensino. E uma  simpatia muito especial.  Detalhes? Não são significativos para mim. Vale a energia e emoção como que o pianista interpreta. E acho que os dois foram bons. Sem comparações. Cada um no seu estilo 

Manhã completa de sons e emoções. A um metro do pianista pude acompanhar suas expressões fisionômicas e sentir a energia maior nos fortes, fortíssimos e a delicadeza dos lentos do adágio. Uma “cadenza” muito especial.

Uma única foto porque não quis tirar nem a minha concentração nem a dele e deixei para os últimos acordes o registro do concerto. 

Gostaria de ter pedido a ele que no bis tocasse a adaptação pianística do Prelúdio e Morte do amor de Tristão e Isolda de Wagner. Na sua interpretação soa mais do que maravilhosa.
Não tive oportunidade. Posso repetir:  GOSTEI, GOSTEI, ME EMOCIONEI, CURTI.

Como o concerto do Teatro Municipal foi repetido também no domingo 24 às 11horas, exatamente no horário do concerto do Museu da Casa Brasileira, fico imaginando quanto o espaço musical da cidade estava  carregado da musicalidade dos dois concertos.



sábado, 16 de março de 2013

UM DIA MEMORÁVEL – 08 DE MARÇO DE 2013



  • Passeio agradável pela Rodovia dos Imigrantes (São Paulo-Santos) com belas paisagens visíveis nesta manhã ensolarada e seus 14 túneis (o maior de 3146m), perfeitas obras de engenharia.
  • Recepção cordial da equipe da parte uspiana de um monumento nacional, as Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos
  • Chegada de ginasianos santistas para uma palestra sobre o cientista Pavan e circular pela exposição itinerante - ExpediçãoPavan –
  • Interação professores e alunos do Instituto de Física da USP e os ginasianos visitantes que então tomaram contato com montagens interessantes de fenômenos físicos e com modelos anatômicos do corpo humano.
  • Volta no tempo até 1534 em um lugar importante da História de São Paulo - Visita às ruínas dos Erasmos
  • Volta demorada, “molhada” sob aquela tempestade de verão “pra ninguém botar defeito.”
Mas, vamos por partes:
Saímos de São Paulo, mais precisamente do portão 1 da Cidade Universitária, campus Butantã, pouco depois das 6h da manhã  com Eric, o motorista calmo, seguro, profissional, eficiente. Éramos 14 na Van da Universidade: O prof. Mikya, do Instituto de Física, Maria Inês Nogueira da Neurociência -Biomédica USP, bolsistas do programa Aprender com Cultura e Extensão Cecil, também da Física, Hélio, um convidado especial de Maria Inês, eu, Neuza e o motorista.  Servindo de guia na cidade de Santos iam Luiz, da Física e Barbara, já mestra, na frente com seu carrinho vermelho.
Belas paisagens, túneis perfeitos, trânsito ótimo. Serra do mar com seus manacás da Serra a nos saudar com seu roxo gritante. 




Chegamos a Santos antes das 8 horas e no local do nosso evento antes do horário previsto para a visita dos ginasianos, marcada para 9 horas.
Recepção simpática, um café oportuno e a socialização necessária entre a equipe do lugar e a nossa. Embora o local de trabalho da equipe fosse moderno bem equipado, já se respirava uma atmosfera histórica apenas pela visão a distancia das ruínas que veríamos mais tarde in loco. Auditório para palestras, local para exposição, setor administrativo bem equipado de condições ideais de trabalho da equipe. Construção moderna, segura 

A meninada chega, algazarra consequente, olhos brilhantes de expectativa . Acho que uns 80 meninos e meninas adolescentes.

Maria Inês apresenta a eles a trajetória do prof. Pavan um dos maiores cientistas do Brasil. Focaliza principalmente sua criatividade, sua curiosidade científica que o fez atuante até os 90 anos. Falei algumas palavras sobre minha experiência como aluna desse prof.

 Em seguida os alunos, divididos em dois grupos. Um grupo foi guiados pela exposição, monitorados pelos professores e alunos da USP. Outro grupo se dirigiu à sala de modelos e experimentos. 


O interesse dos meninos foi mais pelos experimentos de física e das meninas pela anatomia demonstrada pelos modelos anatômicos. Tudo muito tranquilo, com muita atenção e curiosidade. Sem medo de perguntas, mesmo aquelas de pé de ouvido.

Despedidos os visitantes ficou, o grupo USP, para então visitarmos as ruínas.

Um pouco da história.
Entre a descoberta do Brasil em 1500 e 1532 quando o rei de Portugal Dom Manuel (O Venturoso) resolveu dar mais atenção à descoberta, quase nada se fez. Foram 30 anos de interesse maior nas Índias e pouca atenção à colônia. Mas, em 1532 chega a São Vicente, Martim Afonso de Souza, o colonizador, com o objetivo de introduzir o cultivo da cana de açúcar, promover a construção de engenhos para a produção do açúcar, e assim fixar os portugueses no território.
O engenho dos Erasmos Fica em uma área hoje de preservação ambiental  da Prefeitura de Santos, entre Santos e São Vicente


                                       Vista do  espaço pelo Google Earth

Por que “dos Erasmos”? O engenho em questão, construído em 1534 (ou 1533 ou 1534) pertenceu a Erasmos Schetz, flamengo de Antuerpia (Bélgica) e ficou conhecido por Engenho dos Erasmos (ou Erasmus) ou engenho São Jorge dos Erasmos.

Por que São Jorge?São Jorge era um dos santos padroeiros de Portugal naquela época. Este foi um dos três primeiros engenhos construídos no Brasil.

Era um engenho completo, com engenho d’água, casa de moenda, casa das fornalhas, casa das caldeiras e casa de purgar. Ao lado do engenho caminhos para carros de bois percorrerem os canaviais. Tinha uma casa grande de seis lances, uma senzala com uma ferraria e duas casas cobertas de telhas.
O engenho funcionou até o século XVIII quando entrou em decadência.

                                  Vista panorâmica do engenho dos Erasmus hoje

Dentro dessa área, a parte das ruínas do engenho foi cedida pela Prefeitura de Santos para a Universidade e São Paulo e hoje é administrada pela Pro Reitoria de Cultura e Extensão Universitária.
O Engenho foi reconstruído a partir de dados e é considerado de “modelo açoriano movido a água” e é o único exemplar que restou na  Baixada Santista como testemunho dos tempos em que a indústria açucareira era o produto essencial nos negócios e na economia da capitania de São Vicente. A revitalização e preservação do Engenho iniciada por volta de 1996 torna o  local um ponto de turismo histórico da cidade.



Percorrido a pé e in loco o local das ruínas causou uma sensação de memória recuperada, de participação de uma fase da história de São Paulo.
Voltamos para a cidade, almoçamos numa reunião “festiva” de toda a equipe. E subimos a mesma Serra do Mar , pela mesma Rodovia dos Imigrantes.


E aí a Natureza, que tinha nos recebido com a floração dos manacás da serra, mostrou sua face mais brava, despejando no final da serra e por todo o caminho restante, “baldes” e “baldes’ gigantescos de água acumulada em nuvens. Andamos por verdadeiros rios que cobriam desde são Bernardo, pela Avenida dos Bandeirantes e resto do caminho. Não fosse a habilidade de Eric, sua calma e teríamos nos estressado muito porque a situação não era  normal.
Chegamos à USP são e salvos e com a sensação de missão cumprida.

                       


domingo, 3 de março de 2013

INSTRUMENTOS MUSICAIS INUSITADOS


Neste 1º semestre de 2013, um dos cursos que a  Universidade Aberta à Terceira Idade nos oferece são os ENCONTROS CULTURAIS do prof. Terron, e o tema vai ser APRECIAÇÃO MUSICAL – INSTRUMENTOS MUSICAIS.
Aproveitando a oportunidade de matéria jornalística (Malu Echeverria – O Estado) sobre alguns desses instrumentos musicais inusitados é sobre eles que é o meu texto de hoje.
Esta é uma história do século XXI
Existe no Paraguai, em Cateura,  um aterro sanitário dos arredores de Assunção, uma orquestra cujo nome logo chama a atenção: Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura. É formada por 25 crianças e adolescentes de 12 a 21 anos.
Essas crianças e adolescentes tinham como únicos brinquedos  os objetos de plástico e lata encontrados no lixão. Pois  foi deste lixão, destes objetos de plástico e lata que  saíram as bases dos instrumentos musicais da Orquestra.



Com o idealismo e a boa vontade de um técnico ambiental, também músico, um ambientalista social e um carpinteiro e catador de lixo, foram sendo selecionados materiais mais indicados para cada tipo de instrumento:
Violão – O corpo é construído a partir da junção de duas latas redondas (de um doce popular da região) As outras partes são fabricadas artesanalmente de madeira.

Violoncelo – o corpo é feito de uma lata de óleo grande e redonda enquanto o braço é composto de madeira reaproveitada. As cravelhas (que servem para afinar o som) são restos de um martelo de carne e de uma colher de fazer nhoque.

Violino – o corpo também é feito de lata a partir de um molde. O resto é feito de madeira reciclada e restos de um garfo de cozinha.


Flauta – o tubo se originou de um cano metálico. Para fabricar os botões, foram usados partes de talheres e cadeados.

Contrabaixo - corpo feito a partir de uma lata muito grande (provavelmente de  algum produto químico) e de madeira.
                                         
                                        Foto da Orquestra. Atenção paara o contrabaixo


                                                            A Orquestra ensaiando

Tudo é difícil em uma comunidade em que é despejada uma tonelada e meia de lixo por dia, mas é um primeiro passo para voos maiores. Já há documentários sobre a orquestra, já estão no Google e captar recursos e investi-los na comunidade e na orquestra é o objetivo de seus criadores.


 E, como uma coisa puxa outra em termos de memória, voltou a mim um conjunto de músicos e seus instrumentos também inusitados.  Eram cinco e foram conhecidos como LES LOUTIERS

Esta é uma história do século XX, da década de 70

LES LOUTIERS  foi um  grupo argentino de comédia-musical, muito popular também em várias outros  países de língua espanhola. Constituídos em 1967 por Gerardo Masana , durante o auge de um período muito intenso de  atividade de Música Coral  em universidades estaduais da Argentina. Sua característica marcante é de ter  instrumentos musicais feitos em casa (daí o nome luthiers ,do francês  "fabricante de instrumentos musicais"), alguns deles extremamente sofisticado, que habilmente empregam em seus recitais para a produção de música e textos completos de alta classe e humor refinado . “viveram” de 1967 até sua “morte”, em 2007, Durante 40 anos  seus shows  foram muito procurados. 









Les Luthiers começaram a escrever peças humorísticas principalmente em estilo barroco,  imitando gêneros vocais como cantatas , madrigais e serenatas
do romântico lieder e ópera ao pop , mariachi e até rap. Suas letras são de um humor altamente sofisticado
Les Luthiers são conhecidos, em especial pelo emprego de um conjunto diversificado de instrumentos inventados criados a partir de materiais comuns, cotidianos. Instrumento do grupo feito em casa foi o baixo-pipe uma vara (uma espécie de trombone ), fabricado juntando papelão tubos encontrados nos itens de lixo e diversos. Quarenta anos mais tarde, este instrumento ainda é usado no palco.

Os primeiros instrumentos informais eram relativamente simples, como o Gum Horn-, feito com uma mangueira, um funil e uma trombeta do bocal , e alguns deles nasceram como uma paródia de instrumentos musicais , como é o caso do (Américareferido no Inglês como fiddlecan) e o violata,  instrumentos cujas câmaras de  ressonância  são feitas de uma grande lata  de presunto processado  e uma lata de tinta, respectivamente; a marimba de cocos, é uma marimba feita de cocos

Inventor e fabricante de instrumento Carlos Iraldi (1920-1995), foi o responsável por inventar vários instrumentos mais sofisticados, incluindo o mandocleta, uma bicicleta cuja roda traseira  move as cordas de um bandolim





Les Loutiers tem uma discografia considerável. Como curiosidade a letra de uma de suas música  “Teorema de Thales”
Teorema De Thales

Les Loutiers – Teorema de Thales (ver You Tube)
Si tres o más paralelas, si tres o más parale-le-le-las
Si tres o más paralelas, si tres o más parale-le-le-las
Son cortadas por dos transversales
Son cortadas por dos transversales
Si tres o más parale-le-le-las
Son cortadas, son cortadas
Dos segmentos de una de estas, dos segmentos cualesquiera
Dos segmentos de una de estas son proporcionales
a los dos segmentos correspondientes de la otra.



a paralela a b,
b paralela a c,
a paralela a b, paralela a c, paralela a d
OP es a PQ
MN es a NT
OP es a PQ como MN es a NT
a paralela a b,
b paralela a c
OP es a PQ como MN es a NT

La bisectriz yo trazaré y a cuatro planos intersectaré
Una igualdad yo encontraré: OP más PQ es igual a ST
Usaré la hipotenusa
Ay no te compliques, nadie la usa
Trazaré, pues, un cateto
Yo no me meto, yo no me meto.

Triángulo, tetrágono, pentágono, hexágono,
heptágono, octógono, son todos polígonos
Seno, coseno, tangente y secante,
y la cosecante, y la cotangente
Thales, Thales de Mileto
Thales, Thales de Mileto
Que es lo que queríamos demostrar.

Quesque loque loque queri queri amos
demos demos demostrar.