quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FELIZ 2010 DE ARDI




ARDI,(Ardipithecus ramidus) nossa mais antiga ancestral femea de 4,4 milhões de anos envia aos meus leitores votos de 2010 de sucessos e conquistas.

Como é linda e elegante!!!!!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

DIVULGANDO INFORMAÇÕES

Informo que no período de 5 a 8 de janeiro, o Serviço Educativo do MASP estará recebendo inscrições de crianças e jovens, entre 5 e 13 anos, para as atividades de férias do Ateliê do MASP.

As atividades acontecerão de 13 a 28 de janeiro de 2010, sempre às quartas e quintas feiras, em tres horarios diarios: 10h30, 13h30 e 15h15.

Cada turma terá até 15 participantes.

È necessário realizar a inscrição prévia e a aquisição dos ingressos diretamente no MASP, nos dias indicados, entre 13h30 e 16h30.

Cada turma terá seis encontros e o preço total da inscrição é de R$ 90,00 que deverá ser pago no ato da inscrição mediante compra antecipada dos ingressos para as atividades e para a visita ao museu.

sábado, 26 de dezembro de 2009

CUIDADO COM INFORMAÇÕES INCOMPLETAS

CUIDADO

Um grande jornal de São Paulo publicou nesta semana no caderno Saúde, uma informação de uso da planta AVELÓS (Euphorbia tirucalli) como um “possível” quimioterápico no tratamento de Câncer.
Embora no texto haja explicações de que se trata de um produto em fase experimental, o que realmente “fica” para leitor sem conhecimento científico é “o produto pode estabilizar câncer e aliviar dores” E aí está o perigo.
O latex produzido pela planta é altamente tóxico e se não houver conhecimento especifico e uso cuidadoso, pode causar danos irreparáveis.
Informações cientificas dizem que:

Contra-indicações/cuidados: doses elevadas são tóxicas e podem coagular o sangue. O látex é irritante e cáustico à pele. Se o látex atingir os olhos, pode destruir a córnea. Por ser altamente cáustico, o látex precisa ser diluído em água. O látex puro pode provocar hemorragia. Ésteres de forbol são estudados como agentes promotores de tumor, induzindo a formação do linfoma de Burkitt e carcinoma nasofaringeo. O uso excessivo pode provocar: intensa queimação; pálpebras inchadas; dor ardente do globo ocular; visão borrada; erosão do epitélio córneo; acuidade visual diminuída; fotofobia e cegueira temporária. Pode ser até letal. Indicações: verruga, CALO, CÂNCER, sífilis, tumor canceroso e pré-canceroso, neoplasias neuralgia, COLICA, ASMA e gastralgia.
Quando a indicação é muito abrangente, DESCONFIE.

Portanto CUIDADO. Não use indiscriminadamente produtos sem conhecimento e sem aconselhamento. Criança, idosos e animais podem ser os maiores prejudicados.

Link indicado

www.plantamed.com.br
Última Revisão:
Euphorbia tirucalli L. – AVELOZ

Aqui estão imagens da planta para reconhecimento.

DEZEMBRO CULTURAL

Dezembro é um mês anômalo e embora sejam muitos os eventos musicais, os muitos compromissos me dividem e eu não posso aproveitar bem. Mas, vamos ver o que consigo.

No dia 01 já tivemos a nossa ópera em filme no IIC (Istituto Italiano di cultura) Desta vez foi LA TRAVIATA de Verdi.
Já assisti inúmeras traviatas, em múltiplas encenações e produções desde as clássicas com roupagem de época, até produções quase atuais (2005) com cenário pobre e modernoso, com roupagens atuais, vestidinhos curtos e rodados, mostrando roupas intimas, e até o “mocinho” i Alfredo no palco com as cuecas aparecendo. Mas a de hoje foi diferente. Mais ou menos tradicional, mas com uma inovação que Sergio Casoy nos proporcionou. Uma experiência inédita, selecionando o tipo de soprano mais indicado pra cada ato.
Como as vozes necessárias para cada um dos 3 atos são a rigor, de sopranos diferentes, ele escolheu atos de 3 montagens distintas com as melhores vozes de cada uma.
Para o primeiro ato uma soprano coloratura, bem adequada ao enredo. Gravado em 1992 no Teatro La Fenice. Não teria dramaticidade para cantar o terceiro ato.
No segundo ato segundo Sergio a soprano que mais se adaptou é intermediária. Começa a ser dramática. Gravada em 2006 em Los Angeles.
E no terceiro ato uma soprano dramática como pede o enredo. Nunca seria capaz de cantar bem o primeiro ato. Gravada em 1994 no Covent Garden de Londres.
Maravilha mesmo são os coros de Verdi e na Traviata o balê do segundo ato. Nesta produção um balê flamengo.

Na sexta feira (o4) nos Encontros Culturais do Terron o filme escolhido foi light, alegre. Bem holiwoodiano, musical clássico de 1951 não faz meu gênero, mas para mim se salvaram as musicas do Guershwin: o Concerto em Fa magistralmente executado numa cena de sonho e a apoteose final de “Um Americano em Paris” com tudo a que Holliwood tem direito em mistura de cores e cenários. Próprio da época.

Dia 07 na USP, o concerto de encerramento da temporada 2009 e de estréia da Maestrina Ligia Amadio como titular. Já a havia visto reger neste ano mesmo acho que no Municipal.
Programa incompleto – o completo será apresentado amanhã na Sala São Paulo – teve como peça inicial a Abertura Concertante de Mozart Camargo Guarnieri. Em seguida um concerto de violino e orquestra de Camille Saint Saëns. Violinista Yang Liu muito aplaudido (chinês? Japonês? O programa não diz)

Dia 08 – Novamente ópera filmada, a ultima de 2009. Foi a Lucia de Lammermoor baseada em novela homônima de Sir Walter Scott. Produção de 2003 – Teatro Carlo Felice di Genova.
Drama trágico (tragicidade ao máximo) é uma ópera sanguinolenta com as mortes esperadas nesse gênero, com mortes lentas lavadas em sangue, desesperos, loucura. Um sufoco!!!!!!. Mas, bons cantores e boas performances, o que nem sempre é fácil conseguir.
Para este ano acabaram as óperas filmadas!!!!!!
Despedidas de pessoas que pouco se conheciam.

No dia 13, grande frustração que valeu até um texto especifico.

No dia 18 o transito difícil nos impediu de ir ao CIEE para recital.

Dia 21, finalmente na Sala São Paulo. Como é linda!!!!! Olho para cima e me encanto com a clarabóia. Olho para os lados e as colunas corintias, remanescente da Estação Julio Prestes, seguram meu olhar por minutos. Fecho os olhos e “sinto” a musica ocupando todo espaço. O Encontro de Gerações da USP ofereceu um coquetel e musica, muita musica. Ponto alto a nova titular da Orquestra Sinfônica da USP, maestrina Ligia Amadio. Loira, jovem, bonita, elegante, envolta em uma nuvem azul do vestido de muito bom gosto. Deu o tom colorido no conjunto preto e branco dos músicos da orquestra. Nem ela imagina como o conjunto ficou bonito.
È condutora do jeito que eu gosto: se envolve, vibra e vive todas as notas. Transmite seu entusiasmo.
No programa Francisco Braga, Ravel e Saint-Saëns. Gilberto Tinetti solou no piano o concerto de Ravel. É outro que eu vi embranquecerem os cabelos, tanto tempo faz que acompanho sua trajetória.

E até o final do ano, nenhum bom programa. E se tiver não vou, tenho muito serviço atrasado.


Em Artes Plásticas também o ultimo dia das magistrais aulas de Renato Brolezzi no MASP. Desta vez o artista enfocado foi Diego de Rivera. E eu que pensei que conhecia alguma coisa de arte. Conheço é nada. Desse artista, conhecia só o nome. Aprendi muito sobre sua nacionalidade, seu envolvimento político no México e seu comunismo evidente nas obras, sempre com significado de trabalho, terra....Sua vida com Frida Kahlo (comovente a vida dessa artista mexicana) Relações com Leon Tolstoy, comparação com Siqueiros e com Giotto. O Mural Ford V 8 de Nova York, enorme, totalmente destruído e refeito no México. E outras coisas mais devidamente registradas.

Ainda não consegui tempo para ir à outras exposições. Estudo um pouco de arte em casa porque tenho muitas coleções. Tenho para me “bombardear” visualmente a Vênus no Espelho do espanhol Velásquez. Antes do final do ano troco essa imagem por outra. Ainda não escolhi.

Tenho lido pouco. Mais textos (ainda), revistas atuais e pela metade no livro do Sergio Casoy – sobre ópera. Muito, muito bom.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

CONTO DE NATAL

Para quem não leu no ano passado aqui vai a repetição de um conto de Natal que eu escrevi romaceando uma situação real.

CONTINHO DE NATAL

Tina acordou sobressaltada misturando pensamentos de um sonho ainda persistente na memória e o que faltava para aprontar para aquele Natal tão planejado. O sonho – mais para pesadelo do que sonho – tinha sido pesado e ela ainda sentia a sensação angustiante.

Ela sempre se preocupara com a situação daquele seu sitio que ficava no meio do mato, sem vizinhos próximos e pouca luz. A casa era no alto, uns 100 metros da estrada e quem eventualmente passasse por ela não saberia o que acontecia na casa. Mas, muitos amigos estavam na mesma situação e raramente se ouvia falar de algum ladrão que quase sempre era “pé de chinelo” e roubava miudezas.

Tinha chovido á noite e ela aproveitou para ficar um pouco mais na cama. E foi nesse prolongamento do sono que o pesadelo aconteceu.

Sonhou um assalto. Eram três os assaltantes bêbados, armados drogados. independente dos latidos dos cachorros subiram até a casa, e desrespeitando velhos e crianças levaram todos os brinquedos que o Papai Noel tinha deixado, todas as comidas da mesa e machucaram os cachorros. Desarrumaram e sujaram toda a casa, assustaram as crianças, comeram e beberam. Mais bêbados e planejando outros assaltos, foram embora sem levar mais nada a não se a alegria das crianças e o sossego dos adultos.

Tina não contou para ninguém a sensação desagradável que o sonho lhe deixou. Passou o dia todo entremeando essa sensação com o trabalho de preparação da festa de Natal. Eram alguns convidados da família e alguns amigos e ela queria deixar tudo pronto para poder conversar mais.

Trimmmmmmmm

- Tia Joana? A que horas a senhora chega? Ah. Não vem? Porque? Por causa da chuva? Mas “chuva não quebra osso”. Ah, então é pelo barro da estrada. Compreendo. Que pena, vamos sentir sua falta.

Trimmmmmmmm de novo

Agora é a amiga Helena que junto com o marido Marcos chegaria ainda à tarde com seus três filhos para participar da festa.

- Tina, não vai dar para ir. Pedrinho está com febre e Marcos trabalha até mais tarde. E com o barro que a chuva deve ter deixado, não me atrevo a ir sozinha. Vai ficar para o próximo Natal.

Mais uma baixa.

A sensação de desconforto continua. Mistura-se ao prazer de preparar a festa embora agora já seja só para a família mais próxima. Serão sete crianças e por elas vai valer à pena.

O tempo continua cinzento, o sol não consegue romper nuvens embora tente. De vez em quando um chuvisqueiro mais forte. Ambiente propicio para aumentar angustias. Mas Tina continua não comentando com ninguém. Só olha seguidamente para o portão esperando que a todo momento desconhecidos venham subindo pela rampa. E ainda é de dia.

O ar já está perfumado com o cheirinho gostoso do peru que está sendo assado no forno de barro que foi construído pelo avô durante a semana.

Tem que ser peru segundo a tradição. Porque não um franguinho que é mais saboroso? Pensa Tina para se distrair.

A decoração do salão já está pronta. Luzinhas coloridas. Pinhas douradas, figuras natalinas, a árvore de Natal do lado de fora em um pinheiro plantado mesmo, clareava o ambiente. A mesa decorada com capricho estava cheia de frutas secas: nozes, avelãs, amêndoas, figos turcos, tâmaras, damascos. As castanhas portuguesas ainda estão para ser cozidas quase na hora da ceia. Tina sempre contestou o nosso Natal com frutas que não são as nossas. A mesa não ficaria muito mais bonita decorada com abacaxis, mangas, melancia, carambolas, laranjas, figos frescos, pêssegos, e até bananas? Mas não.Tem que ser como todo mundo faz. Não faz mal; um desses próximos natais ela vai fazer como deseja.

Esses pensamentos contestatórios servem para distraí-la e substituem por algum tempo a lembrança do pesadelo.

Já é de tarde vai conferir se o que ela preparou como surpresa da festa está devidamente arrumando. Tudo certo. Cabeça vazia volta a angustia.

Que dia terrível. Ofuscou completamente a prazer da festa. Qualquer latido dos cachorros um sobressalto.

Quase meia noite. Barulho de sinos no portão. Alguém desce escorregando no barro e vai abrir. As crianças ficam tensas. Será o papai Noel? Quem sabe é!!

E de repente... De repente....

Uma carroça com um burro atrelado e conduzido por um desconhecido (das crianças, mas não dos adultos) vai subindo a rampa. Na carroça uma figura vermelha. É o que eles vêm por enquanto. À medida que vai se aproximando mais a figura toma a forma de um velhinho de barbas brancas, barrete vermelho. Expectativa grande das crianças. Olhinhos brilhantes, ansiedade ....

Ainda nesse clima, a angustia de Tina não passa. E se os assaltantes estiverem esperando por maior distração para chegar? Não tira os olhos do portão que a luz de mercúrio ilumina. Qualquer coisa estranha dará tempo de todos se protegerem. Como, ela não sabe, mas pensa assim.

Tensão que ela não dividiu com ninguém.

Papai Noel chega ao salão, desce da carroça, fala com as crianças com uma voz mudada para que eles não reconheçam a amiga que o está representando. Chama um por um pelo nome, distribui os brinquedos que foram os pedidos. Abraça e recomenda obediência a cada um e se despede voltando para a carroça, para a rampa, para o portão e para a estrada.

Crianças exultantes, alegres, na sua inocência acreditando no mito e guardando na lembrança de infância o “seu” Papai Noel da carroça. Explicaram a eles que não havia trenó disponível e ele usou mesmo a carroça do vizinho.

As comidas logo desaparecem. Afinal já passa de meia noite e o cheiro desperta o apetite. As conversas rolam, todos estão descontraídos, mas Tina ainda está tensa. Não tanto, porque pelo menos a festa das crianças não foi estragada. Mas, será que ainda...

Dormiu meio agitada essa noite, mas no dia de Natal o sol venceu as nuvens, o céu está azul, as crianças felizes aprendendo a andar nas bicicletas novas . Como a chuva parou a tia e a amiga com a família venceram o barro e vieram para o almoço de Natal. Á tardinha, todas as crianças, numa cerimônia simbólica enviaram, dentro de balões de gás que sumiram pelos céus, bilhetes com os pedidos para o próximo Natal que Tina espera seja mais tranqüilo.

Só então Tina relaxou de vez. Aconteça o que acontecer agora, o nosso, foi um Feliz Natal.

sábado, 19 de dezembro de 2009

TWITTER - FINALMENTE TENHO UM

Atendendo a insistentes pedidos, tenho, a partir de hoje, um twitter. Quem quiser me achar e me seguir, é só entrar no Twitter e procurar a vovoneuza - sou eu!
Prometo não colocar bobagens inúteis, mas apenas o que eu achar relevante e importante.
Mas vou continuar no blog pra tudo que tenho feito e que não cabe em 140 caracteres.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

SÃO PAULO MOLHADA E ENCHARCADA

A CIDADE DE SÃO PAULO MOLHADA E ENCHARCADA NA OBJETIVA PERFEITA DE HÉLVIO ROMERO DA AGENCIA ESTADO. A MIM LEMBRA HENRI CARTIER BRESSON NA FOTO DA GARE DE ST. LAZARE.

VEJA A REPORTAGEM COMPLETA NO LINK
http://blogs.estadao.com.br/olhar-sobre-o-mundo/cidade-submersa/
É SENSACIONAL.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SÃO PAULO DE DANTES

Este texto “roubado” é atual. Foi escrito hoje mesmo por José de Souza Martins que apesar de aposentado, professor emérito da USP, continua gerando textos, alguns com memória de uma cidade de dantes.
Este de hoje foi transcrito na integra porque é bom demais para que seja lido só por quem lê jornal. Mais gente merece conhecê-lo. Por isso uso o blog como divulgação
Então, aqui vai ele.


Cadeira de barbeiro - J.S. Martins (2009)

Seu Chiquinho Villano tem 92 anos de idade e há 80 anos é barbeiro no mesmo lugar, na Rua França Pinto, hoje no 617. A Vila Mariana passou e ele ficou, rejuvenescendo-se todos os dias, já de tesoura em punho às 7 h da manhã de cada dia. Recebe os clientes com a calma de fígaro antigo, a conversa pausada e bem humorada. Ouvi suas histórias, suas anedotas de barbearia, com a pudica recomendação de não publicá-las.

Já trocou de cadeira umas seis vezes, sempre na fábrica do velho Ferrante, que conheceu, outra instituição das barbearias brasileiras, uma fábrica do Cambuci. Sobre a bancada, um velho rádio está permanentemente sintonizado em emissora que transmite música clássica. Lembra com saudade da velha Rádio Gazeta, a emissora de música erudita, que tinha sua própria orquestra sinfônica.

Cheguei até seu Chiquinho por meio do Dr. Tito Costa, seu admirador. Cadeira de barbearia já foi o mote de programa da Rádio Tupi, nos anos 1950, “Cadeira de Barbeiro”, com Aloísio Silva Araújo, como barbeiro, e Manuel da Nóbrega, como cliente. Ali se metia a tesoura na vida de todo mundo, sobretudo nas manhas dos políticos. A cadeira de barbeiro é, neste país, uma das mais poderosas instituições de formação da opinião pública: uns 60 milhões de homens maduros nela se sentam ao menos uma vez por mês e ali expressam livremente o que pensam sobre todos os assuntos. Quando cheguei, metiam o pau na Câmara paulistana pelo aumento do IPTU. Cadeira de barbeiro é a única e verdadeira tribuna livre do povo, único lugar da crítica social e política aberta.

Seu Chiquinho teve clientes famosos. Foi barbeiro de Prestes Maia, duas vezes prefeito de São Paulo, a quem admirava, porque não usava carro oficial, usava o bonde. Recusou democraticamente aos ricos Matarazzos, originários da mesma terra de seu pai, Castellabate, na italiana província de Salerno, a permissão para que construíssem um portão particular no Cemitério da Consolação, na Rua Mato Grosso.

Na revolução de julho de 1924, a Vila Mariana foi cenário de combates e bombardeios, muita gente morreu e muita gente fugiu. De carroça, seu o pai, Affonso Villano, levou a família, a mulher, Philomena, e as crianças, para a casa do tio Gustavo, um parente que tinha armazém de secos e molhados na Barra Funda. E lá ficaram refugiados durante o mês dos combates nas ruas de São Paulo, dormindo no chão. Os meninos voltaram a pé para casa, na Rua Humberto I, a mãe na carroça, com criança pequena. Caminharam a manhã inteira. A criançada acabaria se divertindo com os resquícios da guerra: arrancava das paredes as balas incrustadas, para guardá-las como lembrança.

A cultura da cadeira de barbeiro é a rica cultura do cotidiano, da memória sem escrita, da vida sem arquivo nem papel, do que não importa, importando muito.

Professor Emérito da Faculdade de Filosofia, letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Dentre outros livros, autor de Subúrbio (Editora Hucitec/Editora da Unesp, 2002); A Aparição do Demônio na Fábrica (Editora 34, 2008; Sociologia da Fotografia e da Imagem (Editora Contexto, 2009); A Sociabilidade

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

ACONTECE EM SÃO PAULO – NA PAULISTA – NA CASA DAS ROSAS – Eu estarei lá. Venha conversar comigo.

No mês de dezembro na Avenida Paulista as luzes cobrem as fachadas os temas natalinos predominam, a criatividade manda.

A qualquer hora do dia a Paulista fervilha de gente, de sugestão de compras, e daqui a pouco de corais de todos os tipos.

Mas, na Paulista há uma linda casa que não vive de vendas, não tem sua fachada coberta de luzes mas tem cartazes que falam de livros, de poesias ...

É a Casa das Rosas. Lá no comecinho da Paulista, no número 37.

A Casa das Rosas é um espaço de cultura. De Literatura e poesia sim, mas também de modernidades, de bate papos descontraídos, de informações sem cara de informações.

É na Casa das Rosas que vão acontecer três encontros nos dias 02, 09 e 16 de dezembro, das 15h às 16h. Eu, a Vovó Neuza estarei lá para uma conversa sobre ciberespaço, novas tecnologias, blogs e a blogagem utilizada em Educação, e em oficinas de produção de textos. Conversaremos também sobre o Mercado de Trabalho para idosos (a partir de 45 anos).

E a conversa vai ser regada a refresco para amenizar o calor.

Espero vocês nesta quarta, dia 02.

sábado, 28 de novembro de 2009

NOVEMBRO CULTURAL

Continuo fazendo deste Blog um diario e uma prestação de conta para mim mesma. E aproveito para mostrar tudo o que São Paulo oferece e também ostrar que se eu, com tantos anos vividos posso usufruir dessas ofertas, muita gente pode.

E agora é novembro.
Vejamos o que consegui assistir em novembro, em termos culturais. Não muito porque este mês foi de finalizações de cursos e alguns trabalhos.
Algumas rotinas consegui manter. Outras não.

Em relação às óperas filmadas do Istituto Italiano di Cultura, consegui assistir às três do mês:

La Serva Padrona em duas montagens: uma de 1733, estreada em Nápoles com música de Pergolesi e libreto de Gennarantonio; filme dirigido por Carla Camurati e Orquestra de Câmara do Sesi Minas. Montagem viva, de ação cômica , agradável.
Outra montagem de 1781 estreada na Russia com musica de Paisiello e libreto do mesmo Gennarantonio Federico com leves alterações feitas pelo compositor. Muito parada, cenografia pobre.

Il Barbiere di Siviglia – musica de Rossini, libreto de Sterbini, baseado em comédia de Beaumarchais
Ópera bastante conhecida, ópera bufa com áreas de domínio publico. Na nossa apresentação tivemos um apagão no exato momento do quase final do 2º ato, quando a mocinha Rosina vai fugir com o Conde de Almaviva. Que pena, na parte mais engraçada, com uma confusão generalizada é que a luz foi embora.

L’Elisir D’Amore – musica da Caetano Donizetti e Libreto de Romani.
Em uma montagemde 2005 em Viena a ópera se apresentou bastante agradável. Não sou critica e não sei dos pormenores. Só sei que gostei.


Nas aulas do prof. Marcos, sobre Caymmi, foi um banho das canções de Amor, de religião e de cantigas de roda. Tudo de Caymmi no final representado pela criatividade do grupo. E ainda ganhamos o CD com as músicas analisadas.


No meu curso de “Musica do Brasil Independente” do IEB-USP, apresentei em um seminário “A Musica Popular de São Paulo na década de 30” e fiz ouvir fragmentos de musicas dessa época: Perdão Emilia, Ave Maria, Noite Cheia de Estrelas...
A moçada do curso de graduação não entendeu nada. Serenata x balada quem ganha?


No FINAESCUTA do SESC, Dante Pignatari variou suas palestras musicais de novembro: Musica Contemporânea no Brasil, O Romantismo e o Nacionalismo no Brasil e Musica Antiga – Do canto Gregoriano ao Barroco. Sempre com seu conhecimento abrangente, as ligações com História e Musica sempre foram bem apresentadas.

Sempre no dia seguinte às palestras, os concertos, mais propriamente recitais ou pequenos conjuntos. . Para ilustrar a Musica Contemporânea no Brasil, o compositor Silvio Ferraz apresentou com a pianista Lídia Bazarian e a poeta Annita Costa Malufe, composições suas: Triptico das casas, Triptico da repetições e Triptico do caos. Poema de Cortázar, piano e eletrônica fecharam o programa. Não conheço quase nada de Musica Contemporânea, mas tenho ouvido muito para conhecer melhor.


O Trio Images com Cecília Guida, Henrique Miller e Acchille Picchi tocou Villa-Lobos e Francisco Braga. . Boniato mesmo foi Achille Picchi tocando ao piano o Trenzinho Caipira de Villa Lobos como ele o sente. Lindo lindo.
Canto Gregoriano e o Barroco foram apresentados pelo grupo Musica Dramática com 2 sopranos, mezzo-soprano, tenores e barítono e mais o instrumental de cravo, violinos e violoncello. Abel Rocha dirigiu tudo isso tocando Monteverdi.


E o encerramento do curso foi um bate papo com Dante em que ele falou muito de musica aqui da cidade, músicos, o que temos e o que podemos ter. Assuntos variados perspectivas futuras....
No dia seguinte o trio do qual faz parte o Dante, com um nome bastante difícil que até merece caixa alta – PLUSQUAMMEMBÍ se apresentou para as despedidas. Dante ao piano, Kátia Guedes no canto e Nivaldo Orsi com um sonoro clarinete.
O repertório variado, mas moderno, apresentou Mendelssohn, Schumann, Ravel, Schubert mas também brasileiro atuais: Mannis, Paulo Chagas, Silvio Ferraz, Eduardo Álvares.

No sábado 21 foi over dose. De manhã, no MASP fazendo parte do final do Simpósio sobre Villa-Lobos, o Quinteto Villa-Lobos – flauta com o Carrasqueira que eu acompanho há muito tempo e o oboé, clarinete, trompa e fagote, tocaram muito Villa-Lobos (o centenário de sua morte). As Bachianas Brasileiras nº 5 arrasaram. Grupo muito equilibrado, bem humorado, simpático.
Á tarde, no mesmo MASP a Orquestra Sinfônica da USP volta a apresentar Villa-Lobos com uma quantidade maior de instrumentistas e tocam Bachianas (agora as de nsº 9 – 10), uma Fantasia e o Momoprecoce com o piano de Débora Halász

Para quem não sabe
MOMOPRECOCE foi escrita em 1929 e dedicada a Magdalena Tagliaferro (1894-1986), então radicada na França. A grande pianista brasileira fez uma gravação histórica desta obra em junho de 1954, com a Orquestra Nacional da Rádio-difusão Francesa, tendo Villa-Lobos como regente. Nesse período o compositor também vivia na França, entremeando viagens ao Brasil, concertos em Londres, Buenos Aires, Berlim, Viena e em outras diversas cidades européias. Foi o período em que compôs suas melhores obras, entre elas as Cirandas, a série de Choros e o Noneto.
Momoprecoce é uma reciclagem de material composto em 1920 para O Carnaval das Crianças, série de oito peças para piano cujos temas tradicionais de cantigas infantis foram misturados a melodias populares brasileiras, inspiração que Villa-Lobos utilizou em muitas outras obras. (PESQUISA Google)

Domingo 22, fui ao Sesi ver “Villa das Crianças”. Não tenho criança, já passei da época as boas musicas simplificadas não me satisfazem. Perdi um Mozart e Haydn na sala Olido. Também erro.

Hoje, 28 eu deveria ir ver AIDA de Verdi, mas não agüento. Tenho de fazer os meus comentários e escrever textos. Já vi AIDA muitas vezes. Me perdôo.


Em termos de Artes Visuais falhei. Só estive no MASP na aula de História da Arte dos sábados. Mas, a aula do Renato Brolezzi é tão densa que vale por muitas.

O quadro tema deste sábado 08/11 foi “Banhistas no rio Sena “ de Manet A partir deste, tudo o que se relaciona ao quadro ou outros do mesmo pintor, , ou semelhantes, é estudado. As relações História, Mitologia, tornam tudo mais agradável. Muitos outros quadros de Manet foram apresentados.

É muita coisa para este pouco espaço. É um programa muito especial desenvolvido pelo Educativo do Masp para professores que eu aproveito porque sei que acontece.

A várias exposições que estão pela cidade ainda me esperam. Quem sabe Dezembro ou mesmo Janeiro que é mais tranqüilo.