domingo, 8 de outubro de 2017

DE VOLTA À CASA DAS ROSA (AV. PAULISTA 37)

Sempre volto aos lugares significativo de minha vida. A Casa das Rosas é um deles. 
Já escrevi muito sobre ela, já trabalhei os meus Encontros nela, já servi de guia dentro dela, conhecendo cada pedacinho e seu significado. Em um tempo fiz da Casa das Rosas o meu espaço quase cotidiano nos muitos cursos que aconteciam por lá.
Deve estar tudo isso em um dos textos do meu blog, mas não consigo achar, provavelmente perdido entre os mais de 500 textos que publiquei desde 2008. E nesse caso o jeito é republicar quando a Casa das rosas volta à minha rotina de procurar espaços significativos da minha São Paulo e principalmente quando ela me oferece momentos de música.

Nesta sexta feira 06 de outubro de 2017 voltei a caminhar pelos jardins da Casa das Rosas porque era nesse jardim que haveria em um intermezzo entre manhã e tarde com música oferecida pelo LAMUC – Laboratório de Música de Câmara do Departamento de Música da ECA-USP.
Nota - Nos aproximadamente 100 concertos anuais organizados pelo Laboratório, todos os grupos de música de câmara têm a oportunidade de se apresentar em público nos diferentes espaços com os quais o Laboratório mantém parceria regular, dentro e fora do campus da USP, como por exemplo a Casa ds Rosas.Seu coordenaddor é o     Prof. Dr. Michael Kenneth Alpert, que eu encontrei lá depois de, pelo menos 10 anos, quando ele já se apresentava nos jardins do então MAC-USP.
Desta vez o LAMUC nos brindava com um  conjunto nordestino, DONA CRO. Com uma bela Ginga, entusiasmo, bela voz , letras bonitas e instrumentos simples, cantaram Luiz Gonzaga, Sivuca, Hermeto Pascoal.....
O conjunto Instrumental Dona Cro é Formada por Ailson Junior (Voz e Percussão), Chico Bahia (violino), Iuri Galati (Voz e Violão), Jhonatan Pereira (Escaleta), Rommel Monteiro (Percussão) e Taio Nascimento (Percussão).



Mais de uma hora de um som brasileiro, um entusiasmo contagiante, acompanhado até por passarinhos que iam se chegando e pousando nas árvores próximas, com certeza atraídos e conquistados pelos belos sons.
Momentos partilhados com amiga e antiga frequentadora da Casa das Rosas no projeto ESCREVIVENDO já então nos acrescentando conhecimentos literários.

Ao som da música e visual diferente do local   chamavam a atenção as correntes humanas nos dois sentidos circulando entre a Alameda Santos e a Av. Paulista certamente indo ou voltando do almoço e se preparando para o trabalho do último período da semana.

diversidade muito grande, característica da cidade de São Paulo. Crianças (poucas) voltando ou indo para escolas, idosos, nas suas andanças de distração, mas a maioria de jovens adultos homens e mulheres “trabalhadores” da região. De todas as nuances de pele, desde os mais branquinhos aos “torrados” ou totalmente “torrados”.  Todas as cores e modas de roupas, desde contidas secretarias em suas roupas formais até “meninas” jovens ou nem tanto, que aproveitando o dia de sol e calor não perdiam a oportunidade de exibir as belas pernas” mesmo as não muito “meninas” e passando da conta em quilos.

Isso é São Paulo  -  DIVERSIDADE
.
Ia saindo e me lembrei do MANDACARU, de quem tanto tinha escrito há pelo menos 3 anos.  Onde ele está?  Na reorganização do jardim não tiveram dúvidas de tirá-lo do seu lugar, ignorando sua bela história. Ainda tenho a esperança de que alguém me informe o que foi feito dele.
E na sequência, resolvi republicar o que já tinha escrito em 2014. Sempre haverá leitores novos.

Aqui vai do Texto:

O MANDACARU DA CASA DAS ROSAS - uma história dentro da história da Casa
Avenida Paulista nº 37 - Casa das Rosas.  Tem sua história contada e recontada. Tem sido visitada e revisitada.



Casa das Rosas recém-terminada, em 1935

Residencia familiar até 1986, tombada pelo Condephaat em 1985 foi salva da demolição pela “lei 9.725 de Transferência de Potencial Construtivo de Imóveis Preservados, aprovada pela Câmara Municipal em 1984, que dá ao proprietário do bem tombado o direito de vender as áreas não construídas do terreno, desde que o novo proprietário assuma os custos de preservação das edificações de valor histórico. “  - 0 Jardim das Resistências –pag 80.





 Vista aérea da Casa das Rosas logo depois do tombamento
Casa das Rosas e Edifício Parque Cultural Paulista – final de 1980

Desapropriada pelo Governo do Estado quando seu restauro e o Parque Cultural Paulista ficaram prontos em 1991, a Casa transformou-se em uma Galeria Estadual de Arte, função essa que durou até 2003 e passou por várias gestões.
 Em 1995 durante o governo de Mario Covas, o pintor, videomaker, performer, escultor, escritor, músico e curador José Roberto Aguilar foi convidado para dirigiu a Casa das Rosas. Durante sua gestão o número de produções foi grande.
Entre outras coisas, no segundo semestre de 2000 produziu a mostra “Rosas Rosa – Emblemas e Movimentos com a obra Grande Sertão: veredas de João Guimarães Rosa interpretada por nove artistas plásticos e nove videomakers.

E entra aqui a história do Mandacaru da Casa das Rosas, presente desde então, nunca percebido, nem comentado nas várias vezes em que se falou da Casa.

Recuperada a história através de minha amiga Esther Martirani, pedi-lhe um texto, ela escreveu. Com autorização de Esther e de seu filho Ricardo Pichi Martirani eu reproduzo o texto na íntegra.


A odisseia do mandacaru da Casa das Rosas - Texto de Esther Martirani


Para a exposição “Rosas Rosa – Emblemas e Movimento” sobre o escritor mineiro João Guimarães Rosa, organizada pela Secretaria de Estado da Cultura e realizada no anexo Casa das Rosas no ano 2000 foi solicitada uma participação ao videoartista Ricardo Pichi Martirani que se decidiu por uma vídeo-instalação. Num arroubo poético, resolveu dar à mesma um título com verso alexandrino: “Riobaldo Guimarães Diadorim das Rosas”.

Para essa criação, segundo seu relato, Pichi Martirani se inspirou em um trecho de “Grande Sertão Veredas”, que tinha lido recentemente, onde Riobaldo se dirige à Diadorim que se colocara, num ímpeto, como candidato a líder do grupo de jagunços, porque o anterior tinha morrido, e fala, olhando para ele: “Eh! Mandacaru! Oi, Diadorim belo e feroz! ” e Guimarães Rosa continua: “Em jagunço com jagunço, o poder seco da pessoa é que vale...”

Pichi Martirani lembrou-se que, em viagem que fizera a São Raimundo Nonato, no Piauí, fotografara esse esplendido cactus, com flores e frutos e não só espinhos.
Imediatamente lhe veio à mente a inspiração de trazer um exemplar de mandacaru para usá-lo como símbolo do sertão e metáfora de Diadorim.

Diadorim revelava diante do grupo completa aparência de masculinidade. Tal qual o cactos, por sobreviver na seca, demonstrando a resistência e a força do agreste e, por ter espinho, revelando a capacidade de se defender, Diadorim sempre evidencia determinação em suas atitudes. No entanto, a planta, por ser capaz de produzir flores e frutos, apresenta também características femininas. Guimarães Rosa, com a comparação de Riobaldo, parece já embutir a revelação final da feminilidade de Diadorim.
Desse modo, o mandacaru se torna símbolo responsável pela gestação da personalidade de Diadorim e, por extensão da fala de Riobaldo em Grande Sertão Veredas.

Para sua vídeo-instalação, Pichi Martirani pesquisou regiões do sertão e decidiu-se por buscar um mandacaru na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, por ter a região as mesmas características do Sertão de Guimarães. Filmou o local, pediu licença ao IBAMA para transportar um grande e viçoso espécime para São Paulo, organizou toda a viagem, comandou o aventuroso trajeto pelas ruas da cidade, cuidando para que a planta, pela sua altura, não sofresse nenhum dano ao passar por túnel, plantou-a em um vaso grande que colocou na sala do andar superior da Casa das Rosas. Ligou-o por meio de uma mangueira, símbolo de cordão umbilical, a um aparelho de televisão, enterrado dentro de uma caixa de vidro, para dar à luz imagens sugeridas pelo texto de Guimarães Rosa.
Esse mandacaru foi depois transplantado para o jardim da Casa das Rosas, com uma placa:

MANDACARU – UMA OBRA DE ARTE
RICARDO PICHI MARTIRANI

Placa essa que desapareceu. De acordo com um comentário do multiartista José Roberto Aguilar, foi “o sertão plantado num jardim francês”.

Os espinhos do mandacaru são considerados de vital importância no sertão por ter a função de proteção e de captação de água. Curiosamente, desapareceram no ambiente úmido de São Paulo...


Com o resgate da história do Mandacaru, voltei à Casa das Rosas e fotografei-o neste março de 2014.
Ele cresceu, e está vivo e forte, mas não tem nenhuma identificação.
Mandacaru na Casa das Rosas em março de 2014 (já ultrapassa o terraço de cima)

                    


Já está na hora de identificar o mandacaru e dar vida a sua história

Informe botânico: MANDACARU (Cereus jamacaru), também conhecido como cardeiro,  é uma planta da família das cactáceas. É comum no nordeste brasileiro e não raro, atinge até mais de 5 metros de altura.
Existe uma variedade sem espinhos, usada na alimentação de animais. A variedade comum é altamente espinhenta e também é usada na alimentação de animais, quando seus espinhos são queimados ou cortados. O mandacaru resiste a secas, mesmo das mais fortes.
As flores desta espécie de cactos são brancas, muito bonitas e medem aproximadamente 30 cm de comprimento. Os botões das flores geralmente aparecem no meio da primavera e cada flor dura apenas um período noturno, ou seja, desabrocham ao anoitecer e ao amanhecer já começam a murchar. Seu fruto tem uma cor violeta forte. A polpa é branca com sementes pretas minúsculas, e é muito saborosa, servindo de alimento para diversas aves típicas da caatinga, como a gralha-cancã e o periquito-da-caatinga.

Texto montado por Neuza Guerreiro de Carvalho com a colaboração e autorização de Esther Alves Martirani e  Ricardo Picchi Martirani.  Março de 2014





segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A mídia e eu

Não gosto  de fazer propaganda de mim mesma, mas como registro de algumas atividades que interessaram à mídia, matérias foram gravadas e estão  em links que talvez lhes sejam interessantes.


LINKS INTERESSANTES PARA COMPARTILHAR COM AMIGOS

 - Em 2015 fui entrevistada por uma aluna de curso de jornalismo e como trabalho ela fez uma matéria que está no link

http://babbigaspar.wix.com/perfilneuza


-Em 15 de julho de 2016 o Globo Repórter apresentou  matéria em que  meu depoimento foi gravado e está no link

http://globoplay.globo.com/v/5168039


 - A revista VIVER AGORA editou uma matéria que está no link



- Em 08 de agosto de 2017 o programa de Pedro Bial entrevistou Gilberto Gil desmistificando a morte e eu, Neuza tive um espaço que está no link



- Em 23 de setembro de 2017 apareci no programa Como Será? Da TV Globo e que está no link abaixo. Como é do jornal, aparece m comerciais e chamadas.




domingo, 27 de agosto de 2017

UM DOMINGO NO MUSEU DA CASA BRASILEIRA


Não importa que tenha sido a semana difícil, se muitos compromissos não puderam ser honrados, muitos desejos não realizados, muitas ansiedades refreadas, muitos problemas desagradáveis empurrados para “debaixo do tapete”.

Um domingo musical por excelência compensa e faz esquecer tudo.

Esse domingo foi hoje, dia 27 de agosto. Último domingo do mês, escolhida foi a programação do Museu da Casa Brasileira.  Por que? O nome JAFFÉ foi suficiente para saber que teria música de qualidade.

Acompanho o nome há muito tempo, e nem sei quantos anos os nomes de Alberto e Daisy Jaffé fazem parte da minha vida de ouvinte de música.
Sei que a família toda é musical. Que eu saiba Marcelo toca viola, Claudio toca violoncelo, Leonardo toca violino e Renata está brilhando como maestrina. E parece que há uma além de violinista também cantora.

Claudio Jafffé só ouvi uma vez quando o Quarteto teve que se deslocar para os porões do Theatro Municipal porque o saguão onde eles tocavam ia ser usado por algum evento político.  Claudio estava de passagem para visitar a família e foi constituir um Quinteto. Não me lembro em que ano foi mas faz muito, muito tempo.

Marcelo vejo sempre que posso no Quarteto de Cordas da cidade de São Paulo com sua viola e seu humor incomparável para apresentar o programa. Impressionante é ver o seu olhar de compartilhamento com os outros componentes. Olhos que falam com Betina, Nelson e até há pouco tempo com Robert (agora?)

Leonardo ainda não conheço mas sei que é violinista jovem já conceituado e que estuda em Londres. Certamente faz jus ao DNA que recebeu.

Renata só vi uma vez em 2012 no mesmo Museu da Casa Brasileira já apresentando a orquestra atual com outro nome (???), mas o mesmo patrocinador. E revi hoje em uma manhã de música, como maestrina da Orquestrado Instituto GPA.

A surpresa foi uma orquestra de participantes só “meninas” A Orquestra do Instituto GPA é integrada por alunas do Programa de Música e Orquestra das Unidades de Osasco e Santos. São jovens entre 10 e 21 anos em uma iniciativa de inclusão social funcionado desde 1999. As “meninas” de hoje estavam lindas todas de azul; muitos contrabaixos, muitos cellos, violas e violinos. Entre os contrabaixos, chamou minha atenção uma belíssima negra, quase da altura do seu instrumento e simpatia irradiante. Nem sei seu nome.  Renata apresentando cada peça com profissionalismo e humor. E simpatia irradiante.

No programa, Edu Lobo (Beatriz), Chico Buarque (Ciranda da Bailarina). Henry Mancini (The Pink Panther) etc. etc., mas, bonita mesmo foi apresentação da suíte de Bach e em seguida a Bachiana nº5 de Villa-Lobos inspirada na composição de Bach. Linda e emocionante. E a fantasia de Cirandas de Caudio Jaffé me fez voltar às cantigas de roda que eu tinha recuperado para meus trabalhos há uma semana.  Coincidências.

Impressionante as semelhanças entre Marcelo e Renata. A maneira de se comunicar, a interação com os ouvintes, o humor sutil. Até a postura. DNA familiar se manifestando. Como disse José Saramago “Há sempre uma linha no rosto que pertence a um outro novelo”.  Prestei a tenção e encontrei essa linha entre Marcelo e Renata.
E, há uma   outra geração dos Jaffé a caminho da música (??)

Emoções pessoais são indescritíveis.

Fico por aqui.









domingo, 20 de agosto de 2017

FESTIVAL DE COROS INFANTOJUVENÍS 2017 – THEATRO MUNICIPAL EM 20 DE AGOSTO


 Domingo de frio, céu encoberto e chuva se anunciando devagar para cair a toda em pouco tempo. Grande desafio para sair de casa. De ônibus. Desafios me motivam e eu tinha companhia. Wanda se deslocou de Alphaville, enfrentou estrada de ida e volta para me fazer companhia.

O programa: FESTIVAL DE COROS INFANTOJUVENIS 2017 na programação Domingo no Municipal às 12:00h.

Sempre gostei de coros. Em óperas os coros me encantam principalmente os de Verdi. Mas, quem não gosta do seu coro do terceiro ato da ópera Nabuco Va Pensiero (vá pensamento) dos prisioneiros judeus na Babilônia?

E neste domingo chuvoso e frio, teria oportunidade de ouvir nada menos do que quatro coros:
CORAL PAULISTANO - desde 1936 fazendo parte do TM. Do tempo de Mário de Andrade

CORAL JUVENIL DA OSESP – mais jovem, de 2004 com jovens de 14 a 17 anos

CORAL DA GENTE DO INSTITUTO BACCARELLI -com crianças de 4 a 14 anos da comunidade de Heliópolis que se usam voz e expressão corporal com formação centrada no desenvolvimento de valores para a vida em sociedade

CORAL INFANTOJUVENIL DA ESCOLA DE MÚSICA, desde 1977 mas com interrupção entre 1989 a 2011 para alunos da Escola Municipal de Música até 14 anos.

E comprovar a capacidade profissional de regentes como Naomi Munakata, Regina Kinjo, Paulo César Moura, Maíra Ferreira.

Impossível falar no programa todo. Mas, ver o palco colorido e vibrante, com uma criançada e moçada, deu uma esperança no futuro porque, é nas mãos deles que teremos decisões.
Sob pena de deixar muitas sem registro, sorteei as que mais me agradaram:

 - As Duas Velhinhas – Oswaldo L. Mori e Cecilia Meireles
 - Bambambulelê – do folclore brasileiro
 - Hine Mah Tov- canção tradicional judaica
 - Com narração e coro - Dom Quixote, Vida e Morte em 8 pequenas peças descritas e cantadas.
 - Feira de Mangaio – Sivuca/Glorinha Gadelha
 - Feijoada Completa – Chico Buarque
 - Cálice –Chico Buarque/Gilberto Gil
 - De Frente pro Crime – João Bosco
 - Upa neguinho – Edu Lobo/Gianfrancesco Guarnieri
 - Tanto Mar – Chico Buarque
 - Eu Sei Que Vou Te Amar – Tom Jobim/Vinicius de Moraes.

Qualquer comentário seria insuficiente.  Não há palavras para descrever a satisfação, o prazer de ver e ouvir esses coros.  Quem não viu, perdeu. Restam recursos de Internet ou esperar que a TV Cultura apresente no seu programa Clássicos dos sábados, a gravação na íntegra.


 O programa digitalizado só para completar:

sábado, 12 de agosto de 2017

FESTIVAL LAB60+ Três dias de atividades com foco em LONGEVIDADE - 10/11/12 DE AGOSTO DE 2017 nos espaços da UNIBES CULTURAL


Uma das atividade de  sexta-feira 11/08/2017
19h30-21h30 - Playback Talks *inédito*
Espetáculo teatral e improviso realizado a partir de relatos de histórias de fracassos de seniores bem-sucedidos do movimento LAB60+, sem ensaios ou combinações prévias.
Artistas:
Grupo Mirar Playback Theatre

Playback Theatre (ou Teatro Playback como conhecido na América Latina) é uma forma original de teatro em que uma da plateia conta uma história de vida e um grupo de atores encenam espontaneamente. O condutor, elo entre a Companhia de Teatro Playback e a plateia, convida um espectador a contar uma história para assistir em forma de arte. Musicistas criam o ambiente e dão cor às cenas.
O Mirar Playback Theatre é um grupo de teatro que propõe a articulação de espaços reais de conversa onde quaisquer pessoas possam reviver e ressignificar suas próprias histórias por meio de experiências estéticas sensíveis despertadas pelo teatro playback.
Direção: Marta Faria e Péricles Rágio  -  Playbackers: Elida Strazzi, Felipe de Souza, Gabriela Ries, Kenia Tavares e Laura Amorim

Participantes convidados da Lab60+ no Festival da Unibes

 - Wellington Nogueira
 - Tetê Brandolim
 - Neuza Guerreiro de Carvalho

TETÊ BRAMDOLIM -  como é chamada, diz que nasceu duas vezes: a primeira quando veio ao mundo, em 1930, e, 82 anos depois, ao realizar o sonho de aprender a ler e escrever. Alfabetizada pelo método Paulo Freire, a neta de imigrantes italianos se descobriu artista plástica e retrata em tela o florescer de uma nova vida na terceira idade. Já são mais de 400 obras feitas por Tetê com chita (tecido simples de algodão).
Nasceu na zona rural de Monte Azul Paulista (SP) e, mais velha de seis irmãos, trabalhava em meio a plantações de milho, arroz, feijão, algodão. Ainda criança, chegou a frequentar a escola. Mas vinha a época da colheita, e os pais acabavam tirando-a da sala de aula, para ajudá-los na lavoura.
Depois de muitos anos tentando em vão, em 2013, encontrou Jany, especialista em alfabetização de adultos e que usa o método Paulo Freire para ensinar. A primeira coisa que aprendeu foi escrever o nome dos filhos. Aprendeu a escrever a receita do seu pão, e usando as coisas do dia a dia, em seis meses, estava alfabetizada
O contato com a chita foi nas aulas com a Jany para decorar cartões, usou retalhos e foi colando no papel. Sobrou tecido, usou cartolina e começou a compor um quadro. Concluiu o primeiro e não parou mais. Hoje tem mais de 400 obras.

dona Tetê trabalhando em colagens de seus quadros
Dona Tetê esteve no Festival Lab60+ falou sobre sua vida e teve o que contou teatralizado pelo grupo de teatro MIRAR.  Pena que não dá para anexar o vídeo, mas posso comentar que foi excelente composição e expressões corporais representando a história.

NEUZA GUERREIRO DE CARVALHO - EU   - Não há necessidade de falar sobre minha vida. O grupo já me conhecia bem porque faz pesquisas sobre os personagens que vão representar. E, minha vida está toda representada no Blog.(www.vovoneuza.blogspot.com).
Do que respondi quando perguntada, usaram bem o sapo como meu bicho importante em momentos da minha vida: na faculdade quando o usávamos para estudos de fisiologia e na vida familiar da década de 50 quando ainda era usado para diagnostico de gravidez. E a minha ansiedade de saber e compartilhar muito bem representada pelos cinco componentes.
A representação teatral foi comovente porque conseguiram, no improviso, sem palavras, só com o gestual de corpo e mãos (muito expressivas), com apoio de lenços coloridos, passar o importante de minha vida. Deveras emocionada.
Foi tão bonita a apresentação que se eu conseguir o vídeo, prometo que publico em algum momento.  

WELLINGTON NOGUEIRA - nascido em 1960. Formou-se pela Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova Iorque.

Nos anos 90, Wellington Nogueira trabalhava nos Estados Unidos com uma trupe de palhaços que realizava intervenções em hospitais de Nova Iorque. Era algo muito inusitado. Em 1990, retornou a São Paulo para visitar seu pai na UTI do Instituto do Coração. E ali, acidentalmente foi se apresentar como palhaço para crianças do Hospital e então, tudo começou.

No ano seguinte, voltou para o Brasil e começou o trabalho”, em setembro de 1991, surgindo os DOUTORES DA ALEGRIA, entidade da qual Wellington é coordenador geral e onde exerce o papel do palhaço "Dr. Zinho".



No início, sem sede fixa, a ONG se estabeleceu na casa da Dona Benvinda, mãe de Wellington. “Não havia e-mail. Usávamos papel carbono e máquina de escrever“.
E hoje, 26 anos depois continuamos atuando em vários hospitais atuamos em hospitais do Campo Limpo à Itaquera. Também já atuamos em diversos espaços culturais, ruas e empresas desta enorme cidade. 
Doutores da Alegria é uma organização não governamental fundada por Wellington Nogueira em 1991, visando levar conforto ao público infantil enfermo. A ONG atua junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais da saúde, colaborando para a transformação do ambiente onde se inserem. Já realizou mais de 1.000.000 de visitas com um elenco de cerca de 40 palhaços profissionais, que atuam em hospitais públicos das cidades de São Paulo e Recife.

 Um parêntesis importante
Hoje, 11 de agosto de 2017 encontrei pela primeira vez Wellington.  E dei a ele um choque emocional. Por que
Em 2000, quando fazia o curso do Museu da Pessoa sobre Agentes da História, Benvinda, mãe de Wellington fazia parte do grupo. Tenho pasta do curso, tenho fotos de Benvinda, do que ela escreveu e do que ela postou nesse curso. Ela morreu em 2004 e Welington não tinha o menor conhecimento desse material. Imagine o impacto ao ver o que vem a seguir:
 
  
Wellington aos 15 anos com representante da MobilOil

Comentário da mãe de Wellington - Benvinda

Emoções sentidas e compartilhadas de alguma maneira nos ligou.

Voltando ao evento, Wellington teve oportunidade de, com um grande senso de humor comentar o que ele faz, como o realiza e depois teve a sua fala e sua vida representada pelo grupo de teatro que, de improviso usando mãos, expressões corporais adequadas, muito envolvimento e material adequado (nariz de palhaço) introduziu no vocabulário uma nova palavra BESTEIOROLOGIA como recurso terapêutico e humano nos tratamentos principalmente de crianças. Os BESTEIROLOGISTAS já fazem parte do quadro profissional de muitos hospitais. .... A fotos abaixo mostra um momento de atuação de um besteirologista.
Atuação de Besteirologistas


Doutores da Alegria

CINCO COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA   e vai ficar sabendoSOBRE DOUTORES DA ALEGRIA       -  
23/06/2017

1. Os palhaços não são médicos, são artistas. - Fazemos uma paródia do médico, a figura de maior autoridade nos hospitais, justamente para criar um contraponto na relação com as crianças. Os palhaços se apresentam como besteirologistas e a diferença também se dá na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro. 

2. O trabalho é gratuito para os hospitais, mas não é voluntário.

3. Nossa inspiração não foi Patch Adams. Mas, ambos beberam da mesma fonte, que é a arte do palhaço. 

4. Temos uma Escola. Com um  Programa de Formação de Palhaço para Jovens

5. Somos uma associação, não um grupo. Todos são remunerados e trabalham de forma não voluntária.



FIM DAS ATIVIDADES DA SEXTA FEIRA 11 DO LAB60+ NA UNIBES