domingo, 12 de junho de 2011

O THEATRO MUNICIPAL EM 2011


Tenho uma ligação afetiva muito grande com o Theatro Municipal. Ao que me lembre, a primeira vez que passei pelas suas monumentais portas, foi por volta de 1948, para assistir “Vestido de Noiva’ de Nelson Rodrigues.  Voltei lá em fevereiro e 1952 para a cerimonia de colação de grau  de minha licenciatura pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USA
A primeira reforma estava por começar.
 E aí, passou muito tempo  sem nos encontrarmos -eu e o Theatro Municipal.  Tempos de trabalho e de familia.

Nas décadas de 70 e 80 eu e Ayrton frequentamos o Municipal quase todas as semanas. Foi nele que em 1982 tivemos o prazer de ouvir Jean Pierre Rampal e sua flauta de ouro, Maurice André com seu trompete maravilhoso, a regencia impecável de Eleazar de Carvalho muitas e muitas vezes. Um sem número de espetáculos que ficaram para sempre registrados na memória.

Sozinha, quando me recompuz da perda maior, música voltou a ser prioridade  cultural. Voltei ao Municipal muitas e muitas vezes. E a  cada vez sempre me encanto. Não comparo o antigo (Theatro Municipal) e o novo (Sala São Paulo). São diferentes e estou em um ou outra de acordo com a possibilidade do momento.

Às vésperas de sua re-re-re-reinauguração, matéria sobre  o Theatro Municipal está em todos os jornais e revistas paulistanas. Muito se escreve sobre ele, mas eu vou montar o meu próprio texto. Começar do seu nascimento (onde e quando ele nasceu), seus primeiros passos, seu crescimento e amadurecimento, suas várias “cirurgias” para continuar sua vida e o seu estágio atual, beirando os 100 anos.

Preliminares
Desde 1895  vinha sendo apresentado na Câmara Municipal de São Paulo, um projeto isentando de impostos por três anos quem construísse um teatro maior que o São José e digno de São Paulo. Ninguém se interessou. Nova isenção por 20 anos e depois por 50 anos encontrou alguns interessados que, no entanto desistiram. 

E aí, os  poderes públicos tiveram que intervir, porque São Paulo não podia ficar atrás de Manaus, com seu Teatro Amazonas e de Belém do Pará com seu suntuoso Teatro da Paz
Em 1903 é desapropriado pelo Estado um terreno  no morro do Chá que foi cedido para a Prefeitura  para a construção de um teatro maior que o teatro são  José, que seria o Theatro São Paulo.
 A incumbência da construção foi entregue ao escritório de Ramos de Azevedo que em 1903 designou o arquiteto Domiziano Rossi e Cláudio Rossi - nenhum parentesco - para realizarem o projeto. 

A construção
Seu modelo foi   o da Ópera de Paris, de Charles Garnier  
De aparência triunfal, no edifício empregou-se grande quantidade de material variado e custoso. Foram utilizados 4,5 milhões de tijolos, 700 toneladas de estruturas de ferro laminado e perfilado e 50 toneladas de ferro fundido. 
A construção tem 3.609 metros quadrados para comportar 1.816 espectadores.
O saguão, repleto de esculturas vindas da Europa, principalmente esculturas em mármore vindas de Florença; mosaicos vindos de Veneza e tocheiros de cobre vindos de Paris. Só os vitrais foram feitos no Brasil, mesmo assim com tecnologia alemã. As portas de jacarandá feitas no Liceu de Artes e Ofícios.
No teto do salão nobre, pintura de Oscar Pereira da Silva.
Escultura de Diana de Victor Brecheret ao lado direito  do saguão principal.
A sala com  sete pavimentos incluindo o subterrâneo. Os parapeitos dos balcões, revestidos com folhas de ouro e aplicações de cristais de Murano em forma de pequenas flores. Na cúpula, pintura também de Oscar Pereira da Silva que registra as fases sucessivas da vida do Homem. Lustre com seis mil peças de cristal. Cadeiras de veludo
vermelho.
A fachada principal é enquadrada por sacadas, cujos balcões são suportados por dois atlantes figurando dois Hércules. Sobre este apoio duas colunas de granito rosa com capitéis de bronze sustentam as sacadas com seus cimácios em volutas. O ático é formado por um medalhão alegórico, servindo de assento a dois grupos de bronze, representando o Drama e a Música.

Em 1911 - Interessante notar os carros da época, as pessoas, os trajes. 
                          
A construção foi concluída em 30 de agosto de 1911 e a inauguração marcada para 11 de setembro de 1911. No entanto teve que ser adiada para o dia seguinte porque os cenários não chegaram a tempo.


A descrição simplificada -  do Theatro Municipal (na época da inauguração – registrada com grafia da época)
O Theatro ocupa uma área de 3.609 metros quadrados, sendo o seu maior comprimento 86 metros e a maior largura 42m.
O edifício, em plano, compõe-se de três corpos:
 - o corpo da fachada, abrangendo o vestíbulo, a escada nobre, salão, portaria, restaurante e dependências de administração;
 - a parte central compreendendo a sala de espetáculo com seus corredores e galerias, e o corpo posterior, formando o palco, com suas galerias laterais, camarins e salas de artistas. 
Tem sete pavimentos, dos quais um subterrâneo, cinco correspondendo aos planos e ordens da sala de espectaculos, e o pavimento alto, sob a cúpula central, destinado à scenografia e depósito de mobiliário scenico.
A lotação normal do theatro é de 1.816 espectadores.
.A altura do palco é de 32 metros e a da sala de espetáculos é de 20 metros.A altura máxima do edifício, acima do nível da rua, é de 40 metros. A architectura exterior do edifício é composta no estylo renascimento barroco, com typos e modelos de renascença greco-romana, e a interna, se bem que do mesmo estylo, toma um caráter diverso, devido aos novos materiais decorativos empregados: os marmores, os mosaicos, os estuques lúcidos, o gesso, a pintura

A Inauguração
A inauguração realmente aconteceu em 12 de setembro de 1911 com a presença do presidente do Estado, Albuquerque Lins e do prefeito Barão de Duprat. Foi um acontecimento social deslumbrante com uma cobertura muito grande por parte da imprensa, das lojas e de todo e qualquer meio de comunicação. Alugavam-se “limousines” para ir à estréia por 800 mil réis. As senhoras da sociedade se movimentaram com as “toilettes” mais luxuosas.
A Light contribuiu para o brilho da festa colocando nas escadarias de acesso e ao redor do teatro, 42 lâmpadas americanas, Adams- Bagnall novíssimas na época e que davam uma luminosidade impressionante.

A ideia inicial era apresentar uma ópera brasileira para a inauguração, mas a companhia contratada - comandada pelo famoso barítono Titta Ruffo - não tinha nenhuma no seu repertório. O jeito foi apresentar apenas a abertura de “O Guarani” de Carlos Gomes antes da ópera Hamlet de Ambroise Thomas.

No dia da inauguração  aconteceu o primeiro  congestionamento da cidade.

Da Praça da República às portas do Municipal,  trajeto de 300 metros, os landôs estavam demorando duas horas para percorrer.   Veículos vinham de todas as direções. Saindo da Rua Sete de Abril desciam a Conselheiro Crispiniano. Ou subiam pela mesma rua vindos do Largo do Paiçandu. Atravessavam o Viaduto do Chá, desembocavam na rua Xavier de Toledo e chegavam principalmente pela Barão de Itapetininga. 
Caleças, tílburis, landôs e cerca de 100 automóveis..Muitos quando chegaram, encontraram o segundo ato começado. Ninguém descia e caminhava uns poucos metros a pé. Os homens de fraque e as mulheres exibindo notável diversidade de toaletes, consideravam uma afronta não serem vistos conduzidos por seus cocheiros de libré ou chauffeurs fardados.

Terminado o espetáculo, nova confusão, pelo mesmo motivo. Ninguém queria procurar seu veículo. Ficavam à espera até que eles apontassem próximos. Então, desciam a escadaria. Muitos foram matar o tempo nos jardins, outros ficaram no “foyer”
“Conta-se” que o último ato da ópera não chegou a ser apresentado e mesmo assim a apresentação terminou depois de meia noite. Houve distribuição de “plaquettes” contendo a descrição do teatro e sua história até a inauguração. O programa entregue ao público na estréia tinha a forma de um leque e os espaços foram disputados pelos anunciantes. Havia propaganda de barbearias, alfaiatarias, luvarias, farmácias, mercearias,... Os produtos iam de cerveja ao conhaque, cigarros (Olga, Castelões e Gariba) rebuçados, toucas, chapéus e remédios para eczemas, caspas e suores.

Programa da  Inauguração do Theatro
A esse respeito “roubei” dois textos de Jorge Americano onde podemos ter a idéia de como funcionava o Theatro municipal nos primeiros anos de vida.

Transcrição de um capítulo do livro “São Paulo Naquele Tempo (1895-1905) de Jorge Americano – 1ª edição 1957 – 2ª edição – 2004
O Municipal
“São Paulo não tem sorte com teatros. Veja: incendiou-se o antigo São José no Largo da Assembléia (Praça João Mendes). O Santana, na Rua Boa Vista, é apertado e não vale nada. O segundo São José, ali na esquina do viaduto com a Rua Xavier de Toledo, parece que se incendiou também
._ Não estou certo, em todo caso, foi logo demolido.
_ Nem eu. Vamos ver se agora o Teatro Municipal terá mais sorte. Eu o acho mais elegante do que o Municipal do Rio de Janeiro, que é pesadão e sem gosto. De que adianta terem gasto 12 mil contos para sair aquele bolo? É riquíssimo de mármores e dourados, mas parece uma tartaruga escura
.Veja o nosso. É pintado de cor creme, claro, leve e elegante. Gastaram no Rio 12 mil contos e nós gastamos três mil.
_ Você já comprou lugares para a inauguração?
_ Já.  Eu não sou muito de negócios. Mas comprei a assinatura da frisa, para 10 recitais por 1 conto de réis. Sai a cem mil réis por noit.e
_ Mas você está louco! Cem mil réis por noite para cinco lugares?
_ Vai ser um espetáculo lindo. Não pense que a minha gente irá todas as noites. Iremos na estréia, e depois, uma noite sim, uma noite não. Nos outros dias, a gente vende o bilhete ao cambista.”

Transcrição de um capítulo do livro “São Paulo Nesse Tempo (1915-1935) de Jorge Americano – 1ª edição 1957 – 2ª edição – 2004
No Teatro Municipal
O “FOYER” do Teatro Municipal era frequentado entre o primeiro e o segundo , ato para tomada de contato entre os assistentes. As senhoras reuniam-se em gros e os  homens passeavam de um lado para outro, até aoportunidade de aderirem aos grupos de senhoras. Ali ficavam conversando e recebiam eventualmente o convite: “venha no segundo intervalo à nossa frisa”.
Mas, o “foyer” tinha muitas vezes destino especial, fosse a realização de um baile, fosse um banquete (havia pouquíssimos salões em São Paulo).
Ao fim de algum tempo, sendo insuficiente o “foyer” a Prefeitura fez construir um tabladodesmontável, adaptado sobre a pletáia, ao nível dopalco, servindo para grandes bailes e banquetes.Muitos bailes de carnaval realizaramse aí.
Quanto aos banquetes, eram em regra, políticos.Tendo sidolevantada e apoiada unânimemente em convenção do PRP a candidatura X para a presidência de São Paulo, era-lhe oferecido um grande banquete ao qual compareciamos governos estadual e municipal, a Comissão Diretora do PRP, os deputados e senadores federais e estaduais, membros do Tribunal de Justiça, vereadores, militares de altas patentes.  Ao fim do banquete, havia a saudação por um político proeminente, e, na resposta, o homenageado desenvolvia o programa de seu futuro governno.Em seguida, dois brindes de honra, um ao presidente do Estado, outro ao da República.
A música, alojada no palco, com otradicional cenário da floresta, iniciava com a sinfonia do guarani, prosseguia com valsas vienenses, e terminava, após o brinde de onra com o hino nacional.
As frisas e cmartes estiveram ocupadas pelas famílias dos participantes do banquete, durante o qual lhes serviram bom-bons e, na sobremesa, “bem-casados” e sorvetes
Sala de espetáculos do Teatro preparada para baile


Sala de espetáculos do teatro pronta para banquete

























A inauguração do Theatro Municipal foi uma  oportunidade para as damas exibirem-se no melhor de suas toillettes. E os cronistas da época  descreviam vestidos e joias nas colunas sociais.
Algumas transcrições:
“Mme. Dr. Jorge Tibiriçá toilette de calipso de seda marinho, coberta por rica túnica de filó de seda fantasia, guarnecido com finíssimas aplicações fantasia e franjas de vidrilho.
Mme Guilherme Rubião , belíssima toilette de cetim duchesse gris, com voilage de mousseline changeant, guarnecida de aplicação e franjas de vidrinlho, sur même nuance.
Mme Gustavo Paes de Barros, toilette de faille liberty gris, guarnecida com lindas aplicações argentées
Mme Aristides Salles, rica toilette de liberty branco, coberta de lindo voilage rosa pálido, guarnecida de lantejoulas e franja vidrilho
Mme João Rubião, toilette de liberty gris perle com voilage de mousseline chiffon sur même”

Durante muitos anos o Teatro Municipal reinou sozinho, e era um “mostruário da civilização” como foi escrito na revista Ilustração Paulista em número especial. Era freqüentado por uma elite que ia até ele para tomar chá e café, servidos por garçons impecáveis, de luvas e camisas brancas engomadas. Era também uma feira de amores caros, e o ponto de encontro onde os elegantes se viam e eram vistos.

Passaram pelo teatro Bidu Saião (cantora lírica famosa), isadora Duncan (bailarina), Maria Callas, Caruso, Nuruyev (bailarino), Barishnikov (o maior bailarino de todos os tempos)...............Foi sede de grandes peças de teatro, nomes ligados ao jazz e até se popularizou um pouco.

Onze anos depois de sua inauguração, em 1922, a realização da Semana de Arte colocou o teatro na história da cultura brasileira de maneira muito forte. A semana de 22 como ficou conhecida, foi um marco na arte contemporânea do Brasil e recebeu nomes como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti...

Em 1938 o novo Viaduto do Chá foi inaugurado e em 1939, chegou a loja de Departamentos, Mappin, trazendo para esse “centro novo” toda uma elite que comprava no “centro velho”
São Paulo passou a ter dois pontos de referência nesse “centro novo”: um em frente ao outro e os encontros eram marcados ou “na escada do Municipal” ou “na porta do Mappin”

No início dos anos 50 o Municipal estava em péssimas condições pela falta de manutenção e atualização: equipamentos técnicos obsoletos, a madeira apodrecia e se enchia de cupins, camarins em número insuficiente, fosso da orquestra pequeno demais para as grandes orquestras, problemas de acústica e de visibilidade. Os porões, onde inicialmente se localizavam os equipamentos de ventilação e aquecimento, cujas chaminés passavam sob a rua, saindo nos jardins, eram habitados por gatos. Eventualmente alguns até entravam em cena durante óperas, miando em instantes inoportunos. Os gatos, aliás, miaram tão alto durante toda a temporada lírica de 1966  que chegaram a atrapalhar o canto da soprano Lucia de Lamemour.
Essa primeira reforma não pode esperar e começou em 1952 com mudanças estruturais em primeira etapa. Depois, aumentou-se o fosso da orquestra que passou a abrigar 120 músicos contra os 80 anteriores. O número de camarins foi também aumentado e alguns camarotes do proscênio foram demolidos para a instalação do órgão-concerto, ficando do lado esquerdo as tubulações de sons graves e no lado direito as dos sons agudos. Foi também resolvida a maioria dos problemas dos pontos cegos e surdos. Por atrazo o Teatro não foi entregue para as comemorações do quarto centenário da cidade, mas apenas  em 1955

 O Teatro Municipal foi reformado de novo na gestão de Faria Lima (1965-1969): paredes pintadas, o lustre central da platéia foi regulado. Em 1967 cuidou-se das áreas de serviço e da pintura, revisão da parte elétrica e hidráulica bem como renovação da tapeçaria. Uma reforma apenas parcial pelas necessidades imediatas do teatro. A instalação do órgão somente será feita  em 1969 e  contou  com um concerto de Ângelo Camin.
Em 1981 foi tombado pelo Condephat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico e Artístico).
71 anos depois da sua inauguração – 1982 - os vitrais alemães vindos de Stuttgart tinham sofrido a ação do tempo, da poluição, do vandalismo e até pelo momento político: uma bomba terrorista que explodiu no prédio da Light, em frente, em 1969, atingiu seriamente os vitrais com o deslocamento do ar. Conrado Sorgenicht Filho foi chamado para restaurar os vitrais que reconstituiu artesanalmente para levá-los de volta às concepções originais. 
Em 1983 o teatro foi fechado por um mês para descupinização e também nesse ano ganhou um Museu. 

Em 1985 foram feitos levantamentos de fotogrametria e começou a ser elaborado um projeto de reforma geral interna e externa. O Municipal estava á beira de se transformar em uma ruína de luxo. Foi então fechado e São Paulo perdeu por um bom tempo sua sala mais famosa.
E a reforma começou em 1986: desde tarefas mais simples como a limpeza dos mármores brancos (já não tão brancos) até tarefas mais complexas como descobrir a cor original das paredes que se conseguiu saber serem de um verde especial. A amostra conseguida e analisada serviu para pintar as paredes e foi usada no veludo das poltronas e na cortina do palco, substituindo o vermelho anterior.
O grande lustre central com suas sete mil peças teve que ser desmontado, com as peças numeradas e limpas e remontadas agora com fios de aço inoxidável. A instalação elétrica sustenta 220 lâmpadas.
Embaixo da cúpula ganhou-se imenso espaço que é agora utilizado para ensaios gerais da orquestra. Foi instalado o ar condicionado por baixo da platéia, e a iluminação passou a ser computadorizada. No subsolo foram encontradas verdadeiras covas, com belíssimos arcos de alvenaria e pilares cuja base é de blocos de granito..
Na parte exterior a recuperação foi feita preservando-se e restaurando-se o trabalho de Ramos de Azevedo. A fidelidade foi tanta que a fachada externa foi restaurada com arenito vindo do mesmo local (Fazenda Ipanema em Sorocaba) que forneceu o material para a construção do começo do século XX.
Em julho de 1988 ainda “enfaixado” o Municipal foi reaberto. E em 1991, ao completar 80 anos, o teatro foi devolvido a São Paulo.

Theatro Municipal em 1988 ainda "enfaixado"


20 anos  depois de ser entregue ao publico com grandes reformas, o Teatro começou a exigir mais cuidados. O grande volume de trânsito ao seu redor foi um dos fatores de desgaste
Em 2008 começaram as grandes reformas atuais. Entre as muitas coisas mexidas e remechidas resultou (não necessariamente  na ordem de importância):
 - limpeza da fachada exterior com microjateamento, aplicação de fungicidas e gel espanta pombos (que tem um cheiro insuportável para o pombo e é inodoro para as pessoas)
 - os 25 conjuntos de vitrais foram restaurados e ganharam peliculas que filtram os raios solares e protegem as cores.
 - Os 580 refletores são de leds (diodo emissor de luz) que substituem lâmpadas  com menor consumo de eletricidade e  maior durabilidade
 - o resgate do douramento  que limita os balcões,....
 - 50 kms de fiação foram trocados
 - as 1595 poltronas foram recuperadas e seu estofamento voltou à cor vermelha original. Há tambem poltronas reservadas para portadores de necessidades especiais,  inclusive obesos.



  - Mil metros quadrados de novos carpetes e passadeiras foram colocados
 - O palco (que deu mais trabalho) tem agora  varas de cenografia que suportam 900kg (contra as anteriores que suportavam 150kg) o que é importante para óperas e balês.
 - também o restaurante foi reformado :usando latão e madeira, as mesas com pés em “espirais interrrompidas” e tampos espelhados relfletem as pinturas do teto. Haverá “ilhas” com serviço de café.

Tudo isso foi feito em 3 anos com  a participação de 100 funcionários.
O Theatro Municipal ficou  lindo.  Foi inaugurado para autoridades e convidados nos dias 10 e 11 de junho de 2011 e para o publico reabre hoje, 12 de junho.
Abra o link abaixo e verá como ele está,  em uma movimentação de 360 graus.


Em termos administrativos, o Theatro Municipal é hoje  FUNDAÇÃO TEATRO MUNICIPAL DE SP entidade de Direito Público (não privado)  o que propicia uma organização administrativa especial.
Em termos artísticos, depois de passar nestes últimos tempos por 3 diretores artísticos  (Rodrigo de Carvalho, Alex Klein e Abel Rocha) conta agora com este último no comando.

Comprei um ingresso, dos poucos que restavam já na segunda, dia 6 e fiquei a semana curtindo a espera pelo domingo, 12.

Fui.  Antes de me acomodar fiquei olhando o “novo’ teatro. Está claro, com aspecto de limpo e rosado porque são vermelhas as cortinas, os tapetes, o forro das cadeira. Passa um “calor”  receptivo. Vi o povo chegando, passeando, olhando, comentando. Nessa re-inauguração fiquei pensando nas toillettes da primeira inauguração e as de hoje. Nada a ver lógico. 100 anos é muito tempo. Mas é um gostoso exercicio de comparação.

Me acomodei.   O lugar não foi dos melhores, mas quem se importa. Eu queria mesmo era estar no Teatro, reencontrá-lo. E isso eu fiz através da música.  Pela primeira vez vi o Quarteto de Cordas da Cidade tocando junto com uma orquestra.  Faço minhas as palavras de Flavia Tavares de O Estado:

Quando o Teatro Municipal for reapresentado aos paulistanos hoje, a partir das 17h, uma das primeiras notas a ecoar pelos seus salões será um ré maior. Um ré glorioso, sustentado por dois violinos, uma viola e um violoncelo O Quarteto de Cordas da Cidade  de São Paulo intepretará com a Orquestra Sinfônica Municipal o Concerto para Quarteto de Cordas e Orquestra de Radamés Gnatalli. E assim, Marcelo Jaffé, Betina Stegmann, Nelson Rios e Robert Suetholz cumprem a missão que Mario de Andrade deu a eles e seus antecessoes quando criou o Quarteto em 1935: a de guardar a tradição da música de câmara e oferecê-la à São Paulo”.



Mais música com canto e coro para um fim de domingo perfeito.

Para mim, pelos meus valores, troféu é isto:


Meu ingresso para o concerto de reabertura do Theatro Municipal 











7 comentários:

Margarete Barbosa disse...

Oi, Neuza!!
Que emoção retornar ao Municipal, não é?
Precisamos ir lá e mostrar a beleza dessa obra ao Ulisses.
Retomei meu blog e fiz uma sugestão aos blogueiros para te visitarem também!
Um super abraço!
Margarete Barbosa

Anônimo disse...

Boa tarde
Que inveja senti agora, mas uma inveja boa...e fiquei imaginando a cena de cada palavra que escreveu...Morei um tempo em São Paulo, e infelizmente fui 1 única vez no Teatro Municipal, mas guardei na memória e no coração este dia, pois, ao entrar nele me senti como um personagem dos aures tempos, que conheço , claro, somente dos livros e filmes.
Obrigada pela descrição maravilhosa. Abraços

Daniela Bernardes(danibernardes@ibest.com.br)

prof.irenerocha@hotmail.com disse...

Parabéns pela postagem... obrigada por existir! Compartilhando meu blog> http://estudantesterceiraidade.zip.net

Amanda Lemos disse...

Gostei bastante do Blog.
Muito interessante !

É bom ver a cada dia que passa mais originalidade nessa "blogosfera". :)

Deixo o meu aqui caso queira dar uma olhada, seguir..;
http://bolgdoano.blogspot.com/

Muito Obrigada, desde já !

Wilma disse...

Vim hoje visitá-la, a conheci no programa Ana Maria Braga e sempre volto aqui para me inspirar!!! Uma ótima semana, tudo de melhor para a senhora.

Cristian disse...

Tudo parece bela verdade, é um emocionado ao ver esses edifícios históricos podem ser mantidos como esta nas fotos parece que ele era o mais moderno da época. Muito semelhante ao que acontece em restaurantes em sp que são muito velhos.

Paulo Castagnet disse...

Olá, por um acaso a sra. tem o programa da inauguração do teatro municipal de São Paulo?
pcastagnet@ig.com.br