terça-feira, 1 de julho de 2014

MINHOCAS - BICHINHOS INTERESSANTES


Me interesso por minhocas desde o tempo de Faculdade quando elas serviram para dissecções nas aulas de Zoologia de Invertebrados.  Muita gente as classificam como vermes, mas elas são muito mais que isso na escala evolutiva dos animais. Elas pertencem a um grupo chamado ANELÍDEOS

Durante as minhas atividades como professora, fiz com alunos dissecções e todos ficavam surpresos quando ao invés de apenas terra como eles esperavam encontrar dentro de seu corpo, acabavam conhecendo vasos sanguíneos, uma rede nervosa, aparelhos reprodutores......
Esta é a minhoca comum – Lumbricus terrestris

São visíveis a olho nu, tem cerca de 15 cm e uma observação  primária podemos ver os anéis, um “colar” mais largo chamado clitelum, a boca em uma extremidade e o anus em outra.

   

A  dissecção mostra os órgãos internos


As minhocas se alimentam de organismos animais mortos e diversos tipos de vegetação (plantas e folhas). Durante o movimento, elas ingerem terra, aproveitando todo material orgânico e eliminando a terra.enriquecida  - húmus.

As minhocas não possuem sistema auditivo nem mesmo visual.

Vivem enterradas, construindo galerias e canais, arejando a terra.

São muito usadas na pesca como iscas pelos pescadores

As minhocas também possuem a capacidade de regeneração. Seccionadas cada parte reconstituem a outra. Essa seria um dos tipos de reprodução que as minhocas têm: reprodução assexuada.

Mais importante é a reprodução sexuada porque elas são hermafroditas isto é, possuem órgãos masculinos (testículos) e femininos (ovários) no mesmo animal.  Portanto, não há minhocas macho e fêmea. Mas, uma minhoca não é capaz de se reproduzir sozinha, necessitando sempre de uma outra para a troca de espermatozoides.
O aparelho masculino consiste em dois pares de testículos, que produzem espermatozoides, que migram para as vesículas seminais onde sofrem maturação e aguardam o acasalamento Existe ainda um par de glândulas prostáticas. Este sistema abre no exterior, no segmento seguinte ao das aberturas femininas. Na zona anterior ventral ficam os receptáculos seminais. que  armazenam o esperma recebido de um parceiro durante a cópula.
Na região do clitélum ficam os órgãos femininos  - ovários - ligados internamente a oviductos em forma de funil. Estes captam os óvulos produzidos pelos ovários. 
A cópula decorre entre dois animais unidos ventralmente e orientados em sentidos opostos. Deste modo os gonoporos masculinos estão alinhados com as aberturas dos receptáculos seminais. Após a troca recíproca de esperma, as minhocas separam-se.
Cada animal irá, então, produzir um anel mucoso a partir do clitelum. Por contrações do corpo, este anel é empurrado para a zona anterior, passando pelas aberturas sexuais femininas, que libertam os óvulos, e pelas aberturas dos receptáculos seminais, que libertam os espermatozoides. 
Em seguida, o anel será libertado pela extremidade anterior do animal e formará um casulo protetor onde ocorre a fecundação externa. Este casulo tem cerca de um cm de comprimento e parece um pequeno anel branco. Dele surgirão diretamente pequenas minhocas, sem estágios larvares.





E é ai que me reporto às minhas aulas de Zoologia com a minha PROGRAMAÇÃO DINÂMICA DE ESTUDOS PARA CIÊNCIAS com um guia para a dissecção de uma minhoca.  Com todos os passos orientados, os alunos conseguiam ver os órgãos internos e compreender esse animal que todo mundo pensa que é só feito de terra. 

Passado o tempo de professora, minhocas continuaram a povoar meu imaginário e eu sempre tive vontade de criá-las.  Quando tivemos o sítio em São Roque surgiu a oportunidade. Construímos um minhocário com uns dois metros por 1 metro (parecia um jazigo) e durante algum tempo criamos minhocas. Netos pequenos aprenderam muito com isso. O objetivo era formar  húmus, terra rica para  pequenas hortas. Tivemos que abandonar o projeto porque o material orgânico que as cabras forneciam com suas fezes era insuficientes para a criação ser viável.  Precisaríamos comprar material fecal fora. E aí o custo era muito alto e não compensava. Fiz vários cursos, aproveitei bem, mas a vontade da criação parou por aí.




Passados muitos e muitos anos (mais de 20 anos com certeza) e vou ter o prazer de ter a minha própria criação de minhocas. A Prefeitura vai distribuir matéria para uma compostagem de lixo orgânico doméstico. Já me cadastrei (em 30 de junho de 2014) e devo esperar ser contemplada porque para as duas mil caixas que serão distribuídas já há mais de seis mil inscritos.
A minha criação será bem cuidada sempre registrada com texto e documentação fotográfica. É um trabalho que me proponho a divulgar porque acredito nele.
Para mais detalhes acesse WWW.compostasaopaulo.eco.br





E agora para completar este texto vamos agradar aos pescadores que usam a minhoca como isca. E eles tem além da minhoca comum que é  a Lumbricus terrestris,  a minhocuçu, a minhoca gigante que pode chegar a 60 cm de comprimento e diâmetro de até 1,5 cm
Apesar do tamanho, fica bem próxima da superfície, logo abaixo das raízes das gramíneas. É importante para o solo porque produz grande volume de húmus. Geralmente preta, mas às vezes pode ficar um pouco vermelha.
As características de vida desta minhoca gigante estão intimamente ligadas às épocas do ano. A partir de março, estes animais entram em estado de hibernação em uma cavidade 20 a 40 cm abaixo da superfície do solo, popularmente conhecida como "panela". 
Esta época é a principal para captura dos animais. Os minhocuçus são muito utilizados para a pesca, sendo reconhecida como a melhor isca para o surubim. A região de Caetanópolis, localizada a 100Km da capital mineira, Belo Horizonte, é o polo de existência destes animais que estão ameaçados de extinção pela alta procura para pescarias.

Minhocuçu mostrando a relação de tamanho


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