segunda-feira, 20 de julho de 2015

POESIA COMPARTILHADA

 Para minhas contemporâneas, idosas como eu , mas que  preferem parafrasear Machado de Assis dizendo  que  "estamos naquela idade inquieta e duvidosa  - que já é um entardecer e começa a anoitecer" , uma bela poesia que a amiga Jolanda  me mandou, que apreciei na versão original e traduzida e que quero compartilhar com vocês. 


EN PAZ
Amado Nervo
Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida.

Porque veo al final de mi rudo camino
que yo fui  el arquitecto de mi proprio destino;
que si extraje las mieles o la hiel de las cosas
fue porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas;
cuando planté rosales coseché siempre rosas.

…Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno:
¡mas tú no me dijiste que Mayo fuese eterno!
Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tú sólo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...

Amé, fui amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes!, ¡Vida, estamos en paz!


EM PAZ
Amado Nervo
                                     (Tradução de Jolanda Gentilezza
Bem perto do meu ocaso eu te bendigo, Vida,
porque nunca me deste nem esperança falida
nem trabalhos injustos, nem pena imerecida.

Porque vejo no final do meu tosco caminho
que eu fui o arquiteto de meu próprio destino;
que se extrai o mel ou o fel das coisas
foi porque nelas coloquei fel ou mel saboroso:
quando plantei roseiras colhi sempre rosas.

...Certo, às minhas losanias seguirá o inverno
mas tu não me disseste que maio seria eterno!
Foram sem dúvida longas as noites de minhas penas;
mas tu não me prometeste apenas noites boas;
e em troca tive algumas santamente serenas...

Amei, fui amado, o sol acariciou minha face.
Vida, nada me deves! Vida, estamos em paz! 

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Ah! Que versos lindos, Neuza!
Significantes!
Abraço.