segunda-feira, 3 de abril de 2017

PARQUE ESTADUAL DO JARAGUÁ

Dando continuidade ao prometido na postagem anterior vou continuar a me dedicar aos parques de São Paulo, sejam eles municipais ou estaduais, mas que representam pontos de lazer para a população. 
Por que escolhi o Parque do Jaraguá, embora devo denomina-lo corretamente como PARQUE ESTADUAL DO JARAGUÁ?  Sempre há, senão um critério, uma razão. 
  - Estou estudando e pesquisando sobre o século XVI no meu atual trabalho em pps sobre HISTÓRIA DE SÃO PAULO EM IMAGENS. E encontrei o ouro do Jaraguá, Afonso Sardinha.......
…e nada mais oportuno do que ligar o Blog ao trabalho. E assim entrou o Parque do Jaraguá como o parque seguinte a ser estudado e publicado. 



HISTÓRIA
O pico do Jaraguá foi o cenário da primeira mina de ouro do Brasil colônia. 
                             Pico do Jaraguá em 1590 – “virgem” das antenas atuais  

As primeiras descobertas de ouro não foram em Minas Gerais, mas no Pico do Jaraguá, em São Paulo. 
Nomes ligados à mineração do ouro no Pico do Jaraguá são Afonso Sardinha e Clemente Álvares. Ambos tinham casas de fundição, que eram responsáveis pela cobrança do "quinto”, o imposto sobre a mineração do ouro. Apenas em terras paulistas foram extraídas 4 650 arrobas de ouro entre 1600 e 1820. 

Afonzo Zardinha de Melo (o Velho)
Afonso Sardinha, português, chegou em São Paulo, e adquiriu uma grande fazenda em 1580.Trazia negros da África como escravos. Analfabeto como quase todos, assinava o nome com uma cruz com três hastes. Não tinha filhos com a mulher, mas um, ilegítimo e mameluco, de alguma índia - Afonso Sardinha, o Moço, 
Chefiava uma grande aldeia de índios em Carapicuíba e com eles plantou cana e montou um engenho. Muito rico, tinha uma casa grande e hoje restaurada ainda é visitada.
CASA DE  AFONSO SARDINHA EM 1580

    






                                           Casa de Afonso Sardinha em 2016
                                                               Restaurada - Transformá-la em um centro para visitantes, ou, em uma espécie de museu de mineralogia, são algumas das possibilidades que se apresentam com a retomada do “Casarão do Afonso Sardinha”.

Em 1591 na fazenda de Afonso Sardinha se instalou a primeira usina siderúrgica: dois fornos rústicos e uma forja para produção de ferro.

 Em 1597 na mata cerrada do Morro de Araçoiaba (atual Floresta Nacional de Ipanema) no município de Iperó, região de Sorocaba, funcionou a primeira fábrica de ferro do país, pertencente a Afonso Sardinha. (?)

O empreendimento de Sardinha representou grande proeza, mas, sem prosperar ele encerrou suas atividades por volta de 1628. Mesmo assim, Afonso Sardinha recebeu o título de FUNDADOR  DA SIDERURGIA BRASILEIRA

Em 9 de julho de 1615 ainda, com sua mulher Maria Gonçalves, fez doação, de todos os seus bens móveis e de raiz para a Companhia de Jesus como a Fazenda   Embuaçava, na região de Pinheiros e de Carapicuíba. 

Os Jesuítas dividiram a área em 19 sítios que foram arrendados. Entre esses sítios estava o sitio do Butantã que foi arrendado em 1750 por Inácio Xavier César. Mais tarde com a expulsão dos Jesuítas seus bens foram incorporados ao patrimônio do Estado. A área situada à margem da estrada de Itu, hoje Av. Corifeu de Azevedo Marques, em 1889 foi vendida e acabou nas mãos do Estado onde foram fundados o Instituto Butantã e a cidade Universitária.

Afonso Sardinha o Moço era o filho bastardo de Afonso Sardinha; tinha acompanhado o pai em todos seus feitos e morreu pobre em meio a uma expedição guerreira.
Afonso o Moço foi o iniciador do ciclo do ouro das Minas de São Paulo, descobriu ouro de 1589 a 1600 na serra da Mantiqueira, em Guarulhos, Jaraguá, São Roque e Ipanema onde também encontrara ferro. Seu companheiro nas diligências era Clemente Álvares, mineiro prático. Com seu filho Pedro Sardinha, também grande sertanista, desenvolveu os trabalhos de mineração no Jaraguá, mina donde diz ter extraído 80 mil cruzados

Clemente Álvares – Clemente Alves ou Alvares, nasceu em São Paulo pelos idos de 1569 numa 5ª Feira Santa. Foi batizado pelo Padre José de Anchieta que escolheu o nome por ter ele nascido no dia em que a Igreja celebrava a Última Ceia, dia do perdão e da clemencia. 

Clemente foi homem abastado para sua época. Além de muitos índios administrados, mais de 80 na primeira contagem em seu inventário, possuía roupas finas, gado, muitas ferramentas, alfaias de casa, além de estoques de cereais.

 Em 1590 Clemente Álvares e o filho bastardo de Afonso Sardinha se aventuraram por matas e serras desde a Mantiqueira até o Norte de São Paulo e no caminho foram descobrindo minas de ferro e ouro, a mais famosa no morro do Jaraguá. 

Clemente Álvares, muito rico, morava em um sítio em um lugar distante – Birapoeira - mixto de lugar de criação de gado e porcos e onde instalou também sua indústria de Fundição. Tinha uma boa casa na cidade e um bom número de escravos índios.   

Em 1619 comprou terras na região de Santana de Parnaíba onde começou a construir nova fundição. Não era bem visto pelos comerciantes porque na verdade ele se tornara uma espécie de distribuidor de ferro para os índios. 

Entreveros com o sogro espanhol, um fundidor flamengo, conhecedor de outras técnicas de fundição, filhos e genros aprendendo a profissão, Clemente Álvares que por não saber escrever ainda assinava com um sinal, foi perdendo muitas propriedades e morreu em 1614. Foi um dos mais ricos de São Paulo, 
A ele ficou a honra de ter sido O PRIMEIRO FUNDIDOR DE SÃO PAULO.


PARQUE ESTADUAL DO JARAGUÁ HOJE

Ponto mais alto da cidade de São Paulo, com 1.135 metros de altitude com uma vista que alcança até 55 quilômetros. 

Em 1946, o Pico do Jaraguá foi transformado em ponto turístico e alguns anos depois, em 1961, foi criado o Parque Estadual do Jaraguá, para que os visitantes tivessem acesso à parte histórica do local, como o casarão do bandeirante Afonso Sardinha (visto acima como é agora, restaurado)
O parque foi tombado em 1983 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) e em 1994 como Patrimônio da Humanidade, pela Unesco.

O acesso ao topo pode ser feito: através de uma via asfaltada, a Estrada Turística do Jaraguá, que tem início no km 18 da rodovia Anhanguera ou através da Trilha do Pai Zé, numa caminhada de cerca de dois quilômetros. Ou através da Trilha do Silêncio, desenvolvida e instalada para passeios com grupos de terceira idade, e portadores de necessidades especiais).



                      Pico do Jaraguá hoje

Lá no alto há uma grande antena de televisão, além de pequenas lanchonetes e estacionamento para os veículos e, é claro, a melhor vista da cidade.

Pico do Jaraguá e Parque Estadual do Jaraguá
End.: Rua Antônio Cardoso Nogueira, 539 – Jaraguá – zona Norte – São Paulo. 
Horário de funcionamento: todos os dias, das 7h às 17h Tel.: (11) 3945-4532

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                                            Localização pelo Google Earth (via satélite)
                               BR 050 – Via Anhanguera                SP 348 – Via dos Bandeirantes
Notas - Muitos dados de Clemente  Àlvares obitidos  no livro  de jorge Caldeira NEM CÉU NEM INFERNO. 
Ruas Afonso Sadinha e Clemente Álvares  são duas ruas conhecidas do centro da Lapa, travessa da rua 12 de Outubro.

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