domingo, 6 de setembro de 2009

AGOSTO CULTURAL

Mudo o titulo para AGOSTO CULTURAL porque nem só de musica vive minha cultura. Escrevo também sobre as Artes Visuais, Literatura e Ciências e Memórias.

Agosto começou bem e foi bem em Musica. E eu volto ao blog como um diário.

Já no dia 01 fui ao Centro Brasileiro Britânico – Sala Cultura Inglesa e assisti Ópera comentada. Pena que as legendas sejam em inglês. Mas,dá para entender o assunto. E como o que vou é ouvir, tudo bem.
A ópera desse dia foi Un Ballo in Maschera com Filarmônica de Viena e Sir Georg Solti na regência. Apresentação de 1990. Ópera de Verdi nem precisa comentar. Porque Verdi é Verdi.

No dia 05, no IIC (Istituto Italiano di Cultura) com uma bela palestra de Sergio Casoy sobre Caruso, vi Pagliacci de Leoncavallo. Bela, belíssima.

No dia 09, graças gentileza de meu amigo Alessandro pude ouvir um conjunto de 8 violoncelos de Torino, Itália. Aprendi sobre Scoth Joplin, mas o que eu mais gostei, que mais me tocou foi a Elegie de Fauré em solo de violoncelo. Divino.

No dia 11 novamente no IIC agora para Fedora, ópera de Giordano com Plácido Domingo e Mirela Freni .Que dupla!!!! Produção de 1997 no Metropolitan. O regente foi Abado de quem tenho a história atual arquivada.

No dia 16 ouvi a Orquestra Sinfônica Municipal em um teatro sofrendo reformas, mas heroicamente funcionando até 14 de setembro quando elas chegam ao interior. No programa Bizet e Ravel continuando as homenagens ao Ano da França. Bizet, o “dono” da Carmen com orquestração mais colorida. Revel mais lento no tema da Carmen vê à sua moda o mundo sensual da protagonista.

No dia 17 começaram as aulas da Universidade Aberta à Terceira Idade e este semestre farei Musica no Brasil Independente. Finalmente vou conhecer muitos compositores brasileiros que até agora só conheço os nomes. Já comecei a ler um texto sobre Carlos Gomes.

Día 18 novamente IIC para La Fanciulla Del West de Verdi. Também do Metropolitan. Plácido Domingo foi o melhor.

Acabei por descobrir que gosto mesmo de ópera. Sempre há montagens diferentes, leituras diferentes. Neste 18 levei duas horas para chegar lá (de carro teria demorado uns 15 minutos menos e não teria lido bastante dos meus textos de estudo). Saí às 22h, sozinha, tomando dois ônibus e debaixo de chuva. E não foi sacrifício.

Para não ficar a impressão que só gosto de musica erudita, no dia 22 troquei Mozart ao piano no aconchego da Sala São Paulo, por Dolores Duran ao ar livre na Praça do Patriarca. Minha amiga Irley –irmã de Dolores - cantou. E ainda tendo que agüentar um José Bonifácio de costas para todos. Um frio de doer de vez enquanto era reforçado por um vento gelado e só de vez enquanto mesmo, um solzinho ameaçava sair, mas era logo despejado pelas nuvens. Só de ouvir “A Noite do Meu Bem” dava arrepios, mas não de frio.

Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
E a primeira estrela que vier
Para enfeitar a noite do meu bem

Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando
Quero ternura de irmãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem

Ah! eu quero o amor, o amor mais profundo
Eu quero toda beleza do mundo
Para enfeitar a noite do meu bem

Ah! como este bem demorou a chegar
Eu já nem sei se terei no olhar
Toda pureza que eu quero lhe dar

E respirar um pouco de Arte Visual na Pinacoteca preparou para um trabalho responsável na noite do sábado.

Dia 23 - é a Orquestra Experimental de Repertório de Jamil Maluf que toca César Franck. Em um arranjo do próprio maestro, um violino destacado e a atuação de um bandoneón fizeram a diferença. Muito aplaudido.

Dia 24 – Começo de semana não poderia ser melhor. No prédio da Maria Antonia que tem todo um passado forte para quem acompanhou acontecimentos de 68, uma tarde delicada, artisticamente perfeita indo de Bach a Chiquinha Gonzaga terminando com a Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro de Gottschalk.

Foi Eudóxia de Barros a responsável por essa tarde que começou com a sua entrada tranqüila, uma figurinha de biscuit. Me impressionou muito seu traje discreto mas colorido, um contraste equilibrado pelo belo colar de pérolas tão adequado e tão integrado nessa personalidade.

Pela delicadeza de suas mãos parece impossível que tenham a força e velocidade para a interpretação da fantasia de Gottschalk. As imagens das mãos se fundiam mantendo bem audível todas as notas.
Foi um espetáculo de som e de um visual agradável, combinação perfeita.

Dia 28 um programa de musica não esperado. Apresentação de uma série de palestras e concertos do Dante Pignatari com o nome de FINAESCUTA. Não sabia, mas fui hoje ao SESC às 12 horas. No programa a pianista Beatriz Roman apresentando música contemporânea. Como não entendo nada desse gênero de música, resolvo que vou ouvi-la bastante. Só assim acostumo meu ouvido. De todas, a mais interessante e que mais me agradou foi a música de Luciano Bério, o único que eu conhecia de nome.

Luciano Berio (Oneglia (entre Genova e Mônaco), 1925 – Roma 2003) foi um compositor italiano do período do vanguardismo na música, destacando-se, sobretudo, no domínio da música experimental.

Dia 30, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Lírico tocam Debussy e Gounod, continuando o Ano da França. Um Debussy tranqüilo, fluido e “aquático” como muita gente chama sua música. Foi como um preparo para a magnificência da Missa de Santa Cecília de Gounod. Coral impecável. Regência de Zacaro que se já comanda o coral hoje comandou também a orquestra. Sucesso absoluto.

No período da tarde mudei o programa da OCAM no MASP para Händel na Catedral Ortodoxa do Paraíso. Nunca tinha entrado na Catedral e pude ver como ela é diferente. Seu lustre me encantou.

E aí é que as comparações se fazem. Uma orquestra menor, um ambiente de igreja sem acústica própria, um coral afinado, entusiasmado, mas longe do coral lírico do Municipal. Uma musica pesada de um tempo em que a orquestração “acho” que não era o forte. E coincidência um dos números do programa foi a musica “Aquática” de Händel não pela fluidez, mas porque foi uma musica escrita para acompanhar uma excursão do Rei George I pelo Tâmisa.
Dois tempos: Handel (1685-1759) ainda no período Barroco da musica e Debussy (1862-1918) já um musico moderno. Dois estilos diferentes, e o “aquatico” permeando entre eles. Ainda de Händel quatro hinos da coração de George II da Inglaterra com coro foi o encerramento do programa.

E assim acabou meu agosto musical.

Nas Artes Visuais estive na aula de História da Arte do Masp. Aos sábados das 11h às 13h o professor escolhe uma peça da exposição, fala sobre ela e sobre outras peças do autor e aborda o contexto histórico e mitológico. No sábado 08 o artista estudado foi Mantegna.

Andrea Mantegna (1431 - 1506) foi um pintor e gravador do Renascimento na Itália.

Estou aprendendo muito, nunca tinha ouvido falar nesse pintor e já começo até a relacionar o que estudo na Arte com o que faço na Biologia. Muito, muito boa. No próximo dia 12, o pintor será Goya.

Dias 13,14 e 15 foram palestras sobre Arte Contemporânea no MAC. Além do prazer de ver a Cristina Freire de quem meu orgulho de ser amiga, com tradução simultânea dá para aproveitar. No dia 15 abertura da exposição Corpos Estranhos.

No dia 14, a convite do Roberto Palazzi que eu conheci lá na Sala Cultura Inglesa,
fui ver a exposição do ilustrador e xilógrafo Oswaldo Goeldi, que tem peças expostas na Fundação Nemirovsky também. Conheci muita gente da área. Roberto me respeita muito e ao me apresentar fala sempre de mim com respeito.

Continuo investindo na História de São Paulo e ao longo de 10 aulas estarei no CIEE nas manhãs de quintas feiras para o 6º Curso sobre a cidade. Imperdivel.

Em Ciência não fiz muita coisa. Tenho estado na Estação Ciência acompanhando a montagem do Túnel do Tempo. Também assisti palestra de Fernando Xavier sobre Memória e Percepção. Acrescentou conteúdo e tirou duvidas sobre Memória.
Em compensação fui 3 vezes à exposição sobre o Cérebro: quando Maria Inês foi finalizar o treinamento de monitoras, no coquetel de abertura e junto com o grupo VivendoCienciArte. Muita luz, muita, cor, muita informação e muito cara.

Literatura está em baixa. Não consigo ler senão textos. A duras penas li um livro “A Cientista que curou seu próprio cérebro” por insistência de uma editora que me pediu um resumo e uma avaliação. Não sou do ramo, não fiz letras, mas não sei dizer Não. Li todo ele e tenho minhas opiniões que estão no lugar adequado. Mas não assumo mais compromissos desse tipo. É preciso ler um livro inteiro sobre assunto que não á da nossa área. E depois assumir a responsabilidade pela critica.
Recebi um livro de Adriano Macedo “O Retrato da Dama” com contos curtos e surpreendentes. É a minha literatura deste ultimo fim de semana de Agosto.

E agosto cultural se encerrou. O saldo “acho” que foi positivo.

3 comentários:

blogger disse...

Dona Neusa, nome de minha irmã.Voce é um exemplo de vida têm gostos parecidos comigo, mas permita-me uma observação. Não é ofença ser velho, tenho 54 anos e não me ofendo se me chamarem de velho, concordo com a vontade de viver.Há coisas que são reais, não se muda pela semântica, velho 3ª idade, seminovo, são mesma coisa.
Sou seu admirador.
Adão de Sousa Lina
Embu/Sp

Leti Abreu disse...

Adoro Dolores Duran...
Fiquei maravilhada ao saber que esta canção do Tom Jobim, tinha letra dela.

Ah, você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande
Nas coisas mais simples
Que você tocou
A nossa casa querida
Já estava acostumada
Guardando você
As flores na janela
Sorriam, cantavam
Por causa de você
Olhe meu bem nunca mais
Nos deixe por favor
Somos a vida e o sonho
Nós somos o amor
Entre meu bem por favor
Não deixe o mundo mau levá-la outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre
Não chore meu bem

ISABEL disse...

Neuza como gostaria de passar o mês de Agosto consigo. Gosto imenso de música clássica, e então de Verdi e Straus nem se fala, ópera, concertos; que bom que seria.
Navegando no seu blog, não damos pelo tempo passar.
Bjs. Isabel (Portugal)