quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MEU AGOSTO MUSICAL


Quando relato minhas "aventuras musicais" do mês, não tenho a intensão de mostrar erudição,ou  me envaidecer de meu gosto.Quero mais do que tudo mostrar a todos que São Paulo nos oferece  um mundo na música erudita. E por muito pouco dinheiro. É só estar atento, não ter preguiça e enfrentar seja ônibus barulhentos, metrô superlotado ou até chuva e frio. Sempre vale a  pena. Veja quanto eu usufrui neste mês

06 Descobri através do jornal que o Dimos Goudaroulis,  - um violoncelista grego - iria tocar seu violoncello em um espaço chamado CASA DO NÚCLEO, do qual eu nunca  tinha ouvido falar. Tenho a noticia em folha inteira  do cadernos de música do Estado de são Paulo  de 6 de agosto de 2011. Procurando pelo endereço achei-aaqui pertinho de casa e embora o recital fosse à noite, 21h, eu resolvi ir sozinha, na falta de companhia.  De carro foram 5 minutos até a rua Padre Cerda 35.   Já tinha ouvido o Dimos por intermédio de Dante Pignatari, em evento na Caixa Econômica Federal da Praça da Sé e ele tinha me impressionado pela seriedade, técnica, interpretação.....Tudo isso tive oportunidade de rever nessa apresentação do  dia 6.
Lugar interessante, pequeno, com apenas 70 lugares, estava cheíssimo.  Até encontrei a Bia, antiga amiga de 40 anos. Ouvindo  duas suites de Bach na versão violoncello e na leitura de Dimos, foi a gloria.  Ele se esgota literalmente na execução das peças.

07 – para fechar a semana nada menos que o Teatro Municipal e uma ópera desconhecida de Villa-Lobos. Nunca tinha ouvido falar em “A menina das Nuvens”, uma aventura musical de Villa-Lobos como ele mesmo a  chamou.
Do meu novo lugar  (balcão nobre cadeira 39) estou literalmene dentro do palco e posso ver detalhes. Peça de temática  infantil quanto ao conteúdo, cenario interessantemente branco, muito branco, figurinos simples mas adequados, fizeram  com que tudo fosse harmonicamente apresentado. Cantado em português com belas vozes. Mas, do que eu gostei mesmo foi da música, A regencia de Roberto Duarte, um especialista em Villa-Lobos, que fez a revisão do manuscrito do compositor e fez da parte  musical da ópera, seu grande fator de sucesso.
12 – Dia de reunião na USP – Encontros Culturais do prof. Terron – onde vemos filmes devidamente selecionados e depois de uma socialização via cafezinho, há discussão do referido filme. O de hoje foi A MISSÃO belo filme que a mim impressionou mais pela música, um tema  de Ennio Morricone que comemça em solo de oboé e se estende pelo filme.  Fechava os olhos e independente da  imagem, belissima, eu ouvia a música. Encontrei muitas versões mas  coloco aqui um link para que ela possa ser ouvida.

www.youtube.com/watch?v=ksK4PZUo1Kw&feature=related mostrando cena do filme em que a música como linguagem universal aproxima  diferentes indivíduos.

neste segundo vem na sequencia o tema de Cinema Paradiso.

13 – Sábado  dia de ir à  Sala Cultura Inglesa do CBB (Casa Brasileiro Britãnica) ver ópera comentada em DVD. Nem sempre dá. Os compromissos são vários. Hoje não tinha nenhum e fui ver o RIGOLETTO principalmente porque vou assistir a essa ópera no Teatro Municipal em 14 de setembro.  Esta de hoje foi uma montagem do Gran teatro del Liceu de Barcelona em 2004. Um regente  e um elenco desconhecidos para mim. Deve ser local.. Sendo de Verdi já é especial. Musica que se a gente fechar os olhos não precisa nem acompanhar a cena. A música se basta.  Mas desta vez, principalmente o Rigoletto teve uma performance fantástica. Em ópera, cantar só não é suficiente. É preciso interpretar.  E isso nem sempre acontece. Não pisquei nos 130 minutos que durou a ópera. Saí muito satisfeita e cantarolando Caro Nome e La  dona é Mobile, pontos conhecidos da ópera.

19 – No auditório Camargo Guarnieri, da USP, um trailer do que seria o verdadeiro concerto da OSUSP no sábado.E com Ligia Amadio regendo.   A Sinfonia Concertante de Marco Padilha para oboé, fagote, cordas e percussão e o 3º e 4º movimentos da Sinfonia de Rachmaninoff foram apresentados. Em um auditório pequeno, com acústica  comum, não impressionou muito.  As companhias é que valeram.

20 A Programa duplo – Ás 17 horas no Municipal, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, que ‘”eu amo de paixão” se apresentou com Mozart mais accessivel, mas gostozinho e Shotakovsky mais pesado mas mais fácil de  entender quando é executado por conjunto pequeno. Marcelo Jafé como sempre explicando tudo. Isso é muito bom O conjunto fez também uma homenagem a Osvaldo Lacerda, falecido recentemente, executando um quarteto dele, Osvaldo Lacerda.  Não pude esperar pelo bis que naturalmente aconteceu porque  meu tempo era curto para chegar em casa e sair novamente para outro programa musical. Betina muito elegante.

20 B - Sala São Paulo às 21h  agora com Maria Inês, a mãe e o meu amigo Custódio. Ingressos de cortesia pelas mão da sempre gentil Delma. O programa completo da OSUSP.  A sinfonia de Padilha, agora sim, em uma acustica toda especial impressionou quando o oboé e o fagote mostraram seus sons  bem preceptiveis.  E  a Sinfonia de Rachmaninoff foi um explendor.  Lindo lindo foi o visual da nossa querida maestrina Ligia Amadio, de muito bom gosto. Seu vestido, de um vermelho vivo e brilhante, com movimentação de faixa preta que não cheguei a conclusão se foi proposital   ou sem querer (sombra  de  uma haste do podium que se movimentava com  os movimentos da maestrina)  e o porte magnifico da maestrina, foram a muldura  perfeita para sua competencia. Ao termino dos movimentos  ou da peça, o braço levantado a exibia como uma estátua viva.
Ouço musica de uma maneira toda pessoal: Intercalo  momentos  de olhos bem abertos, em que o visual se casa com o auditivo . Perfeito e completo. Mas, se o visual é esticamente bonito demais, me desvia um pouco a atenção dos sons. Então,  há momentos em que fecho os olhos e só o auditivo me impressiona. É diferente. Mas, esse intercalar  de olhos abertos  fechados completa  o que estou ouvindo. É um modo todo meu. Me satisfaz.  

21- Theatro Municipal -  Balé da Cidade de São Paulo  - não é das expressões artistica o que mais me toca. Mas,  é arte de qualquer forma. As expressões corporais perfeitas, flexiveis com movimentos mil, entrosamento perfeito me agradam. Não gosto muito da tentativa de explicação que os programa trazem. Não consigo entender a mensagem que eles certamente mandam. Cada um interpreta por si.O balé se  apresentou  em três momentos diferentes:  Interpretando La Valse de Ravel, com som produzido pelos pianos de Marta Argerich e Nelson Freire. Música e visual casaram bem. Lindo;  um momento sensual com um casal apenas, mas estes sim mandaram bem   sua mensagem; e a apoteose final com  toda a companhia em um momento que  chamaram “ Coisas que ajudam a viver” Nestes dois momentos, a música foi com posta especialmente para o espetaculo corporal?(ou não?)
Para mim o espetáuclo de balé foi  um momento reflexivo. Das expressões artisticas sonora, do que gosto mais?

25 –Theatro Municipal 21h – Balê Kirov. Jamais poderia ter assistidoao Balé Kirov não fosse a gentileza e amizade de margarete e Ivanilson.Como Ivanilson recebeu um ingresso de cortesia, desprendidamente me deu esse ingresso.Dei pulinhos de alegriaquando margarete me  anunciou por telefone essa grata noticial.  Fiquei curtindo por dois dias  (ou seriam três?) Espetáculo não de gala, mas especial, lotou o teatro. O lugar foi bom  (foyer B51).Como sempre faço, pesquisei sobre o assunto, sobre   o enredo de O Lago dos Cisnes (música de Tchaikovisky) que era o que eles iriam dançar nesta quinta fiera, 25 de agosto de 2011.
Aqui vai o resumo:

Ato I

No castelo realiza-se com toda a pompa o aniversário do príncipe Siegfried. A rainha oferece ao filho como presente uma balestra e pede-lhe que, no dia seguinte, escolha uma esposa entre as convidadas da festa. Quando os convidados saem do castelo, um grupo de cisnes brancospassa perto do local. Enfeitiçado pela beleza das aves, o príncipe decide caçá-las.

Ato II

O lago do bosque e as suas margens pertencem ao reino do mago Rothbart, que domina a princesa Odette e todo o seu séquito sob a forma de uma ave de rapina. Rothbart transformou Odette e as suas donzelas em cisnes, e só à noite lhes permite recuperarem a aparência humana. A princesa só poderá ser libertada por um homem que ame apenas a ela. Siegfried, louco de paixão pela princesa das cisnes, jura que será ele a quebrar o feitiço do mago.

Ato III

Na corte da Rainha aparece um nobre cavalheiro e sua filha. O príncipe julga reconhecer que a filha do nobre cavalheiro Odile é a sua amada Odette, mas na realidade por baixo das figuras do nobre cavalheiro e a sua filha escondem-se o mago Rothbart e a feiticeira Odile. A dança com o cisne negro decide a sorte do príncipe e da sua amada Odette: enfeitiçado por Odile, Siegfried proclama que escolheu Odile como sua bela futura esposa, quebrando assim o juramento feito a Odette.

Ato IV

Os cisnes brancos tentam em vão consolar a sua princesa. Mas Odette destroçada pela decisão do príncipe, aceita a sua má sorte. Nesse momento surge o príncipe Siegfried que explica à donzela como o mago Rothbart e a feiticeira Odile o enganaram. Odette perdoa o príncipe e os dois renovam os votos de amor um pelo o outro. O mago Rothbart, impotente contra esse amor, decide se vingar dos dois e então inunda as margens do lago, Odette e as suas donzelas logo se transformam em cisnes novamente e o príncipe Siegfried, tomado pelo desespero, se afoga nas profundas e turbulentas águas do lago dos cisnes. O príncipe não sobrevive, e Odette com a dor que sente em perder o amado, morre. Uma trágica morte de amor.
E sobre o Balé  Kirov:
A pedido da imperatriz russa Anna Ioannovna, o francês Jean-Baptiste Landé criou em 1738 aquela que hoje é considerada a mais importante formação de dança clássica do mundo. Sediado em São Petersburgo, o Balé Kirov serviu de berço tanto para espetáculos clássicos como La Bayadère (1877) e O Quebra-Nozes (1892) quanto para bailarinos do porte de Anna Pavlova e Mikhail Baryshnikov. Dirigido por Yuri Fateiv, o grupo vem pela quarta vez ao Brasil – uma década após a passagem anterior. No repertório, a mesma montagem que marcou a estreia da companhia no país, em 1966: O Lago dos Cisnes, com coreografia de Marius Petipa (1822-1910) e Lev Ivanov (1834-1901) para a música de Tchaikovsky

Não sei se fui influenciada por uma critica que tinha lido no jornal e que considerava o espetáculo “morno”, no primeiro ato  não me entusiasmei: parecia uma escola de balè. Movimentos precisos, mas previssíveis, nenhuma novidade nem no figurino que era aquele de sempre: sainhas curtinhas e durinhas.
Pesou também a comparação com o espetáculo do Balé da Cidade de São Paulo que é moderno, rápido, expressão corporal agitada. No balé classico  (e esse é um balé clássico por exelencia), tudo é mais lento, com pássos “clássicos”. Comparações não procedem.São coisas diferentes.
A partir do segundo ato a coisa melhorou bem, o figurino foi rico, colorido e o enredo aparece bem. Estranhei o final que foi tipico  “conto de fadas”,a la Holiwood, com tudo acabando bem, quando no texto original, principe Siegfried e Odete, o ”cisne’ branco morrem. Não sou conhecedora da arte do Balè, mas o espetáculo me satisfez plenamente. Interessaante foi o  cisne branco e o cisne negro serem dançados pela mesma bailarina, com expressões de sensibilidades diferentes. Doçura frágil no cisne branco e malicia ruim em outra.
Três horas de música de Tchaikovsky representada por bailarinos únicos no mundo (embora a noticia é que é um grupo mais jovem e menos experiente que o grupo principal, que está em férias)
Não pude acompanhar melhor este espetáculo  porque não tinha a revista-programa. Muito cara (R$ 20,00) estava fora das minhas possibilidades. 
Procurei mais informações e encontrei da TV:
 A rotina deles é dura. Todos os dias fazem tudo igual. Uma, duas, três, dez, 20 vezes. Ensaiam dez horas por dia. Sete dias da semana. Normalmente, só têm uma folga por mês. Tudo isso pra chegar à perfeição.
Os bailarinos do Kirov desafiam os limites do próprio corpo, mas será que o corpo deles tem limite?
Às vezes, parece que os bailarinos não têm ossos. São 273 anos de história. A companhia foi criada em 1738.  Por seus palcos passaram os mais geniais bailarinos que o mundo já viu: Anna Pavlova, Rudolf Nureyev, Mikhail Baryshnikov.   Ekaterina Kondaurova faz parte do grupo de 100 bailarinos que chegaram aqui.   É dela o principal personagem feminino, e ela representa tanto Odete  o cisne branco como Odile o cisne negro.

Meia noite e  o entorno do Teatro Municipal fervilhava de gente, e um novo congestionamento repetiu (??) aquele do dia 12 de setembro de 1911, quando da inauguração do Theatro Municipal, aconteceu o primeiro congestionamento deSão Paulo.

Para mim foi a glória.Obrigada Margarete, obrigada Ivanilson.

Usem o endereço

e saibam mais sobre o assunto.

27 –Sala Cultura Inglesa – 15h - Ópera comentada (em DVD) ótimo som, ótima imagem. Legendas em  inglês. Sei muito pouco de inglês, mas conheço bem o enredo das óperas, de modo que não há problema.
Ópera de hoje, La Traviata- Giuseppe Verdi. Já assisti  “n”  apresentações dessa  ópera, mas sempre me interesso por novas montagens. A de hoje  foi com a òpera de Los Angeles numa montagem de 2007. Não foi modernosa. Figurinos daqueles que estão no imaginário: vestidos armados, brilhantes, cheios de flores, rococós. Cabelos cacheados, testemunhos de uma época:  Paris do século XIX.  Boas vozes, cenários sem grandes  novidades.
Assisti aos dois primeiros atos onde as áreas  são muito bonitas  e o coro  de Verde é encantador. Brincici,  Sempre líbera......e a área do barírono Germont, pai de Alfredo, é suficiente para me encher de música.  Saí porque não gosto de melodramas que já conheço. Muito dramático.
Embora pela metade, a LaTraviata de hoje foi satisfatória.

28 – Centro Cultural de São Paulo – 11h – Recital Flavio Varani
Para terminar agosto, um mês prenhe de música (foram 11 contatos com a grande música) um mês e meio depois volto a encontrar Flavio Varani. Não consigo vê-lo sem associar sua imagem à de seu avô Vincenzo Pastore e suas fotos do cotidinano da cidade em um começo de século XX. Coisas da memória  associativa.
Flavio é de uma  simpatia  única. Entra no palco sorrindo e sai sorrindo.Dá as devidas explicações do que vai tocar, iniciando muita gente na música barroca de Rameau,  pouco conhecida e ouvida. Conta de um Beethoven compondo já surdo, mas com  uma fuga  impecável na sua sonata;  fala  de Ravel e Debussy, da Valsa Mefisto de Lizst que exige uma força interpretativa dificil, principalmente quando o pianista não está muito bem de saúde. E  Flavio Varani não estava bem, mas em nenhum momento isso interferiu na sua execução.
E ouvir música com companhia é muito agradável. Pode-se compartilhar e comentar. E eu tive companhia. Raro, porque estou sempre sozinha.
Um domingo ensolarado, um espaço com muito verde, fechou meu mês de agosto musical.
Até setembro

2 comentários:

Sara disse...

O música do filme "A missão" é mesmo linda! (Gabriel's oboé)...
Comprei o DVD do filme por causa dela... E também já encontrei versões na internet... Todas belíssimas...
Muito bom ter essas oportunidades de desfrutar de cultura...
Fique com Deus!
Sara

Oliani de Almeida disse...

adorei ! visite o meu também : Frutos de uma vida