domingo, 25 de setembro de 2011

É PRIMAVERA

Foi ontem que ela chegou oficialmente. Mas com o clima bagunçado como está, em São Paulo ela já chegou há um tempo. Os IPÊS até já perderam as flores depois de ter nos deliciado com seus amarelos e roxos. Tinha uma dessas árvores perto de um ponto de ônibus que dava vontade de ficar nas pontas dos pés e  acariciar suas flores. E sentir pena de sua flores já no chão, amassadas pelo pisar de quem não estavam nem aí com elas. Em compensação, as PAINEIRAS estão só nas folhas, muitas folhas de um verde viçoso.  As SIBIPIRUNAS já começam a florir e aos poucos vão se fazendo presentes.  As TIPUANAS ainda não vi suas flores, mas devem andar por aí.
As PLUMÉRIAS já foram embora, mas floriram justamente quando as outras estavam nuas ou apenas com folhas.
E os MANACÁS DA SERRA também fizeram seu papel de enfeitar  a vida e mostram agora só os pequenos frutinhos cuja função é espalhar as sementes e completar o ciclo da vida.
A ASTRAPÉIA  está mais para arbusto de folhas do que flores, mas sempre volta. É humilde, poucos a conhecem, mas se a encontram se encantam.
O DENTE DE LEÃO é simples, rasteiro,é preciso procurar por ele para encontrá-lo,mas é um primor da natureza. Os “paraquedinhas”  que são suas sementes fazem a alegria da criançada ao soprar seus frutos mais do que diferentes.
Eu gosto também,embora se encontrem mesmo só em floriculturas, das MARGARIDAS.  As atuais não são iguais àquelas  da roça. Tem o mesmo formato, a mesma morfologia mas falta a elas o “algo mais”. Estas não estão a venda. Só enfeitam jardins pobres.
Que tal uma aulinha de botânica enfeitada com o colorido das flores? Vamos a ela

IPÊS
É a árvore brasileira mais conhecida, a mais cultivada e, sem dúvida nenhuma, a mais bela. É na verdade um complexo de nove ou dez espécies com características mais ou menos semelhantes, com flores amarelas ou roxas. Não há região do país onde não exista pelo menos uma espécie dela.
O florescimento exuberante é seu traço mais marcante e o que a torna tão espetacular.
Ao longo destes 500 anos, o ipê foi amplamente cultivado por sua beleza, mas seriam a utilidade e a durabilidade de sua madeira que o tornariam tão conhecido. Seu uso na estrutura do telhado das igrejas dos séculos XVII e XVIII foi o responsável direto por tais monumentos ainda existirem, uma vez que nem as telhas nem a alvenaria resistiram ao tempo.
A exuberância de seu florescimento encantou namorados, escritores e poetas. Nenhuma outra árvore foi tão cantada em verso e prosa.
Têm nomes populares variáveis para cada região e para algumas espécies: "ipê" é o nome empregado nas regiões Sul e Sudeste e "pau-d'arco" na Leste, na Norte e na Nordeste. No Pantanal Mato-Grossense é conhecido por "peúva" e em algumas regiões de Minas Gerais e Goiás por "ipeúna".
Na década de 60, uma das espécies de ipê-roxo foi seriamente ameaçada pelo comentário irresponsável de um cientista, que afirmou que o chá de sua casca curava o câncer. Suas flores  se desprendem precocemente, sua floração ocorre antes do surgimento da nova folhagem, sem data precisa - normalmente entre abril e setembro.
 




SIBIPIRUNA
Originária do Brasil, especificamente da Mata Atlântica, a Sibipiruna é uma espécie da Família das Leguminosas - Caesalpina pluviosa - e atinge altura máxima em torno de 18 metros. Esta espécie de árvore, que costuma viver por mais de um século, é encontrada desde os estados do Paraná, São Paulo, Centro Oeste e até próximo da Floresta Amazônica, por todo o cerrado

A Sibipiruna perde parcialmente suas folhas no inverno e a floração ocorre de setembro a novembro, com as flores amarelas dispostas em cachos cônicos e eretos. A polinização é feita por abelhas Os frutos, que surgem após a floração são de cor bege-claro, achatados, medem cerca de 3 cm de comprimento e podem permanecer na árvore por vários meses à espera de dispersores naturais, geralmente pássaros.
A árvore é muito utilizada no paisagismo urbano em geral, sendo também indicada para projetos de reflorestamento pelo seu rápido crescimento e grande poder germinativo. A floração da espécie ocorre geralmente 8 anos após o plantio


TIPUANA
A tipuana (Tipuana tipu), uma árvore muito comum na arborização urbana de São Paulo e dominante em diversos bairros da Capital, chega a ser um símbolo de alguns, como o Jardins. As ruas repletas delas formam “túneis verdes” e podem ser consideradas um cartão-postal de São Paulo. Nativa da Bolívia e Argentina, seu nome vem do rio boliviano Tipuani, onde vivem no seu vale, uma zona montanhosa e de atividade mineira. Quem as observa, percebe uma densa “grama” crescendo e cobrindo o tronco e ramos de tipuanas, aumentando ainda mais a sensação de vegetação densa que elas proporcionam.





PLUMÉRIA
O gênero Pluméria, tem flores cerosas exibindo pétalas levemente sobrepostas e torcidas como as pás de uma hélice. A essencia almiscarada intensa a que suas flores rescendem, que conpensa em várias espécies a falta de néctar e lembra o aroma, de laranja, de pessego, de jamin ou de gardenia.
Plumeria possue seiva leitosa,e o contato com ela pode irritar os olhos e a pele.  Flores da Plumeria  são mais perfumadas à noite, a fim de atrair mariposas para a polinização. As flores não têm néctar, e simplesmente enganam seus polinizadores. As mariposas, inadvertidamente, polinizam através da transferência de pólen de flor em flor em busca infrutífera do néctar. 
Nome Popular: Jasmim-manga, frangipane, árvore-pagode, plumélia, jasmim-de-são-josé, jasmim-do-pará,


MANACÁ DA SERRA (Tibouchina mutabilis)
Pertence ao mesmo gênero da quaresmeira (Tibouchina granulosa) . Pode atingir de 2 até 15 m de altura. Possui flores brancas e rosas o que lhe proporciona uma floração espetacular. A flor de centro branco e pétalas azuis muda de cor após fecundada. Floresce durante a primavera e o verão, entre novembro e fevereiro, com belas floradas com flores que variam do branco ao lilás colorem a paisagem regional do final do ano.
A variação na coloração das flores é decorrente do amadurecimento diferencial das partes masculina e feminina, sendo as brancas, recém abertas, funcionalmente femininas (recebem pólen de fora) e as roxas ou lilases são as flores velhas, masculinas, liberando pólen.
A multiplicação também pode ser feita por estacas. Devido ao porte alto e sistema radicular não agressivo, é muito usada como ornamental em jardins e ainda na arborização urbana, não interferindo em fios e tão pouco danificando as calçadas.


QUARESMEIRA  (Tibouchina granulosa)
É uma árvore brasileira pioneira, da Mata Atlântica.  Seu nome popular é devido à cor das flores e época de floração: entre os meses de janeiro e abril, e também em junho-agosto. Além da variedade com flores roxas há a de flores rosadas
Árvore de 8 a 12 m de altura  Apresenta folhas o ano inteiro. As  folhas são lanceoladas, pilosas, verde-escuras, rijas, com nervuras nítidas longitudinais e paralelas.
A semente é minúscula: 1 kg contém mais de 3 milhões de unidades. A dispersão é feita pelo vento e a taxa de germinação é baixa.
Por ser planta rústica suporta clima seco e quente, e solos pobres.. É considerada por especialistas a Tibouchina mais fácil de ser cultivada.


ASTRAPÉIA - : Dombeya wallichii
Nome Popular:, Flor-de-abelha,flor de mel
A astrapéia é uma arvoreta ou arbusto de ótimas características ornamentais, que se espalhou pelo mundo por sua exuberância e popularidade. Ela apresenta ramos pubescentes, e porte pequeno para uma árvore, alcançando cerca de 2 a 5 metros de altura. As folhas são grandes, cordiformes, perenes, de cor verde brilhante e pubescentes na página inferior. As inflorescências surgem no outono e inverno, e são umbeliformes, sustentadas por longos pedúnculos, pendentes, globosas e com numerosas flores de cor rosa a avermelhada, ricas em néctar e delicadamente perfumadas. Produz frutos do tipo cápsula, que se dividem em cinco partes.
As inflorescências pendentes atraem muitas abelhas e possuem perfume agradável e suave, que lembra o mel. As flores velhas permanecem nos ramos, adquirindo uma cor amarronzada e devem ser removidas para um melhor aspecto da planta. Podem ser usadas como decoração Além disso essas flores velhas podem desprender um odor desagradável e atrair moscas. Com podas regulares de formação, é capaz de adquirir porte e formato arbustivo.



DENTE DE LEÃO -  – Taraxacum officinale

 É uma planta herbácea perene, também conhecida como taráxaco, de procedência europeia, contém uma roseta basilar de folhas verdes. Toda a planta é percorrida por laticíferos (células) que produzem e contêm um látex branco (não tóxico). Apresenta folhas compridas e dentadas ou picotadas.
Constitui um excelente alimento e remédio (um dos melhores para o fígado e vesícula biliar), podendo ser usado em saladas cruas e em refogado, fonte vegetal de iodo, vitamina C, contém mais vitamina A do que as cenouras, além de outros minerais (como potássio e zinco) e vitaminas.


PAINEIRAS
É uma árvore com até vinte metros de altura, tronco cinzento-esverdeado com fortes acúleos rombudos, muito afiados nos ramos mais jovens.
O tronco das paineiras tem boa capacidade de sintetizar clorofila (fazer fotossíntese) e tem coloração esverdeada até quando tem um bom porte; isto auxilia o crescimento mesmo quando a árvore está despida de folhas; é comum, também, paineiras apresentarem uma espécie de alargamento na base do caule, daí o apelido "barriguda".
As folhas são compostas palmadas e caem na época da floração. As flores são grandes, com cinco pétalas rosadas com pintas vermelhas e bordas brancas. Há uma variedade menos comum, com flores brancas.
Seus órgãos reprodutivos encontram-se unidos em um longo androginóforo.
Os frutos são cápsulas verdes, que, quando maduras, rebentam (deiscentes), expondo as sementes envoltas em fibras finas e brancas que auxiliam na flutuação e que são chamadas paina.
A árvore dá  sua contribuição à natureza hospedando os passarinhos. Esta não é uma regra para todas as paineiras; algumas paineiras com mais de vinte metros, por exemplo, continuam com espinhos muito grandes na parte baixa, provavelmente como defesa de insetos do local.
A paina é uma fibra fina e sedosa, mas pouco resistente, não sendo muito aproveitada na confecção de tecidos, mas mais como preenchimento de travesseiros e brinquedos de pelúcia. Uma grande paineira pode deixar um tapete branco de paina caída aos seus pés no final da época de frutificação.
Especialmente por suas qualidades ornamentais — tronco imponente, normalmente bastante espinhosos quando a árvore é jovem, folhagem quase sempre decídua, de um verde muito brilhante, flores grandes e coloridas e frutos que expõem as painas como flocos de algodão em seus ramos —, as paineiras são cultivadas em meio urbano e em jardins, mesmo fora da sua área de ocorrência natural

 

MARGARIDA
A margarida, aquela com “miolinho” amarelo e lindas “pétalas” brancas,   éuma das flores mais populares de nossos jardins, pertencente à família Asteraceae, e, portanto, parente dos girassóis, crisântemos, entre outras, não é uma só flor, mas a reunião de muitas flores.
Examine-a. Você verá que há ali reunidas dois tipos de flores: umas formam o miolo amarelo, enquanto as outras formam a borda esbranquiçada.

Essas flores têm funções biológicas importantes quando unidas, como a de produzir néctar, atrair polinizadores, além de gerar e receber pólen. Para isso, se dividem para desempenhar essas diversas “tarefas”. Muitas começam a desabrochar das extremidades em direção ao centro, assim, enquanto as flores da periferia estão na fase feminina – durante a qual são capazes de receber pólen -, as flores mais centrais estão na fase masculina – na qual liberam seu próprio pólen. Quando muitas flores estão assim reunidas, chamamos de inflorescência.
As folhas brancas que protegem o miolo são brácteas,não pétalas.  
A margarida, assim como os crisântemos e girassóis, são uma reunião de pequenas flores que se desenvolvem de forma diferente! Isto é são INFLORESCÊNCIAS.

6 comentários:

Célia disse...

Olá, Neuza! Sentia saudades de suas produções! Maravilha essa aula de botânica que gratuitamente você nos oferece! Apesar da "loucura" do tempo... é Primavera! Que ela brote também em nossos corações! Abraço, Célia.

♥ Fernanda disse...

não consigo definir qual a mais bela...

Carla Sarmento disse...

Olá Vovó Neuza,

Eu moro em Buenos Aires e aqui a primavera chega no dia 21/09 e é comemorada com festa. Todas as pessoas vão para as praças e parques...foi um dia muito lindo.
Adoro o Manacá da Serra...perfeição!!

Um abraço,
Carla

Leti Abreu disse...

No RS, principalmente no interior, ainda há as belas margaridas em quase todos os jardins. Se espalham sem dificuldade, alegrando muitos jardins.

Priscilla Castro disse...

A ÁRVORE que eu mais amo no mundo é o IpÊ Amarelo!!!!!
lindo demais!!!

Oliani de Almeida disse...

adorei ! visite o meu também http://frutosdeumavida.blogspot.com/