segunda-feira, 25 de março de 2013

UM FIM DE SEMANA MUSICAL POR EXCELÊNCIA


Duas situações musicais diferentes mas ambas oferecendo música de primeira linha

23 DE MARÇO – Teatro Municipal -  Orquestra Sinfônica Municipal – Teatro lotado
Apresentação formal com músicos de fraque e fisionomias concentradas.

Na programação Rachmaninov

Regencia John Neshling

Solo de piano – Arnaldo Cohen

Apresentação formal com músicos de fraque  e fisionomias concentradas.

Não poderia deixar de ir ao Municipal com esse programa. Era um ingresso para 20h mas mesmo assim fui.
Rachmaninov é um dos meus preferidos. Nunca me esqueci ( e nem ela) de que  o fundo musical para o casamento Jurema-Oscar foi o Adágio do Concerto nº 2 e Rachmaninov.. O casamento civil foi em casa e pude escolher e providenciar a música.
John Neshling é minha esperança no futuro do Teatro Municipal
Armaldo Cohen dispensa comentários maiores. Acomanho sua carreio ao longo do tempo.Não posso dizer que vi seus cabelos embranquecerem como os meus (eles não estão tão brancos assim) mas sempre que pude fui ouvi-lo.  O currículo dele no programa dispensa comentários.
A execução desta noite, 23 de março foi..................nem tenho palavras. Vibrei e me emocionei  tempo todo . Nos fortes, fortíssimos, no adágio delicado Pelo que conheço de música e de mim mesma digo com letras grande  GOSTEI, GOSTEI, ME EMOCIONEI, CURTI.

Acho que o publico também porque as ovações foram repetidas e um dos bis de Arnaldo Cohen foi a Valsa do Minuto de Chopin onde o artista mostra toda sua técnica e interpretação.

Tudo contribuiu para que a noite fosse perfeita: o ambiente de um teatro que  eu gosto, tenho uma ligação afetiva muito forte;Visual, acústica, performances de regente e solista formaram um todo especial.

Para mim, melhor não poderia ser. E então, fiz o que tenho feito quase sempre: se uma parte do programa é excepcional vou embora. A segunda não pode ser melhor do que o supremo. Fico com a música fazendo parte de mim um tempo maior, sem interferência de outra.

Minha angustia vem de saber o que estou ouvindo é finito. Queria segurar o tempo, mas não posso. E me rendo a ele quando a música termina. Não há reprise. Aquele momento foi único: para mim, para o executante, para a orquestra.
Nem senti o caminho de volta e sozinha, dentro de um ônibus barulhento só consegui ouvi esse  belo concerto, ainda impressionando minha emoção


24 DE MARÇO – Museu da Casa Brasileira
OCAM – Orquestra de Câmara da USP.

Ambiente em tudo diferente de ontem: fundos da casa dos Silva Prado, plateia e palco montados no dia e em um plano só, músicos ensaiando junto com os primeiros ouvintes que chegavam, pianista lá mesmo a  poucos metros dos  ouvintes, dando os últimos retoques na sua participação; nenhuma acústica especial, até com helicópteros passando algumas vezes durante o concerto; choro e balbuciar de crianças; jardim de fundo (em reforma agora) ampliando o ambiente.

Músicos  em trajes informais.

Programa -  Uma suíte de Guerra Peixe, uma Sinfonietta de Villa-Lobos para mim só para esperar o Concerto de Grieg . Sempre associo os Concertos de Rachmaninov e o de Grieg. O que eles tem em comum? Não tenho a menor ideia.

Solista – Eduardo Monteiro

Maestro  - Gil Jardim  entusiasta, com expressões corporais e faciais  participantes da música. Simpatia contagiante.

Sempre que posso vou a concertos de Eduardo Monteiro. Não entendo de música tanto quanto gostaria, mas não vejo muita diferença entre o badalado Arnaldo Cohen com um currículo de virar página e Eduardo Monteiro mais simples, sem currículo de virar página, mas dedicado ao ensino. E uma  simpatia muito especial.  Detalhes? Não são significativos para mim. Vale a energia e emoção como que o pianista interpreta. E acho que os dois foram bons. Sem comparações. Cada um no seu estilo 

Manhã completa de sons e emoções. A um metro do pianista pude acompanhar suas expressões fisionômicas e sentir a energia maior nos fortes, fortíssimos e a delicadeza dos lentos do adágio. Uma “cadenza” muito especial.

Uma única foto porque não quis tirar nem a minha concentração nem a dele e deixei para os últimos acordes o registro do concerto. 

Gostaria de ter pedido a ele que no bis tocasse a adaptação pianística do Prelúdio e Morte do amor de Tristão e Isolda de Wagner. Na sua interpretação soa mais do que maravilhosa.
Não tive oportunidade. Posso repetir:  GOSTEI, GOSTEI, ME EMOCIONEI, CURTI.

Como o concerto do Teatro Municipal foi repetido também no domingo 24 às 11horas, exatamente no horário do concerto do Museu da Casa Brasileira, fico imaginando quanto o espaço musical da cidade estava  carregado da musicalidade dos dois concertos.



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