sexta-feira, 9 de maio de 2014

LEITURA NAS ALTURAS – UM PROJETO MUITO ESPECIAL QUE NÃO TEVE CONTINUIDADE

Ao lançar em 2005 o Projeto “Leitura nas Alturas” o SESC Carmo pretendeu promover a leitura de livros indicados para a FUVEST com a complementação de palestras com especialistas. O projeto se desenvolveu nos alôs do prédio Martinelli, mais precisamente no seu terraço.  O objetivo maior era despertar o interesse pela literatura de uma forma lúdica, menos impositiva.

Paralelamente, conhecer o espaço onde se desenvolve o projeto – o edifício Martinelli - também é cultura.

Com a possibilidade de andar por esses terraços, a minha imaginação voou  com a visão do protagonista  da história de Marcos Rey, um ativista político da época da ditadura que se esconde dentro do edifício vazio e  que sobe a pé os 26 andares para tomar, nu em pelo, seus banhos nas chuvas mais fortes.

Antes do inicio do encontro de leitura, andei pelos terraços.  São amplo, muito largo entre as construções e o parapeito e deve ter sido palco de muitos amores, muitos dramas.  Gente bonita, rica, culta, convivendo sobre uma cidade em efervescência, só podia ser protagonista de histórias e histórias.
Os terraços do Martinelli

Olhar desse terraço dá uma ideia de um pedacinho da cidade que vale a pena ver e resgatar porque estaremos recontando a história de São Paulo.

Embora perdendo a posição de mais alto, o Martinelli continua imponente por ocupar um espaço em pleno planalto. De seus terraços se vê parte do centro e os limites geográficos da cidade: a Serra da Mantiqueira e o Pico do Jaraguá.

Ao seu lado, o novo prédio do Santander (antes Banespa) todo preto e redondo, numa arquitetura moderna e já com seu heliporto indispensável. Um heliporto privativo “adornado” por cavaletes para indicar que só podem pousar helicópteros autorizados.

Também ao seu lado os outros edifícios que compõe a “paisagem” dos  três gigantes  centrais de São Paulo: Martinelli, Banco do Brasil e Altino Arantes (Banespa como é conhecido ainda)

Ainda do terraço, uma rua comprida e estreita chama a atenção – a rua de São Bento mostrando bem o seu traçado antigo, dos primeiros tempos da cidade, quando ligava o Mosteiro de São Bento ao Largo de São Francisco , sua Igreja e os  franciscanos.
Visão também da igreja de Santo Antonio na Praça do Patriarca.

Que mais?  A Bolsa do Café e seu Largo, uma parte da Secretaria da Fazenda na Av. Rangel Pestana, o parque Dom Pedro II com seus viadutos e cruzamentos substituindo uma Várzea do Carmo anterior.

Mais ao longe o Edifício São Vito ,  uma favela vertical.

A cúpula da Catedral e o Palácio da Justiça podem ser identificados.  Um pedaço moderno de São Paulo: Edifício do Metrô e um testemunho dos primeiro anos da cidade, o Mosteiro de São Bento.

Com boa visão está o Edifício Mirante do Vale, o mais alto da cidade que nem é conhecido porque erguido em um espaço mais baixo foi engolido pelos que estão em situação mais elevada.

Belíssima visão do Vale do Anhangabaú, no momento em que ele cruza a Avenida São João e que em sua última urbanização prestigiou pedestres, com calçadão, fontes, água jorrando para  refrescar a aridez de uma cidade em constante vai e vem de trabalho.

Visão da comprida Avenida São João até onde a vista alcança, em direção ao oeste da cidade.

Ao longe, em um cantinho o Mercado Municipal, a torre da Estação Julio Prestes.


Uma pausa para digerir e assimilar essa over-dose de história da cidade – vamos para a `”LEITURA NAS ALTURAS”, a aventura de LER NAS ALTURAS..

Primeiro  encontro foi no dia 6 de outubro de 2005, das 14h às 19h. Não há hora para se chegar e pode-se sair quando quiser. O ideal foi ficar do principio ao fim. O primeiro livro escolhido foi A Hora da Estrela de Clarice  de Lispector.Os seguintes serão Macunaíma de Mario de Andrade; Sagarana de Guimarães Rosa; Memórias de um Sargento de Milícias de Manuel Antonio de Almeida e Memórias Póstumas de  Brás Cubas  de Machado de Assis.

Com uma palestra inicial com um especialista sobre a obra do dia, um grupo de teatro lê partes (ou o livro inteiro) podendo ter a participação dos ouvintes. Ddurante cinco horas o prazer da leitura  e a cultura aumentando.
Um projeto pra lá de bom, motiva, incentiva conhecimentos, contribui para a cultura,mas que só ficou  nesse primeiro e único.
Porque o SESC não o retoma?
Paralelamente leia o livro O ÚLTIMO MAMÍFERO DO MARTINELLI de Marcos Rey

Na sequencia  leia o texto sobre o Martinelli

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