segunda-feira, 13 de outubro de 2014

LUGARES ESQUECIDOS OU DESCONHECIDOS DE SÃO PAULO


1. Museu do Theatro Municipal
"O acervo do museu é composto por livros, documentos, fotos, material audiovisual e recortes de jornais. Fica embaixo do viaduto do Chá e é aberto à consulta pública. É um importante local de pesquisa para os que buscam conhecer melhor a vida cultural da cidade."R. Formosa, s/nº, Centro, região central, São Paulo, tel. 00/xx/11/3241-3815.
Em 2014 – MUSEU FECHADO ???????? Onde está agora?



2. Estátua de Giuseppe Verdi
Instalado no Vale do Anhangabaú, na escada de saída para a Rua Libero Badaró, altura do número 346, Centro, região central, São Paulo, o monumento a Giuseppe Verdi homenageia o ilustre compositor italiano, autor das óperas consideradas as mais populares do mundo. Inaugurado em 1921, o monumento foi feito pelo italiano Amadeo Zani.
Peça – Bronze (5,23m x 3,08m x 2,94m), Pedestal – Granito (1,50m x 2,20m x 2,12m
"A escultura é tão grande que foi difícil encontrar um lugar adequado, após ela ter sido retirada da Praça do Correio. Agora, dá visibilidade ao edifício Sampaio Moreira, o avô dos arranha-céus paulistanos."





3. "Homem Aramado"
A obra 'Homem Aramado', em frente ao prédio da Gazeta à direita, está totalmente misturado às grades do edifício onde fica. A peça perdeu sua individualidade. Algumas pessoas dizem que é uma metáfora da avenida, que aprisionou o humano no concreto e no ferro que moldam a cidade."
Av. Paulista, 925, Bela Vista, região central, São Paulo
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A maior aberração é que está dividido em dois porque a grade que o banco colocou mostra a escultura de lado.Para “perceber” a escultura é preciso se contorcer entre as grades.
O "Homem Aramado", é uma peça que mostra uma silhueta vazada num bloco de concreto trespassada por uma grade de ferro. A perda dos dados sobre as obras não as despe, porém, de significados.


O Homem aramado – localização na Paulista


4- "O Tempo"
Jorge Americano no seu livro” São Paulo Atual -1935 – 1962”
"Na parede do cemitério do Araçá, há um nicho cujo oco assenta uma escultura de granito. É um velho impassível, sereno e forte, de barba longa, segurando uma ampulheta, como se prometesse serenidade e paz no repouso final. Ao seu lado fica uma coruja." R. Major Natanael, altura do nº 173, Pacaembu, região central, São Paulo.



A Avenida Dr. Arnaldo é o meu caminho de quase todo dia e passo pela rua citada por Jorge Americano que continua com o mesmo nome (só a grafia de Nataniel mudou para Natanael), mas a escultura, nunca   tinha visto. Porque não fica no caminho do ônibus. A Rua Major Natanael é uma rua em grande declive, os carros passam em velocidade de subida, mas seus condutores não viram a cabeça para olhar á sua direita. Acham que é só um muro de cemitério. Mas tem nichos.

Curiosidade me levou até o local e achei dentro de um nicho, uma escultura descuidada, abandonada. Não chama a atenção nem de passantes nem de “rodantes”.
 A identificação do artista não tinha ou já sumiu.

A pesquisa me levou ao escultor – João Batista Ferri –Consegui saber que a escultura foi comprada pelo prefeito Prestes Maia para a prefeitura da cidade de São Paulo em 1938.

Outra escultura de João Batista Ferri é o Índio Caçador


 Encomendada e realizada em 1939, o ”Índio Caçador” fica sobre um pedestal de 1,20 metros de altura e, retrata em bronze, o índio durante a caça, atividade considerada essencial dentre os costumes indígenas. - escultura em bronze 1,32 x 0,89 x 1,95, Pedestal – Granito 1,20m x 1,10m x 2,20m Fica na Av. Vieira de Carvalho em frente à Praça da República.

Complementação com as informações obtidas no Blog Versão Paulo de Paula Janovitch:

Soube pelo texto da socióloga Fátima Antunes do  Departamento de Patrimônio Histórico que ele se chama oficialmente TEMPO. Foi implantado ali na rua Major Natanael num nicho do Cemitério do Araçá em 1945 na gestão de Prestes Maia. O autor da escultura é o artista João Batista Ferri (1896-1978). E que em outros dois nichos ali existentes a ideia era implantar mais duas esculturas que fariam em composição com o cemitério uma reflexão sobre a “meditação dos homens sobre a transitoriedade dos seus dias.” (Correio da Manhã, 8/out/1945)

 



Os dois outros nichos estão vazios até hoje como se dali tivessem sido arrancadas as companheiras do Tempo, algo que de fato nunca aconteceu. Mas o meu amigo Tempo permanece ali firme e forte. Por vezes passo por lá e  esta limpinho como novo. Penso que devem ser os banhos que a Prefeitura dá. Outras, e estas são muitas mesmo, me divirto com a forma como outras pessoas interagem com ele. Já vi o Tempo, que eu chamo de Cronos, Amigão, Corujão e Moisés, vestido de mulher, com guarda-chuva, unhas pintadas de preto e até com as tradicionais flores e velas dos trabalhos de macumba.

 
Tempo: detalhe das  unhas pintadas de preto




Talvez tenha gente de opinião que estas intervenções humanas no monumento sejam simplesmente degradar mais ainda a paisagem visual da cidade. Porém, olhando os dias, o percurso das pessoas, penso que isto é muito relativo quando a tal  intervenção  cumpre  esta função tão interessante e prazerosa de integrar a cidade na nossa vida e vice-versa.

Que a Prefeitura continue a cuidar de dar banho no Tempo e preservar sua pele natural. Porém é muito bom saber que meu amigo não esta só ali no único nicho ocupado, mas que outras tantas pessoas se sensibilizam das formas mais diversas com sua presença e continuam a acolhê-lo  como parte da história de cada um pela cidade e porque não da transitoriedade dos nossos dias aqui na Terra.


Fátima Antunes, Departamento de Patrimônio Histórico, texto sobre a obra Tempo, Março de 2009

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