sexta-feira, 24 de outubro de 2014

DE SÃO PAULO - O VELHO E O NOVO CONVIVENDO


Em um terreno de uma quadra na avenida Brigadeiro Faria Lima, área de localização privilegiada em São Paulo, um imponente edifício espelhado coexiste harmonicamente com uma casinha branca que retrata o estilo rural das obras paulistas do período colonial. 

Para não obstruir a vista do imóvel tombado (em 1982, pelo Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, e em 1992, pelo DPH - Departamento do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura)-  um novo edifício foi projetado em forma de “U” invertido, com um vão livre central de 44,4 metros. Seu revestimento em vidro espelhado reflete e multiplica as imagens do antigo casarão entre árvores e arbustos.



Localização Casa Bandeirista restaurada e Torre Victor Malzoni entre as ruas Horácio Lafer e Aspásia.

A Casa Bandeirista
Construído no final do século 18, o imóvel restaurado é um dos exemplares remanescentes do Ciclo Bandeirista na capital - e apresenta as mesmas características arquitetônicas das sedes de fazenda que ocupavam o planalto paulista na época.
A estrutura é em taipa de pilão, caiada de branco, com planta simples de distribuição simétrica, fachada com alpendre central ladeado por quarto de hóspedes e capela, salão central e quatro ambientes laterais, dois de cada lado, com jiraus para armazenamento da colheita. À construção, foram acrescentadas a cozinha e a despensa apenas no século 19.

Planta básica da Casa Bandeirista

Serviu de moradia a diferentes famílias de fazendeiros, foi ocupado pelo general José Vieira Couto de Magalhães e por seus descendentes. No início do século XX, por sua vez, foi vendido e transformado em um sanatório psiquiátrico.

Na década de 1970, a casa e seu terreno de 19 mil m² - um retângulo formado pelas ruas Iguatemi, Aspásia, e avenidas Horácio Láfer e Nova Faria Lima -, foram adquiridos pelo investidor Naji Nahas, que pretendia implantar um megaempreendimento no local. Enquanto se definia o projeto, a área foi utilizada como estacionamento e a Casa Bandeirista permaneceu sem uso.

Abandonada, seu telhado logo ruiu, e sob a ação das chuvas, as grossas paredes de taipa de pilão entraram em colapso. Então, foi tombada.

Casa Bandeirista antes da restauração

A primeira fase da obra de recuperação foi iniciada em meados de 2007, com a casa já em ruínas. Em 2009, houve um embargo, mas grande parte da restauração já tinha sido feita.


Casa Banderista restaurada

Hoje, encravada em uma das áreas de comércio e serviços mais caras e sofisticadas da capital paulista, a Casa Bandeirista do Itaim, agora restaurada, destaca-se ao lado das vistosas fachadas de vidro espelhado da torre. O contraste evidente não agride a valiosa relíquia do século 18, sede do antigo Sítio Itahim, que deu nome


A Torre Brookfield-Malzoni - Pátio Victor Malzoni
O novo edifício foi projetado em forma de “U” invertido, com um vão livre central de 44,4 metros ocupa um terreno de 34 mil m2 na Av. Faria Lima (entre as ruas Horácio Lafer e Aspásia) que foi vendido aos incorporadores por pouco mais de R$ 600 milhões em 2011, na maior transação do tipo registrada na cidade, tanto no valor total quanto no preço do metro quadrado, que passou de R$ 17.600. Hoje, o local conhecido como Pátio Victor Malzoni é o endereço comercial mais caro da metrópole.O terreno ocupa uma quadra inteira, e os recuos são maiores que o mínimo exigido. O prédio foi erguido mais próximo à avenida Faria Lima, com a entrada apenas por essa via. A face oposta do edifício tem um recuo maior, que foi aproveitado como jardim.
E o empreendimento ainda tem mais um recorde: possui a maior laje do Brasil, com 5 mil m2.


São 34 mil m2 de vidros de alto desempenho, que controlam a passagem ideal de luz e calor.
A obra já ficou pronta. São duas torres de 19 andares e, no meio, outra com 11 pavimentos. No total, o prédio tem 70 mil m2 de área construída, onde irá abrigar empresas como o Google, o Banco da China e o brasileiro BTG.
O vão livre do Pátio Victor Malzoni, endereço
comercial mais caro de São Paulo tem até estacionamento para helicópteros. Ao fundo a casa bandeirista restaurada.

O empreendimento obteve o habite-se neste mês de julho de 2014
O prédio tem a maior laje corporativa para locação das principais regiões de São Paulo. Em valores atualizados, o aluguel médio é de R$ 200 por m2.
O prédio terá inovações como funcionamento 24 horas, inclusive dos restaurantes que atenderão ao Google, ao BTG e ao BVA. Mais de 200 das 2,5 mil vagas de garagem terão tomada para carro elétrico. A maior parte das recepcionistas será bilíngue, e algumas, trilíngues, para atender à demanda do Banco da China. Na área externa, será instalado restaurante Fasano de 500 m2 e outro cuja marca ainda não foi definida. Um heliporto com capacidade para dois helicópteros está em processo de aprovação.
A Casa Bandeirista construída no terreno foi preservada e reconstituída, e será destinada ao funcionamento de um centro cultural.
O Google vai ocupar a cobertura da torre central e dois andares das torres B e C. Para atender à necessidade da empresa de tecnologia, foram desenvolvidas inovações no prédio nos elevadores e entrada de ar-condicionado, que permitirão que aos seus colaboradores levarem cachorros e gatos para o trabalho.  (?????). Conforme uma fonte, a sede do Google na América Latina terá características como parede de escalada para atividades físicas dos funcionários.
Isto é São Paulo hoje.



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