terça-feira, 8 de novembro de 2016

"MEU" OUTUBRO DE 2016

Hesitei muito em publicar este texto porque é muito pessoal. Mas, como sempre afirmei, desde 2008 quando comecei a postar meus textos, meu blog é uma colcha de retalhos. Escrevo sobre coisas pessoais, sobre histórias de minha cidade, resgate de minhas memórias, meus pensamentos, minhas considerações sobre  fatos, meus comentário vários. Assim resolvi que  a publicaão deste texto estava dentro do que me  propunha e é um jeito de  participar  minha vida  com meus leitores.  E aqui vai o texto
“MEU”OUTUBRO DE 2016 – UM MÊS DE MUITAS NOVIDADES
Este outubro foi realmente “recheado” de coisas diferentes em minha vida. Além, das minhas rotinas pessoais que incluem ler jornal junto com o café da manhã, fazera minha própria fisioterapia especifica, dar uma geral na casa (louça, roupa, chão, comida…)  os compromissos de trabalho com os Encontros semanais no HU, frequentar os Encontros Culturais do Terron, ir ao CIEE nas quintas para palestras sobre a História de São Paulo, compromissos sociais necessários e prazerosos (almoço comemorativo dos 10 anos de Encontros Culturais, pizzada tradicional), que me tomam tempo de pesquisa e estudo, com contrapontos de tricô e leituras atuais, ainda  novos acontecimentos fizeram parte de minha vida.
Começou até um pouco antes de outubro, quando já em agosto recebi um convite de participação de um evento sobre documentos da USP, no Arquivo do Estado de São Paulo. E, o convite incluiu a minha atuação como mediadora nesse evento.  Eu nunca exerci esse papel, nem tinha muita ideia de como seria. Então, durante cerca de um mês estudei muito, pesquisei sobre os participantes na fala dos quais eu devia intervir com complementações ou mais dados que eles por modéstia não tinham exposto.  Fiz o que não me foi pedido e montei uns mini pôsteres de alguns dos primeiros professores que foram contratados e que foram meus professores. O arquivo os exibiu em uma vitrine que ficou no saguão à vista de todos.
Mas, tudo para mim era novidade, desconhecido e dependia da minha improvisação. Parece que deu certo, tenho tudo relatado para meu acervo e os comentários foram positivos
De qualquer forma, exercer uma ação nova aos 86 anos dá um certo orgulho, aumenta a autoestima e me dá mais uma ‘profissão” – mediadora em eventos. Sou capaz de assumir.

E em 11 de outubro estive na rádio CBN para uma entrevista gravada sobre idosos de modo geral, quando pude expor minhas ideias atuais, fruto de muita experiência e principalmente vivência.  Acho que ainda nem foi para o ar e não sei como me saí. Mas, de qualquer forma foi uma atividade fora da rotina, de responsabilidade porque muita gente ouve e as mensagens precisam ser consistentes em firmeza e conteúdo.

No dia 22, encontrei o   pessoal do Páteo do Colégio, aqueles colecionadores de discos antigos (alguns tem quase 3 mil discos entre 78rpm e long plays) que se reúnem naquele espaço há 40 anos. Todos velhinhos, mas alegres com o reencontro. Milton, o mais jovem deles junto com o   Paulo Yabuti, o mais velho e ativo do grupo, montaram o que se chamou ‘PASSATEMPO MUSICAL” uma espécie de programa de calouros com perguntas e sons programados para serem respondidos em todos os detalhes. Respostas certas valiam pontos que são somando para uma classificação. E até o quinto colocado há prêmios em livros, vinhos, discos antigos. Durou das 15h até 20h, quando cada um retomou sua vida. Reunião diferente. Foi muito bonito ver os “velhinhos” vibrarem quando respondiam certo, recebiam pontos e aplauso de todos.

No dia 23, um domingo passei a tarde e até mais de 21h trabalhando em material dos Encontros. Trabalho extra que eu inventei. Como perderei 3 encontros por conta de feriados que caem na quarta feira, tive que fazer arranjos e o Tema Fotografia ficou sozinho. Como o achei pequeno para 15 dias de folga das participantes (por conta do feriado do dia 2 de novembro), juntei a ele um tema que inclui neste semestre: Atividades Culturais – Artes Visuais, Música e Literatura. Como não tinha ainda montado textos de apoio para esse tema, tive que montá-los com pressa para mandar para Ana Lucia (o meu contato com o HU) imprimir para a distribuição ser no dia 26 e assim as meninas terem trabalho nos 15 dias seguintes.  Não contava com mais esse trabalho “trabalhoso” porque edição de grandes materiais não é fácil.

No dia 27, dia do Grupo de Leitura da Academia Paulista de Letras compareci com minha amiga Jolanda embora   o evento ocorra no centro da cidade (largo do Arouche) e às 19h, não de tão fácil acesso. Mas, o livro a ser comentado era A Metamorfose de Franz Kafka, leitura obrigatória e comentado e explicado “n” vezes por escritores e críticos. Todos concordam que é uma metáfora, dão explicações sociológicas, psicológicas, psicanalíticas, e mutatis mutantis, as palestras são bem parecidas. Não há grandes divergências e o que mais há são detalhes e explicações pessoais.
E aí eu entro muito enxerida. 
Nas minhas várias leituras em edições diferentes, nunca pude deixar de lê-lo dominada pela minha formação biológica. Assim quando Gregor Samsa acorda como um “inseto monstruoso”, esse inseto sempre foi uma “barata” e conhecendo a morfologia desse inseto é muito mais completa a minha compreensão do que ele sentia nessa situação. Consegui listar 36 parágrafos do livro em que a condição de “barata” é provada. E até levei umas imagens explicativas.
Nem sei como tive coragem de intervir e expor meu ponto de vista em uma comunidade de acadêmicos, todos literatos e com cultura saindo pelo ladrão. Mas aprendi a expor minhas opiniões, tenho segurança e perdi (acho que até demais) a minha antiga timidez.
Não sei se gostaram muito, mas o produtor cultural pediu o texto para mandar a todos.  Gostaria de ser uma mosquinha para ouvir os comentários de cada um. O quanto devem ter me gozado. Não importa. Participei. Compartilhei o que sabia sobre insetos, testei a minha cognição e capacidade de expressão e atuei em outro ambiente que não o meu, o que foi mais uma coisa nova na minha vida.

E no dia 29, outra coisa completamente diferente na minha vida. Com preparo no dia 28 em que durante duas horas provei roupas para escolha adequada, no sábado comecei o dia saindo daqui as 7h. Sempre alguém vem me buscar e depois me trazer. Não sei se é o critério ou fazem isso porque sou uma “velhinha” e preciso de mais cuidados.
Estava então por conta da produção da O2 –Cinema para gravação de imagens. Para uma vinheta? Para um pedaço de alguma coisa televisiva com certeza. Com um estacionamento fechado na rua Libero Badaró toda a equipe a postos e trabalhando. Umas 50 pessoas, equipamentos mil, material diversificado, camareira, maquiadora...
Café da manhã farto, servido para todos.
Roupas trocadas e saída dos participantes para o ponto entre final (ou começo) do Viaduto do Chá, rua Libero Badaró onde ela limita com a Praça do Patriarca e todo o espaço em frente à Prefeitura. Equipamento montado e acessado pelos técnicos, direção de Quico Meireles e assistentes, eu estava lá no meio e só então me foi dito qual era meu papel. Eu atuaria como uma senhora idosa que está nesse ponto, testemunha a colisão de um carro em um poste, se assusta…Cena do carro no poste já tinha sido filmada e o barulho da batida é gravada em separado.
Em outras tomadas eu devo atravessar a rua. Espero o sinal abrir, com cuidado olhando para os lados, e um cavalheiro me oferece o braço como ajuda. E vamos atravessando seguindo as marcações no chão. Cenas intermediarias que serão mescladas, o cavalheiro me abandona no meio da rua e eu me apavoro. Não sei se fiz bem a cara de idosa apavorada.
Repetimos como sempre, mais de uma dezena de vezes a mesma cena. Ainda bem que o cavalheiro em questão era nada menos do que o super ator global TONY RAMOS. Paciente, me dava as dicas com grande classe. Nos intervalos conversamos bem.
Imagine um sábado pelas 11h, meio dia, os transeuntes passando em grande número, transito sendo parado no momento certo da gravação, fãs agitadas por passar pelo seu galã de telenovela…Fitas amarelas e pretas, características, tem que delimitar o espaço.
Só quem participa avalia o trabalho perfeito de equipe para um tempo limitado depois da edição.
E essa brincadeira foi até depois das 13h quando enfrentamos um transito paulistano mesmo para voltar ao estacionamento. Eu e Tony trocamos muitas conversas interessantes sobre as vidas de cada um de nós. Assunto sempre há.
14h o almoço nos espera. Cada um que vai chegando vai se servindo de uma mesa farta e é um momento de comentários sobre as atividades.
Minha parte foi encerrada, troquei a roupa da cena pelas minhas e fui trazida para casa às 15 horas
Acho que fui um pouco mais do que figurante, mas o cachê desta vez foi pequeno. Sempre ajuda
Não importa. Me diverti, fiz coisas completamente diferentes do que estou acostumada, conheci muita gente em ambiente de trabalho especifico e muito qualificado e sempre aprendo coisas. Estive em uma parte de São Paulo que conheço bem, sei de suas histórias e reforcei-as ao conta-las.
O resto do sábado e o domingo foi de assimilação de tanta atividade e trabalhando a cabeça para compor este texto.
E ainda no dia 1 de novembro, um presente gentil do Eduardo Barros, um vídeo de divulgação do meu trabalho, gravado, editado e lançado por ele foi para o ar pelo o YouTube.
Este foi o final de setembro e o começo de novembro de minha vida. E o mês de outubro inteiro.  Com sete acontecimentos diferentes da minha rotina.
Às vezes tenho medo que o “motor”  funda.

Este texto é uma prestação de contas para mim mesma, uma maneira de me saber ainda íntegra e com bom pique, até mais do que tinha antes da cirurgia. Parece que subconscientemente estou resgatando o tempo meio ocioso da época.  Estou ansiosa por saber e principalmente compartilhar. Tudo que sei de bom passo para a frente. Atropelo os outros e me atropelo. Estou assim, porque estou saudável e estou saudável porque estou ativa. É um círculo vicioso e o segredo da minha qualidade de vida.
    
    

4 comentários:

Célia Rangel disse...

Ainda, dia desses pensava em você... Por onde andaria... O que estaria fazendo... Inventando... Agilizando... E, eis que leio um relatório fantástico de quem vive a vida e não vegeta! Parabéns, Neuza! Você nos dá exemplo em sendo proativa e amando o que faz. Isso é Vida!
Abraços,
Célia.

Melissa Machado disse...

Menina, fiquei encantada com você ao ouvir sua entrevista na CBN, culta, dinâmica e feliz! Também sou blogueira, compartilho minhas histórias de mãe e professora e quero muito chegar a sua idade, assim como vc!

Unknown disse...

Nossa fiquei encantada com sua entrevista na CBN .Tenho grupos de literatura,cinema,Teologiaque me fazem muito bem !Parabens!

Fabio Ramos disse...

Viva a vida, eis a tradução de tudo que lemos. Que bom que ainda exista pessoas vivas, nesse mundo de notícias tão negativas. Muito obrigado.