sábado, 15 de novembro de 2008

A LUZ - O BAIRRO, NÃO O FENOMENO FISICO

Vamos falar um pouco sobre a Luz, o bairro. Se eu conseguir motivar meus amigos a visitar esse pequeno pedaço de São Paulo, terei conseguido meu objetivo neste texto.

Sempre tive por principio conhecer os lugares onde trabalho ou estudo. Conhecendo-os aprendo a respeitá-los.

No ultimo mês trabalhei no Museu da Lingua Portuguesa com Karen numa oficina sobre Memórias de São Paulo e me envolvi com o bairro, com o que ele tem de especial.

O antigo campos do Guaré, terreno pantanoso dado a Domingos Luiz , o Carvoeiro, no século XVII, se transformou em um centro cultural que é preciso conhecer. Há nele expressões de Artes Plasticas, Literatura e Musica, as três vertentes culturais básicas
.

O maior, mais bonito,mais saudável e mais verde espaço é o Jardim da Luz. Com cerca de 80 mil m², fauna e flora riquissimas, foi o primeiro jardim publico de São Paulo. Hoje, com trilhas bem arrumadas, 49 esculturas modernas espalhadas por todo ele, é ponto de referência complementando em outra zona, o Parque Ibirapuera.

Dentro dele a Pinacoteca que já foi Liceu de Artes e Oficios "filha" de Ramos de Azevedo, a eterna inacabada. Não é de tijolo aparente como parece,mas de tijolos comuns que esperam acabamento que nunca virá. Nem deve vir. A descaracterizariam. Visite-a e entre as muitas e muitas coisa, conheça quadros enormes de Pedro Américo, Benedito Calixto, Almeida Junior....Vale à pena conhecer um pouco de arte, principalmente a arte brasileira.

A Estação Pinacoteca, também Ramos de Azevedo, hoje além de museu é o Memorial da Liberdade. Guarda em suas celas preservadas a memória sufocante das torturas da época de repressão.

O Museu de Arte Sacra guarda a maior coleção de arte religiosa do Brasil.

O mais recente museu, o da Lingua Portuguesa é especial. Preste atenção à árvore das palavras. E agora, o Machado que já deve estar consado de tanta homenagem está no saguão como exposição temporária. Todo o resto é maravilha.

A Estação da Luz, pequeno ponto de parada em 1860, é agora monumental. Depois do incendio de 1946 ganhou mais um andar e cuidada, mostra seu estilo vitoriano a que ninguem presta atenção. Os detalhes de suas torres requerem olhar demorado e sensivel para avaliar sua riqueza. O saguão é lindo lindo e já foi espaço de homenagem a reis em 1922. Parem, e olhem. Sintam a beleza.

Sua irmã mais nova, a atual Estação Julio Prestes é o mais belo monumento ferroviário do Brasil. Agora do arquiteto Cristiano Stockler das Neves tem em seu corpo a Sala São Paulo, modelo de sala de musica, com acústica perfeita. Está entre as melhores do mundo. E em frente, a ex Universidade Livre de Musica, atual Centro de Estudos Musicais Tom Jobim.

Pequeno espaço de um bairro, grande concentração de cultura.

Isto também é São Paulo



2 comentários:

JOICE WORM disse...

O texto está excelente, Neuza. E a descrição do bairro, faz lembrar algumas ruas da cidade de Lisboa.
Fiquei com saudades de Portugal ao ler sobre este bairro de São Paulo.

Cristiano disse...

Bem que poderia ter uma alguém como a senhora aqui no rio de janeiro pra contar histórias como as que você conta aqui. Eu só tenho 22 anos, mas procuro saber o máximo o passado e a história da minha família para poder passar um dia para os meus netos e bisnetos.
Parabéns para a senhora, continue com o trabalho incrível que você faz por aqui.