MEU BAÚ DE LIVROS - 1
Meu baú de livros – na verdade não um baú, mas um maleiro – foi acessado ao acaso. Surpresa. Encontrei nele preciosidades: as coleções de Julio Verne e a coleção completa de Monteiro Lobato com ilustração de André Lê Blanc. e junto vieram as Fábulas de La Fontaine com ilustração de Gustave Dorè
Quem gosta de livros pode avaliar o quanto significou esse encontro porque somou o prazer de poder manusear novamente volumes preciosos com a lembrança que eles me trouxeram.
Menina ainda, pelos meus sete oito anos me acostumei a ver na minha casa apenas dois livros: Geografia Geral e Antologia Nacional. No primeiro, pelas fotos fiquei com a idéia subconsciente de que todos os paises eram cinzentos, lúgubres e tristes porque nas edições em preto e branco e sem muita definição, era essa a impressão que passava. Ainda não tinha conhecimento suficiente para extrapolar. No segundo livro li pela primeira vez a poesia de Casemiro de Abreu “Meus Oito Anos”.
Aos 10 anos chegou como brinde para meu pai um livro de capa marrom -Thelma – A Princesa da Noruega e este foi o primeiro romance que eu li. Falava muito do país do sol à meia noite, de amores de uma época e nunca esqueci. Romance romântico mesmo. Sumiu, nem em sebos se encontra. Mas uma amiga que se chamava Thelma por causa do romance tinha o livro e me emprestou. Foi há dois anos e a segunda leitura foi decepcionante. Claro. Não teve o sabor de primeiro livro e de uma pré-adolescencia. O estilo, as descrições, o romantismo forçado não me agradaram. Pelo menos esse mito que durante 60 anos me acompanhou, desmoronou.
Os livros de escola eram poucos. Tínhamos mesmo cadernos com conteúdos de aulas passados à limpo em casa.
Mesmo na Faculdade, estudava-se na Biblioteca porque os livros eram caros.
Ayrton com quem me casei, vinha de uma família de cultos. Meu sogro dizia que uma casa que não tinha dicionário nem jornal “era casa de uma família de burros” Falava com todas as letras.
Depois da novidade dos filhos, quando o tempo já era um pouco maior e as disponibilidades financeiras também, começamos a comprar livros e não paramos mais. Tínhamos verbas separada para eles e até um “personal” vendedor que sabia quando acabávamos de pagar uma coleção e nos oferecia outra. Assim foram as Barsas, Tesouro da Juventude...
Ayrton tinha esse nome porque o pai gostava muito de Monteiro Lobato e em um de seus livros “O Presidente Negro” o personagem principal tinha esse nome: Ayrton (com Y mesmo). O Ayrton também gostava porque na casa dele todos os livros eram lidos, relidos e trilidos.
Assim, uma das primeiras coleções que compramos foi a de Monteiro Lobato ainda da Editora Brasiliense. 30 volumes divididos em Literatura Geral e Literatura Infantil e ilustração de André Lê Blanc que com traços simples caracteriza perfeitamente o personagem. Um haitiano quem morou muit0 tempo no Brasil e entre muitas outras ilustrou toda a coleção de Lobato publicada em 1947, Eu tenho a coleção editada em 1956.
Veja Emilia e o Visconde de Sabugosa no traço simples e firma de le Blanc

Folhando os livros encontrados, ainda pendurada na escada comecei a reler. E não deu para parar. Os meus preferidos: A Chave do Tamanho em que a travessa Emilia reduz temporariamente o tamanho dos seres humanos, e A Reforma da Natureza quando no laboratório do Visconde Emilia transforma animais como a “inventada” noventaequatropéia, uma centopéia que perdeu 6 pernas, e que hoje diríamos mutante. E por aí a fora nos livros infantis.
A noventaequatropéia da Emilia
Nos livros de Literatura Geral, verdadeiras jóias que merecem ser sempre lidas como A Onda Verde e O Presidente Negro, este atualíssimo. É um nunca acabar.
E cheguei ao Julio Verne e La Fontaine. Mas esses ficam para outra vez.
Quem gosta de livros pode avaliar o quanto significou esse encontro porque somou o prazer de poder manusear novamente volumes preciosos com a lembrança que eles me trouxeram.
Menina ainda, pelos meus sete oito anos me acostumei a ver na minha casa apenas dois livros: Geografia Geral e Antologia Nacional. No primeiro, pelas fotos fiquei com a idéia subconsciente de que todos os paises eram cinzentos, lúgubres e tristes porque nas edições em preto e branco e sem muita definição, era essa a impressão que passava. Ainda não tinha conhecimento suficiente para extrapolar. No segundo livro li pela primeira vez a poesia de Casemiro de Abreu “Meus Oito Anos”.
Aos 10 anos chegou como brinde para meu pai um livro de capa marrom -Thelma – A Princesa da Noruega e este foi o primeiro romance que eu li. Falava muito do país do sol à meia noite, de amores de uma época e nunca esqueci. Romance romântico mesmo. Sumiu, nem em sebos se encontra. Mas uma amiga que se chamava Thelma por causa do romance tinha o livro e me emprestou. Foi há dois anos e a segunda leitura foi decepcionante. Claro. Não teve o sabor de primeiro livro e de uma pré-adolescencia. O estilo, as descrições, o romantismo forçado não me agradaram. Pelo menos esse mito que durante 60 anos me acompanhou, desmoronou.
Os livros de escola eram poucos. Tínhamos mesmo cadernos com conteúdos de aulas passados à limpo em casa.
Mesmo na Faculdade, estudava-se na Biblioteca porque os livros eram caros.
Ayrton com quem me casei, vinha de uma família de cultos. Meu sogro dizia que uma casa que não tinha dicionário nem jornal “era casa de uma família de burros” Falava com todas as letras.
Depois da novidade dos filhos, quando o tempo já era um pouco maior e as disponibilidades financeiras também, começamos a comprar livros e não paramos mais. Tínhamos verbas separada para eles e até um “personal” vendedor que sabia quando acabávamos de pagar uma coleção e nos oferecia outra. Assim foram as Barsas, Tesouro da Juventude...
Ayrton tinha esse nome porque o pai gostava muito de Monteiro Lobato e em um de seus livros “O Presidente Negro” o personagem principal tinha esse nome: Ayrton (com Y mesmo). O Ayrton também gostava porque na casa dele todos os livros eram lidos, relidos e trilidos.
Assim, uma das primeiras coleções que compramos foi a de Monteiro Lobato ainda da Editora Brasiliense. 30 volumes divididos em Literatura Geral e Literatura Infantil e ilustração de André Lê Blanc que com traços simples caracteriza perfeitamente o personagem. Um haitiano quem morou muit0 tempo no Brasil e entre muitas outras ilustrou toda a coleção de Lobato publicada em 1947, Eu tenho a coleção editada em 1956.
Veja Emilia e o Visconde de Sabugosa no traço simples e firma de le Blanc

Folhando os livros encontrados, ainda pendurada na escada comecei a reler. E não deu para parar. Os meus preferidos: A Chave do Tamanho em que a travessa Emilia reduz temporariamente o tamanho dos seres humanos, e A Reforma da Natureza quando no laboratório do Visconde Emilia transforma animais como a “inventada” noventaequatropéia, uma centopéia que perdeu 6 pernas, e que hoje diríamos mutante. E por aí a fora nos livros infantis.

Nos livros de Literatura Geral, verdadeiras jóias que merecem ser sempre lidas como A Onda Verde e O Presidente Negro, este atualíssimo. É um nunca acabar.
E cheguei ao Julio Verne e La Fontaine. Mas esses ficam para outra vez.
Comentários
Como você (se me permite a intimidade) é linda, cheia de vida, saúde e inteligência!
Agora sempre estarei por aqui pra te fazer visitinhas!
A vovó que toda neta gostaria de ter!
Um grande beijo e muita saúde!
Beijos....Paty Diniz
Aliás, está adicionada já em meu blog...
Beijos
Andressa Batista
Lendo a revista Sorria da Graacc fiquei curiosa em conhecer o seu blog. Parabéns por sua jovialidade e seu exemplo de vida.
Já estou adicionando ao meu blog.
Bjs!
Fatima Castro
Uma amiga me indicou sua página na web...entrei unicamente por curiosidade. Sei que já deve ter ouvido muitas vezes que parece estranho uma senhora de quase oitenta anos usar os meios eletrônicos, porém não fiquei surpresa ao ver que seu blog era muito bom...muito bom mesmo, pois sei que uma senhora de quase oitenta anos tem muito mais a dizer...
Foi um prazer lê-la...
Um abraço com muito carinho.
Leci
http://lecirene.blogspot.com
lecirene@gmail.com
adorei aqui.. parabeens pelos textos maravilhosos e por esta com essa disposição toda e sempre bela.
Sucesso aqui hoje e sempre*
Beijão.
Maravilha, na reportagem a sra. já mata a pau, não tem pra ninguém, é muita energia pra uma dama que já passou por vários momentos históricos e continua com uma grande disposição.
Parabéns.
Um grande abraço.
Volto outra hora pra aprender umas coisinhas.
P.S.: Meu medo é que de repente você resolva fazer pinturas digitais....rsrs
a tua lembrança sobre Monteiro Lobato, também me trouxe uma frase solta dele que dizia mais ou menos assim criticando ele a ironia: dizer o contrário do que pensa só pode ser coisa de gente má.
Que bom que os oitenta anos da senhora são sinceros e legitimos, traduzidos nessa energia e prazer de viver!!!
Abraços!
Antonio Oliveira