domingo, 30 de junho de 2013

PAROU A CHUVA - FRIOZINHO JÁ DE INVERNO


É o dia 27 de junho. Já é noite. Escura como devem ser as noites de inverno. Mas não chove. Enfrento a escuridão, mas por gentileza entro na Praça das Artes pelo portão (não oficial para entradas) da Rua Conselheiro Crispiniano. Mais seguro com  certeza.  Encontro amigas casuais do Teatro Municipal e elas e ajudam  a vencer o tempo porque chego sempre mais cedo.

Surpresa – Há um programa-folheto agora só para o Quarteto de Cordas até dezembro. Lindo. Para ser guardado. 

Entrar na Sala do Conservatório já é voltar no tempo, na primeira década do século XX, mais precisamente em 1909. Independente das desconfortáveis cadeiras e do lustre inadequado para o espaço, continua sendo um lugar de música.  

Encontrei e conversei com alguém sem a qual Betina não existiria: sua mãe. Conversamos.

E chega então o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. O “meu”, o “nosso” quarteto.

Ainda lembrando o Quarteto de Leipzig de há dias atrás. Não comparo. Não tenho capacidade para isso. São diferentes. Em comum quatro músicos, quatro instrumentos, quatro doutores em música e técnica.

Os alemães podem ser os melhores do mundo, mas não tem uma Betina, um "prof." Marcelo (preparando o concerto quando fala dos compositores, épocas, fatos de vida... com o humor que lhe é característico.) Um Nelson (agora deixando crescer a barba??) e sempre atento, e um Robert, tranquilo e eficiente. Acostumei às suas características.  

O outro Quarteto não tem “amarração” visual que os nossos quatro têm. Os “nossos” falam com os olhos, entendem-se com o olhar. E falam diretamente ao coração, às nossas emoções porque são “nossos”.

O programa de hoje foi inicialmente Benjamin Britten e depois o Quarteto virou Quinteto e com a colaboração de Edelton Gloeden ao violão mostraram Leo Brouwer um compositor cubano.

Um programa difícil para que executa, difícil para o ouvinte. Dois compositores do século XX produzem música do século XX. Quem vem de muito tempo atrás, difícil de acompanhar.  O Leo Brouwer fala mais às minhas emoções porque tem características hispânicas. 

Tempo de encantamento.

E voltei rápido, vencendo uma penumbra lavadinha até um ponto de ônibus que, ainda bem, chegou logo. Vou no caminho todo envolvida em música que acabei de ouvir. Só faltou o abraço real em cada um deles.


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