sábado, 12 de agosto de 2017

FESTIVAL LAB60+ Três dias de atividades com foco em LONGEVIDADE - 10/11/12 DE AGOSTO DE 2017 nos espaços da UNIBES CULTURAL


Uma das atividade de  sexta-feira 11/08/2017
19h30-21h30 - Playback Talks *inédito*
Espetáculo teatral e improviso realizado a partir de relatos de histórias de fracassos de seniores bem-sucedidos do movimento LAB60+, sem ensaios ou combinações prévias.
Artistas:
Grupo Mirar Playback Theatre

Playback Theatre (ou Teatro Playback como conhecido na América Latina) é uma forma original de teatro em que uma da plateia conta uma história de vida e um grupo de atores encenam espontaneamente. O condutor, elo entre a Companhia de Teatro Playback e a plateia, convida um espectador a contar uma história para assistir em forma de arte. Musicistas criam o ambiente e dão cor às cenas.
O Mirar Playback Theatre é um grupo de teatro que propõe a articulação de espaços reais de conversa onde quaisquer pessoas possam reviver e ressignificar suas próprias histórias por meio de experiências estéticas sensíveis despertadas pelo teatro playback.
Direção: Marta Faria e Péricles Rágio  -  Playbackers: Elida Strazzi, Felipe de Souza, Gabriela Ries, Kenia Tavares e Laura Amorim

Participantes convidados da Lab60+ no Festival da Unibes

 - Wellington Nogueira
 - Tetê Brandolim
 - Neuza Guerreiro de Carvalho

TETÊ BRAMDOLIM -  como é chamada, diz que nasceu duas vezes: a primeira quando veio ao mundo, em 1930, e, 82 anos depois, ao realizar o sonho de aprender a ler e escrever. Alfabetizada pelo método Paulo Freire, a neta de imigrantes italianos se descobriu artista plástica e retrata em tela o florescer de uma nova vida na terceira idade. Já são mais de 400 obras feitas por Tetê com chita (tecido simples de algodão).
Nasceu na zona rural de Monte Azul Paulista (SP) e, mais velha de seis irmãos, trabalhava em meio a plantações de milho, arroz, feijão, algodão. Ainda criança, chegou a frequentar a escola. Mas vinha a época da colheita, e os pais acabavam tirando-a da sala de aula, para ajudá-los na lavoura.
Depois de muitos anos tentando em vão, em 2013, encontrou Jany, especialista em alfabetização de adultos e que usa o método Paulo Freire para ensinar. A primeira coisa que aprendeu foi escrever o nome dos filhos. Aprendeu a escrever a receita do seu pão, e usando as coisas do dia a dia, em seis meses, estava alfabetizada
O contato com a chita foi nas aulas com a Jany para decorar cartões, usou retalhos e foi colando no papel. Sobrou tecido, usou cartolina e começou a compor um quadro. Concluiu o primeiro e não parou mais. Hoje tem mais de 400 obras.

dona Tetê trabalhando em colagens de seus quadros
Dona Tetê esteve no Festival Lab60+ falou sobre sua vida e teve o que contou teatralizado pelo grupo de teatro MIRAR.  Pena que não dá para anexar o vídeo, mas posso comentar que foi excelente composição e expressões corporais representando a história.

NEUZA GUERREIRO DE CARVALHO - EU   - Não há necessidade de falar sobre minha vida. O grupo já me conhecia bem porque faz pesquisas sobre os personagens que vão representar. E, minha vida está toda representada no Blog.(www.vovoneuza.blogspot.com).
Do que respondi quando perguntada, usaram bem o sapo como meu bicho importante em momentos da minha vida: na faculdade quando o usávamos para estudos de fisiologia e na vida familiar da década de 50 quando ainda era usado para diagnostico de gravidez. E a minha ansiedade de saber e compartilhar muito bem representada pelos cinco componentes.
A representação teatral foi comovente porque conseguiram, no improviso, sem palavras, só com o gestual de corpo e mãos (muito expressivas), com apoio de lenços coloridos, passar o importante de minha vida. Deveras emocionada.
Foi tão bonita a apresentação que se eu conseguir o vídeo, prometo que publico em algum momento.  

WELLINGTON NOGUEIRA - nascido em 1960. Formou-se pela Academia Americana de Teatro Dramático e Musical de Nova Iorque.

Nos anos 90, Wellington Nogueira trabalhava nos Estados Unidos com uma trupe de palhaços que realizava intervenções em hospitais de Nova Iorque. Era algo muito inusitado. Em 1990, retornou a São Paulo para visitar seu pai na UTI do Instituto do Coração. E ali, acidentalmente foi se apresentar como palhaço para crianças do Hospital e então, tudo começou.

No ano seguinte, voltou para o Brasil e começou o trabalho”, em setembro de 1991, surgindo os DOUTORES DA ALEGRIA, entidade da qual Wellington é coordenador geral e onde exerce o papel do palhaço "Dr. Zinho".



No início, sem sede fixa, a ONG se estabeleceu na casa da Dona Benvinda, mãe de Wellington. “Não havia e-mail. Usávamos papel carbono e máquina de escrever“.
E hoje, 26 anos depois continuamos atuando em vários hospitais atuamos em hospitais do Campo Limpo à Itaquera. Também já atuamos em diversos espaços culturais, ruas e empresas desta enorme cidade. 
Doutores da Alegria é uma organização não governamental fundada por Wellington Nogueira em 1991, visando levar conforto ao público infantil enfermo. A ONG atua junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais da saúde, colaborando para a transformação do ambiente onde se inserem. Já realizou mais de 1.000.000 de visitas com um elenco de cerca de 40 palhaços profissionais, que atuam em hospitais públicos das cidades de São Paulo e Recife.

 Um parêntesis importante
Hoje, 11 de agosto de 2017 encontrei pela primeira vez Wellington.  E dei a ele um choque emocional. Por que
Em 2000, quando fazia o curso do Museu da Pessoa sobre Agentes da História, Benvinda, mãe de Wellington fazia parte do grupo. Tenho pasta do curso, tenho fotos de Benvinda, do que ela escreveu e do que ela postou nesse curso. Ela morreu em 2004 e Welington não tinha o menor conhecimento desse material. Imagine o impacto ao ver o que vem a seguir:
 
  
Wellington aos 15 anos com representante da MobilOil

Comentário da mãe de Wellington - Benvinda

Emoções sentidas e compartilhadas de alguma maneira nos ligou.

Voltando ao evento, Wellington teve oportunidade de, com um grande senso de humor comentar o que ele faz, como o realiza e depois teve a sua fala e sua vida representada pelo grupo de teatro que, de improviso usando mãos, expressões corporais adequadas, muito envolvimento e material adequado (nariz de palhaço) introduziu no vocabulário uma nova palavra BESTEIOROLOGIA como recurso terapêutico e humano nos tratamentos principalmente de crianças. Os BESTEIROLOGISTAS já fazem parte do quadro profissional de muitos hospitais. .... A fotos abaixo mostra um momento de atuação de um besteirologista.
Atuação de Besteirologistas


Doutores da Alegria

CINCO COISAS QUE VOCÊ NÃO SABIA   e vai ficar sabendoSOBRE DOUTORES DA ALEGRIA       -  
23/06/2017

1. Os palhaços não são médicos, são artistas. - Fazemos uma paródia do médico, a figura de maior autoridade nos hospitais, justamente para criar um contraponto na relação com as crianças. Os palhaços se apresentam como besteirologistas e a diferença também se dá na disposição de cada um – o médico se prepara para o acerto; o palhaço, para o erro. 

2. O trabalho é gratuito para os hospitais, mas não é voluntário.

3. Nossa inspiração não foi Patch Adams. Mas, ambos beberam da mesma fonte, que é a arte do palhaço. 

4. Temos uma Escola. Com um  Programa de Formação de Palhaço para Jovens

5. Somos uma associação, não um grupo. Todos são remunerados e trabalham de forma não voluntária.



FIM DAS ATIVIDADES DA SEXTA FEIRA 11 DO LAB60+ NA UNIBES

3 comentários:

Gabi Ries disse...

Dona Neusa, aqui é a Gabi do Grupo Mirar ! muito obrigada por tudo que a senhora escreveu sobre o trabalho com o Playback. Agradecemos de coração seus comentários e nos sentimos muito honrados com a sua presença. Desde o Lab60, estou tentando falar com a senhora, mas não estou encontrando o seu cartão. Queria muito conhecer a Jolinda, sua amiga. Meu email é riesgabriela@gmail.com e meu tel é 989992640. Vamos nos falar? Aguardo seu retorno

Planetária Soluções Sustentáveis disse...

Vovó Neuza gratidão por este post lindo e ao pessoal do Play back Theater e lab60+.

Noleis de Carvalho Filho disse...

Bom dia vovó Neuza!!
Que satisfação poder estar aqui.
Lhe conhecendo agora dia 23/09/2017 através do Como Será, um programa da Rede Globo que eu gosto muito.
Fixo feliz e inspirado pela sua energia boa e positiva.
Que Deus lhe proporcione as coisas melhores da vida. Felicidades sempre!!
Que seus dias sejam de maravilhas e bênçãos. Um grande abraço deste gaúcho que vive aqui hoje na Bahia, depois de viver no Pernambuco, Paraíba e Alagoas e, que ama este nosso Nordeste brasileiro. Parabéns pelo seu blog e para os belos trabalhos aqui nos repassados como os Doutores Da Alegria. Parabéns!! Bela história de dona Tetê em seu Blog e ao pessoal do Playblack Teatre que com sua arte de cria o seu espetáculo de uma forma integrada com o público e bem natural, vou atrás de mais sobre eles. Parabéns também aos criadores so Lab60+ que criaram e deram ênfase a este festival que, introduz a arte de pessoas da terceira idade e atraí a atenção, carinho, valor e respeito à estas pessoas que são cheias de experiências ricas, de conhecimentos e de lições de vida. Muito obrigado!!