quinta-feira, 1 de maio de 2008

LEMBRANÇAS DE UMA ÉPOCA

Durante a minha já longa vida, vivi mudanças intensas:

o advento do Modess, por ex., deu à mulher uma independência que só pode ser avaliada por quem viveu nas duas épocas: a das toalhinhas higiênicas (vendidas até em magazines ou feitas em casa), laváveis, trabalhosas, constrangedoras, volumosas, anti-higiênicas, e depois os absorventes descartáveis relativamente baratos, fáceis de usar (e vem sendo cada vez mais) embora no começo houvesse até cintinhas especiais com presilhas, discretos, higiênicos. Mesmo assim, foi preciso muita propaganda e preparo para se tornar um hábito. Hoje há muitas marcas e “modess” passou a designar o objeto.

Vivi também a saga do Papel Higiênico, a partir de folhas de jornal ou papel manilha previamente cortadas e dependuradas ao lado do vaso sanitário.
.Dá para imaginar tal situação? Hoje há Papel Higiênico , de folhas simples e duplas (??) de todas as cores e texturas. E até os “NEVE” da vida.

Quando escrevi sobre minha atividade profissional em 1952 no Colégio de São José, registrei que lá, na época as professoras não podiam entrar sem meias. E me lembrei de escrever alguma coisa sobre MEIAS. Também me lembrei do que usávamos muito: CAPAS, GALOCHAS E GUARDA CHUVAS.

MEIAS - me lembro das primeiras meias de nylon, um sucesso.Caras. As anteriores eram de seda, para trajes sociais, delicadíssimas, ou de fio de Escócia para o dia a dia, mais grosseiras. Mas, eram obrigatórias. As primeiras meias de nylon tinham costura atrás, e era sinônimo de elegância que a risca da costura estivesse bem no meio da perna, e retas. Era difícil de manter a costura certa. As meias desfiavam com facilidade e havia pessoas especializadas em puxar o fio, recuperando a meia. Felizmente hoje as meias são sem costura, mais práticas, relativamente baratas, variadíssimas, existindo em quantidades astronômicas, de modo que não compensa mais consertar. Desfiou, joga-se fora. Uma profissão que desapareceu.

Outra coisa que fazia parte de nosso guarda roupa da época eram CAPAS, GALOCHAS e GUARDA CHUVAS.

CAPAS eram muito usadas. E dava á mulher uma rara elegância. Por que se usava tanto CAPA? O clima era diferente, com mais chuva? Andava-se mais a pé? Certamente.

GALOCHAS, palavra que a geração de hoje nem conhece. Colocava-se sobre o sapato em dias de chuva, para protegê-lo. Eram até sofisticadas e havia as próprias para sapatos de salto alto, só pela metade, ou as que eram como botinhas, cobrindo todo o sapato.
GUARDA-CHUVAS eram bonitos e resistentes. Obras de arte. Os de hoje são baratíssimos, de péssima qualidade e são descartáveis. Basta cair uns pingos e os vendedores de guarda chuvas “brotam” na cidade. Por R$5,00 fica-se protegida.
Escrito em 1997-98

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