quinta-feira, 1 de maio de 2008

OS COLCHÕES DA MINHA VIDA

Os primeiros colchões de que me lembro eram de palha de milho desfiada, crina, capim, barba de bode ou paina. Só tivemos de palha de milho mas os parentes tinham de todos os tipos.

Os colchões de paina (e também travesseiros) eram os mais macios, feitos com a pluma que envolvia as sementes das paineiras. Na época do outono as paineiras ficavam e ficam,cor de rosa, suas flores são polinizadas geralmente por pássaros (hoje maritacas). No inverno muitos frutos dependurados quase substituem totalmente as folhas e ao se abrirem espalhavam as sementes que flutuavam no ar suspensas pela pluma até chegar ao chão. Lindo. Até hoje me encanta.o espetáculo das sementes flutuando. Mas nunca tivemos um colchão de paina. Talvez um travesseiro.

Os de palha de milho eram os mais modestos. Qualquer casa tinha sua plantasãozinha de milho. Comidos os grãos usava-se a palha.

Capim e barba de bode só no campo.

No início, os colchões nem eram pespontados. Eram simplesmente uns sacos cheios com um desses materiais. Depois de uma noite de dormir, amanheciam disformes, cheios de altos e baixos. Era uma trabalheira deixar o colchão bem plano, uniforme. Para isso havia na fazenda, uns rasgos do tamanho aproximado de um palmo, por onde se enfiava a mão, afofando o algodão, ou palha ou....... De tempos em tempos o “recheio” era trocado e o pano também. Eram feitos em casa. Era orgulho para a dona de casa deixar o colchão bem plano, e uma cama bem arrumada era sinônimo de capricho. Nas casas de classe média, havia prestadores de serviço que faziam isso.(Negócios e Ócios – Boris Fausto)

Depois, vieram os colchões de fabricação externa, industrializados, de algodão ou crina, pespontados, lisinhos, mas muito pesados. Arrumar a cama era realmente serviço difícil, para colocar os lençóis brancos, de algodão e deixá-los bem esticados. Mantê-los branco e passá-los a ferro (então de carvão) era outro drama.

Em 1949 tivemos nosso primeiro colchão de molas, Probel. Foi preciso trocar o estrado da cama, de molas e alto, para estrado ripado para acomodá-lo. Um deles durou 40 anos (acho que ainda está “vivo”
Mesmo então, o costume de arrematar a cama na cabeceia com um rolo continuou. Só que minha mãe o chamava de “pirolão”

Pensei que os colchões de espumas de densidades determinadas e bem anatômicos fossem os mais modernos. Engano. Hoje voltaram as molas, mas agora ensacadas uma a uma, com todos os requintes de luxo. Descobriu-se que o tempo que se dorme deve ser confortável porque influi na saúde.
Os mais modestos continuam sendo os de espuma e em alguns nem se cogita em saber a densidade.

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá Vovó Neuza!
Até a pouco tempo eu achava que os colchões mais antigos eram feitos apenas de capim. acabei de comprar uma caminha da marca Patente e minha mãe me disse que seria ideal que viesse com um colchão de crina junto. Crina? Meu Deus quanto tempo levaria para encher um colchão de crina? E paina? Não tem tanta paina assim! Será que ainda existe quem os faça?

Anônimo disse...

Olá Vovó Neuza,
Vejo que a senhora tem muitas informações sobre os colchões antigos. Eu Trabalho no ramo colchoeiro e estou preparando uma palestra sobre a hitória do acabamento de colchões. Acredito que a Senhora possa me ajudar com informações. Talvez ainda tivesse um colchão desses...
Se possível, entre em contato comigo:driacarmona@yahoo.com.br
Abraço
Adriana

Anônimo disse...

Prezada Sra. Neuza!
Veja só que paradigma. Nesta modernidade toda, a despeito da volta das molas, me encontro procurando na Internet, colchões de crina para mim. Minhas melhores noites de sono foram em colchões de crina.
Parabéns pelo blog!

Renata disse...

E eu estou procurando quem faça ainda colchão de algodão, o que eu tinha e que era maravilhoso para dormir, a gente acordava muito descansado, era recheado de algodão e no meio havia uma camada de crina. Alguém sabe quem ainda faça colchão de algodão? Se alguém souber, agradeceria que me indicasse no meu email renata@delduque.org