quinta-feira, 1 de maio de 2008

OS FOGÕES NA MINHA VIDA


Fogões, objetos do cotidiano, sempre estiveram presentes nas lembranças de minha infância e de adolescência.

O primeiro fogão de que me lembro foi aquele que tinha uma ou mais grelhas, mas não era fogão de lenha. Era de carvão. Para pegar fogo no carvão era necessário fazer, no fundo da grelha, um amassado de papel – geralmente jornal - colocar umas madeirinhas entrecruzadas e carvão por cima. Pegando fogo no papel, passava à madeira e chegava ao carvão. Demorava um pouco. Então, eu me lembro de minha mãe à noite, cortando madeirinhas finas e “armando” a grelha, para de manhã ser mais rápido.

Em algum tempo usou-se o coque, carvão mineral, umas bolas bem redondinhas, do tamanho de bolas de ping-pong. O fogo durava mais, dava mais calor, mas era mais caro.

Numa emergência ou no café da manhã, enquanto o fogo não estava aceso (depois conservado por todo o dia), usava-se uma “espiriteira”
O que era uma “espiriteira”? Uma peça de ferro redonda, do tamanho de um palmo mais ou menos, com haste, pés de apoio para o fogão e para a panela. Uma caneleta que a percorria toda se destinava à colocação do álcool para queimar. Álcool era então chamado “espírito”. Para apagá-la, havia uma tampa com cabo que, cortando o ar, apagava o fogo. As panelas ficavam em um equilíbrio instável, era perigoso usar “espiriteira” e causava muitos acidentes. Era 1935-1940 quando nós a usávamos.

Não gosto de me lembrar de um “fogão” que tivemos quando moramos em um porão, na casa de minha avó e tias paternas. É triste, mas essas lembranças servem para dar valor às de melhores dias. Foram dias amargos, péssimos para a minha família e esse “fogão” referido foi sua testemunha muda, Era uma lata de 20 litros, aberta numa das laterais para entrar ar e uma grelha em cima. Funcionava com carvão. Um só buraco, comida feita aos poucos, uma panela de cada vez. Era 1934.

Muito depois progredimos e tivemos então um fogão elétrico – me lembro até da marca – Paterno. Tinha chapa redonda, ocupando toda a mesa do fogão, conservava bem o calor e a eletricidade devia ser barata porque esses fogões eram bem comuns. Mas, isso já era em 1948.

Fogões a gás vieram em seguida e permanecem até hoje, bonitos, sofisticados, eficientes e de muitas utilidades. A cada tempo trocávamos o nosso fogão sempre por mais bonitos e, sobretudo por maiores, quando a família aumentava. Aí, os cilindros de gás engarrafado era dos grandes, de 45kg.

Depois como sempre, a família diminui e volta o fogão a ser pequeno. O gás agora é “de rua” e quase não gasto porque estou sempre circulando seja a trabalho ou a estudo.

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