domingo, 21 de setembro de 2008

HISTÓRIA DA PRAÇA DO PATRIARCA

Você sabe onde fica? Claro que sim se você é paulistano e visita sempre o centro de sua cidade. Mas sabe o que é e onde fica o Edifício Lutetia? Vejamos a história.
A Praça do Patriarca é praça projetada, feita de propósito como parte do Plano Bouvard de remodelação do Vale do Anhangabaú.
Sua história é recente – 1926. Não existia na São Paulo Colonial nem na cidade Imperial. Resultou da demolição de todo um quarteirão ao lado do que se chamava “Quatro Cantos”, isto é, o cruzamento da rua Direita com São Bento em cantos simétricos.
Seu nome foi dado em homenagem a José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência. Ao redor dela foram erguidos edifícios que abrigaram lojas e magazines elegantes. Tinham endereço da Praça do Patriarca a Casa Fachada, perfumaria; Casa Fretin de instrumentos cirúrgicos e de precisão; Casa São Nicolau, Casa Fausto, Mappin...
No meio da praça uma coluna que recebeu o nome popular de “cabide”, desmontada em 1938. Ao seu redor circulavam os ônibus desde a década de 20.
Limites marcantes da Praça do Patriarca são a Igreja Santo Antonio, o Edifício Barão de Iguape sediando o Mappin até 1938, e do lado oposto à Igreja um conjunto de três prédios independentes com uma fachada única, tendo oito pavimentos, mais o térreo e o subsolo, em um terreno de 256m2. Projeto de Ramos de Azevedo, da década de 20, o EDIFICIO LUTETIA
Exemplo típico da arquitetura que predominou no centro paulistano na primeira metade do século XX, o conjunto de prédio que se chama EDIFICIO LUTETIA é um verdadeiro símbolo histórico. Em 1992, foi tombado pelo Conselho Municipal de Preservação - CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), Agora é de propriedade da FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado)
Desde fevereiro de 2004 (quando se comemoraram os 450 anos da cidade de São Paulo), o prédio ganhou um novo espaço cultural destinado a abrigar exposições: o MAB-Centro. Museu de Arte Brasileira -Centro

O local também abriga a Residência Artística FAAP, destinada a artistas brasileiros e estrangeiros que atuam nas áreas de artes, comunicação e arquitetura.

Os selecionados ficam por alguns meses hospedados nos dez amplos estúdios existentes no Lutetia, desenvolvendo projetos artísticos e transmitindo suas experiências e conhecimentos aos alunos e professores da FAAP. Posteriormente, também é aberta a possibilidade de expor seus trabalhos no MAB-Centro.
.Esses espaços (69m2 ou 79m2) foram totalmente reformados e mobiliados. O prédio oferece a estrutura necessária para os moradores: segurança 24 horas, lavanderia e almoxarifado, sala de convivência, futuras instalações de uma livraria e uma grande sala de múltiplos usos (ateliê coletivo, reuniões e encontros, palestras e discussões, projeções, entre outros).
Durante a administração Prestes Maia (1938-1945) a Praça do Patriarca foi dotada de uma galeria belíssima, toda em mármore com obras de arte nos seus nichos. Obras de Brecheret – As Graças, reproduções de Moises... Liga a Praça do Patriarca ao Vale do Anhangabaú.
Na Praça do Patriarca está também a entrada da Galeria Prestes Maia do tempo do prefeito do mesmo nome
Inaugurada em 1940 para ligar a Praça do Patriarca e o Vale do Anhangabaú, a galeria se destacou na cena cultural das décadas de 40 e 50. Com 6 mil m², seus três níveis são ligados por quatro escadas rolantes - pioneiras em São Paulo (inauguradas em 1955, ainda funcionam). O glamour se perdeu a partir dos anos 60, com a instalação de repartições públicas. Nos 70, o local foi tomado por moradores de rua. Depois, a Cohab ocupou o local.
Foi proposta como MASP centro, mas as propostas não saíram do papel e as únicas estátuas que foram levadas para lá são as Graças em Bronze de Victor Brecheret. O tempo do MASP já esgotou neste 2008 e cogita-se elege-la como a Pinacoteca -Centro “o que também não sairá do papel”.
Na ultima reforma foi totalmente remodelada por projeto do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, bastante polêmico, que além das intervenções “grandiosas” mudou também a localização da estátua de José Bonifácio, uma escultura de Alfredo Ceschiatti. Afirma Mendes da Rocha sobre a estátua que a recolocou em ponto estratégico da praça, na extremidade próxima às ruas Direita e São Bento, alinhada com o eixo do viaduto do Chá e enquadrada em uma das laterais do pórtico metálico.
Vá conferir e proponha a questão: ela está bem colocada? De costas para o Viaduto do Chá? Olhando para o nada?

4 comentários:

JOICE WORM disse...

Bem... Quem nunca foi à Praça do Patriarca e não tiver dinheiro para ir pessoalmente, basta ler o texto da Neuza e fica com uma imagem quase real do que ela é...
Bravo, Neuza!

Paulo Watanabe disse...

No início dos anos 60, ia mensalmente à Pça do Patriarca para comprar "passe escolar" que era vendida na Galeria Prestes Maia.
Quanto ao Edifício Lutétia, acredito que frequentei para comprar alguns "contrabandos", pois era mais "chique" do que comprar na rua Pagé.

liliane disse...

oi vovó Neuza td bem , eu sou aluna da faculdade sumaré e estou reaizando uma pesquisa sobre a praça Patriarca e gostaria muito de realizar uma entrevista com a senhora , gostaria de saber como poderei entrar em contato .
meu e-mail fvilegas@hotmail.com
agardo anciosamente

Julya Vendite disse...

Oi, Vovó Neuza! Tudo bem?

Estou fazendo uma pesquisa sobre a Praça e gostaria de saber qual fonte a senhora usou para colher essas informações.

Abraços!