terça-feira, 9 de setembro de 2008

MAIS ÁRVORES EM MINHA VIDA -1

Já falei em Figueira, em Paineiras, no famboyant da Dr.Arnaldo, e ainda não falei na Seringueira da rua Caativa.

Quando a minha família – Ayrton, eu, Flavio, Jurema e meus pais –nos mudamos para a rua Caativa, no Alto da Lapa, em 1962, tínhamos um grande terreno à frente da casa, que na realidade seria ¼ de uma praça, mas que assumimos, cuidamos e passou a fazer parte, se não legal, mas de uso nosso. Na lateral da casa, também havia muito espaço de terra para “pintarmos” de verde a nossa nova casa.

Logo começamos a plantar árvores não só na calçada, mas na “praça” e na lateral. Eram sibipirunas ainda pequenas, de 80cm a 1m. As árvores foram crescendo de vagar e começaram a fazer parte de nosso cotidiano. Davam sombra, “pousavam” para fotografias, enfeitavam o conjunto.

Na lateral da casa resolvemos plantar uma seringueira. Mal escolhida, porque ele cresce muito, tem raízes relativamente rasas para o porte.Eu deveria saber disso e mais, que deveriam ser preservadas as raízes-escoras, que aumentariam a sua fixação precária. A muda pequena me enganou. Era tão pequena que foi levada dentro do nosso fusquinha, ajeitada no pouco espaço. Deve ter sido plantada por volta de 1966-67. Em 1968 já estava maior do que Flavio com 13 anos e Jurema com 10 anos.

Cresceu. Ficou imensa, e os jardineiros que cuidavam do gramado e das árvores, foram cortando inadvertidamente as raízes-escoras.

Um dia, por volta de 1973, ventou muito, a grande copa da seringueira funcionou como uma parede e não resistiu. Tombou toda a copa imensa, cobrindo o páteo onde estacionávamos os carro, e a lateral onde ela estava plantada.

Num primeiro momento o susto: eu tinha acabado de tirar o carro do páteo e levado para mais perto da casa, prevendo grande chuva. Por pouco não ficou achatado pelo peso da árvore. Outro susto foi quando imaginamos que alguém poderia estar sob as folhas, porque muita gente se abrigava sob sua copa em tempos de temporal. Felizmente não havia ninguém.

Agora, a maior preocupação: o susto que Ayrton levaria ao chegar do trabalho e encontrar uma árvore de que ele gostava muito - gostava de todas, mas essa era particular – espalhada pelo chão. Foi realmente um grande impacto, superado pela racionalidade.

Foram necessários dois carros da Prefeitura para levar os “restos mortais” da seringueira e um dia de trabalho de dois jardineiros para arrancar do solo o que restou de sua raiz.

No seu lugar foi plantado um pinheiro, de raiz pivotante, menos sujeito aos ventos. Ficou lá muitos anos.

As outras árvores continuaram a crescer e quando deixamos a rua Caativa, elas estavam frondosas e contribuíam muito para o verde da rua.

Se, como reza a lenda, para nos realizarmos na vida temos que escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho, nós – Ayrton e eu como casal – plantamos muitas árvores, os livros escritos por mim tem contribuições especiais de Ayrton, e tivemos dois filhos.

Respeitamos a Natureza mantendo com filhos e netos a continuidade genética e cuidamos do meio ambiente com árvores e flores.

Um comentário:

JOICE WORM disse...

Nossa, deve ter sido um baita susto Neuza. Viche Maria!
Eu e o Paulo também já plantamos muitas árvores, e por incrível que pareça, plantamos uma de ameixa, que todo mundo dizia que nunca ia crescer... Acredita que todas as outras morreram, menos esta? Um entendedor disse que plantamos fora de época, pois foram todas no mesmo dia e só "aquela" está viva até hoje. Ainda por cima dá ameixas frescas maravilhosas.
Acho que é assim na vida. Há pessoas que ninguém dá nada por elas, e de repente tornam-se presidentes ou coisa que tal.