segunda-feira, 29 de junho de 2009

A HISTÓRIA DO PÁTEO DO COLLEGIO

Usei a antiga grafia para melhor caracterizá-lo.

Aí está a semente, o espaço onde a cidade de São Paulo começou.
É o ponto de convergência direta ou indireta da travessa do Collégio (depois rua do Palácio e atualmente rua Anchieta);da rua do Tesouro (depois largo do Correio e depois ainda Largo do Tesouro); da Ladeira Municipal ( atual General Carneiro); da rua da Fundição (atual Floriano Peixoto)

Conta a história que vindos de São Vicente, a missão jesuítica escolheu o local principalmente porque era mais fácil a defesa contra os ataques dos índios. Já estava aqui o padre Leonardo Nunes desde 1950. O lugar tinha uma posição estratégica, ocupando o alto da colina – exatamente aqui – defendido por escarpas abruptas e acessíveis por um lado apenas. E, cercada por dois rios: o Tamanduatei e o Anhangabaú. O primeiro está hoje “encaixotado” em concreto e o segundo canalizado no subterrâneo do Vale do Anhangabaú.

A esse lugar chegaram 13 jesuítas, entre eles José de Anchieta e Manoel da Nóbrega que se reuniram em torno de uma cabana construída pelo cacique Tibiriçá.
O local servia ao mesmo tempo como dormitório, enfermaria, salas de aula, refeitório e cozinha. E também por algum tempo, como capela. Redes eram as camas e a fogueira fazia às vezes de cobertores.

Foi aí que se celebrou a missa de 25 de janeiro, a certidão de nascimento de São Paulo.

José de Anchieta nasceu nas ilhas Canárias em 1534, filho de pai basco (região basca da Espanha) e mãe judia. (portanto tinha apenas 20 anos quando chegou ao Brasil e em São Paulo). Anchieta era franzino, tinha roupas rotas e padecia de tuberculose. Alimentava-se mal e não dormia, muitas vezes mais do que duas horas. Ele pedia que de Santos lhe enviassem velas usadas de navios para que com o pano vestisse seus discípulos. Supria a falta de livros com cópias manuscritas que ele mesmo fazia.

Anchieta foi dramaturgo, escrevendo teatro usado na educação das crianças. Foi epistógrafo, através de suas cartas, a famosas Cartas de Anchieta onde dava conta de sua missão e ainda etnólogo e naturalista quando descrevia terras, homens, fauna, flora, comportamentos.

Anchieta foi também poeta quando em 1563 escreveu o famoso “Poema em louvor à Virgem Maria” entre os 5.731 poemas dedicados Virgem, em uma época em que foi refém dos índios tamoios em Ubatuba, durante cinco meses.

Morreu no Espírito Santo, em 1597, aos 63 anos.


A primeira habitação. ...E as seguintes.
A primeira habitação dos jesuítas foi a cabana construída pelos índios, de pau a pique (armação de paus e cipós preenchida com barro socado) com 14 passos de comprimento por 10 de largura. Essa casa serviu de base à Igreja e Colégio durante mais de um ano, a partir de 1554. Estava no alto da colina de Inhapuambuçú (o “morro que se vê de longe”), talvez por princípios doutrinários de que a igreja tem que ficar no alto.

Em 1566 aconteceu a primeira ampliação e a construção original recebeu oito cubículos para servir de residência aos jesuítas. Era o segundo colégio.

Em 1585 foi construído o terceiro colégio.

Durante os 13 anos em que os jesuítas estiveram longe da Vila – expulsos no ano de 1640 por disputa entre colonos e índios e só voltando em 1653 – nada se fez. Em 1650 só existiam ruínas. No ano da volta, um novo conjunto do Colégio foi construído agora de taipa de pilão, melhor do que o pau a pique.

Em 1745, nova ampliação com uma ala perpendicular do lado direito do edifício principal. E, novamente, em 1759 os jesuítas foram expulsos das colônias de Portugal, agora por decreto do Marquês de Pombal.

Os jesuítas só voltaram ao Brasil para recobrar seus direitos de espaço, em 1954, isto é, depois de 195 anos.

Nesse meio tempo, o governo se apropriou das terras da Companhia de Jesus e tudo é descaracterizado transformando-se em Palácio dos Governadores entre 1765 e 1908. Entre 1815 e 1877 nele funcionaram também a Secretaria do Governo e a Assembléia Provincial. Na ala perpendicular estavam instalados o Correio Geral e as repartições fiscais da província de São Paulo. Nessa data foi feita a urbanização do Páteo.

Em 1890 desabou a cimalha do templo de Anchieta e ele foi demolido em 1896, aumentando o espaço publico, que foi todo aproveitado para aumento das dependências do palácio. Antes de desabar tinha sido palco da célebre missa dos domingos ao meio dia, missa chique, freqüentada pela elite da cidade.

Ao lado do palácio passava a linha de bondes á tração animal, da Companhia Viação Paulista, que fazia o itinerário Carmo - Estação da Luz e que foi inaugurada a dois de outubro de 1872.

No final do século XIX, durante o governo de Florêncio de Abreu, o conjunto inteiramente remodelado assumiu feições neoclássicas condignas de sua categoria de sede do executivo. O largo na frente do colégio foi dotado de primorosos jardins e uma fonte. Carvalhos, caramanchões, vendedores de amor perfeito e violeta davam o toque colorido e romântico do lugar. Cantos de pássaros e ruídos urbanos dos bondes e das vozes davam o tom de espaço importante da cidade.
O espaço era franqueado ao público aos domingos que era atraído pelos saudosos concertos (retretas) das bandas de música do Corpo de Bombeiros e da Polícia permanente.
O coreto, bastante amplo e aberto em concha emergia no meio das árvores frondosas.
Pouco antes da entrada do jardim, no ângulo formado pelo largo do Tesouro e o início da ladeira, um artístico chafariz completava o conjunto, amenizando com sua escadaria o pronunciado declive local.
Foi palco de manifestações cívicas, e de concertos musicais.

Em 1912 a residência oficial do governo e a sede do governo foram transferidos para o Palácio dos Campos Elíseos e o prédio ocupado pela Secretaria da Educação. Em 1914 foi feita a reforma da torre e acréscimo da ala lateral.

Lugar nobre de São Paulo, em 1925 ganha para sua maior beleza o monumento à fundação de São Paulo. Obra do italiano Amadeu Zanni em granito e bronze. Consiste em uma coluna encimada pela figura de uma mulher de braços erguidos, simbolizando a glória. No pedestal, baixos-relevos com alegorias à catequese, à primeira missa, à defesa da cidade pelo cacique Tibiriçá e ao encontro dos padres jesuítas com os índios tamoios.
A inscrição diz “Glória imortal aos fundadores de São Paulo”.

Região importante para a administração da cidade, o Largo do Palácio, como era então chamado transformou-se em verdadeiro centro cívico. Aí se achavam lado a lado vários edifícios governamentais. A antiga Secretaria da Fazenda (1886-1891) e a antiga secretaria da Agricultura (1891-1896) remontam a essa época. Ambas de autoria de Ramos de Azevedo “o arquiteto oficial da cidade”,

Demolido o palácio em 1953 permitiu que o espaço fosse devolvido logo no ano seguinte para a Companhia de Jesus que então reconstruiu colégio e igreja, como monumento histórico e o “Páteo do Collégio” readquiriu sua feição primitiva em 1979.

Em 1979, nos 425 anos da Fundação de São Paulo, o Páteo já tinha sua verdadeira face.

Hoje no páteo há a igreja, o Museu de Anchieta, mas contrabalançando o histórico há as modernidades de um café simpático, uma praça de frente muito bem cuidada com um sino que badala a cada espaço de tempo, uma “praça” no lado de trás que, como alguém me disse, funciona como um oásis neste centro confuso que é hoje o antigo berço de São Paulo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito lgeal, me ajudou no meu trabalho de escola :D