A PRIMEIRA GELADEIRA A GENTE NÃO ESQUECE...
MAS DEPOIS VEM AS OUTRAS E....
Foi naquele tempo em que pelas ruas circulavam principalmente os Fords. e Chevrolets de carrocerias enormes, e principalmente sem o horror dos gasogênios.
A euforia de consumo se estendeu a tudo o que podia ser importado principalmente utensílios domésticos, o sonho das donas de casa.
Junto com as peças de reposição dos carros importados para atividades comerciais, nossa casa ganhou uma geladeira Crosley Shelvador. a primeira de nossa vida. Branca, como devem ser as geladeiras, com detalhe azul claro. Trinco mecânico, ainda não magnético.
O “gigante” branco ocupava muito espaço nas pequenas cozinhas. A geladeira era o "deus" maior no “templo” doméstico que era a cozinha. Pouco aproveitamento de espaço, importava era a pose, a imponência. Também, não havia o hábito dos gelados e o interior ficava quase vazio. Não nessa nossa geladeira, e não nos primeiros tempos quando a vizinhança pedia para guardar a carne da semana.
Quase a metade da geladeira era um gavetão basculante, que ficava na frente do motor. Destinado a guardar pães e coisas secas, guardava mesmo era baratas. Calorzinho gostoso para elas.
Essa Crosley Shelvador ficou conosco 40 anos e conviveu com muitas outras. Muitas marcas, muitos tamanhos, varias cores, mas ainda não tínhamos podido chegar às geladeiras de ponta.
Novos eletrodomésticos em casa nova. Escolhemos bem.
Passados 20 anos, o prazo de validade já está vencendo. Pequenos ajustes, pequenas cirurgias deixam as peças em ordem, mas, tenho consciência que não vão durar muito.
Mas sou fiel. Enquanto lavadora e geladeira estiverem “respirando”, eu não os abandono nem troco. E as trato muito bem. “Velhos” “Idosos” tem direito a meu respeito. Foram testemunhas de um quarto da minha vida.
Costumo chamar a geladeira de um “objeto biográfico” porque ela tem a cara do dono. Seu conteúdo mostra o perfil das pessoas, do que elas gostam mais e do que não gostam nada.
Nunca se vai encontrar na minha geladeira jiló ou quiabo. Nem muita cerveja, nem refrigerantes. Poucas verduras, alguns legumes.
Em compensação sobram potes de gelatina, meu consumo diário, coalhada para todo dia, as mousses que faço para os netos, os muitos ovos, os “meus” patês, e meus molhos. E as frutas que couberem. Dá pra saber que não bebo, como pouca verdura, quantidade razoável de legumes, muitas frutas e que gosto de aguardar visitas inesperadas para usar patê e molhos.
Tenho uma amiga que tem o seu freezer cheio de folhas de uva prontas para os charutinhos recheados de arroz. É uma família libanesa com certeza.
Em 1990, 91, quando eu inventei de trabalhar chocolate, fazendo muitas peças diferentes e bonitas, para enfeitar árvores de Natal, para enfeitar festas de casamento ou simplesmente para montar ovos de Páscoa para as crianças, geladeira e freezer trabalharam pra valer. Dias de esvaziá-los de comidas e encher de formas cheias do chocolate liquido e esperar que ele pegasse ponto. Noites a fio quando as encomendas eram muitas. Quem cansou fui eu e não eles.
Em 1999 ela ficou cheinha de potes camuflados para enganar uma velhinha esperta a não suspeitar de sua festa surpresa de 90 anos.
A minha “branquinha”, como eu a chamo, que se ressente de não ser enfeitada com os usuais imãs, também já testemunhou muitas festas .
Em setembro eu comemoro o meu “dia de Avó” com o aniversário dos quatro netos. O de 2005 foi provavelmente o ultimo porque uma parte voou para outro continente.
Neste ano a “branquinha” acomodou seis bolos: quatro eram os clássicos pão-de-ló de laranja cobertos com chantili e enfeitados com morangos (o mesmo modelo dos últimos 15 anos) para os quatro netos, mais dois para a mãe dos gêmeos e para a mulher de um neto (também de setembro).
Foi preciso tirar gavetas, deslocar prateleiras para acomodá-los. Mas, deu certo.
Mas nesse ano também o freeser participou da festa. Todas as massas passaram por ele antes de serem “vestidas” de chantili e morango. Todos os gelos vieram dele, todas as cervejas de reserva fizeram um rápido estágio dentro dele.
Veja que coisa mais linda Uma geladeira domestica que acomoda de uma só vez os seis bolos de uma comemoração.
Cada vez há menos pessoas envolvidas nesta casa e nesses meus “objetos biográficos”. Meu esforço é para manter a família próxima tão unida quando possível e esperar que em algum lugar do futuro eu ainda tenha que tirar gavetas, deslocar prateleiras para acomodar muitos bolos de aniversário
Foi naquele tempo em que pelas ruas circulavam principalmente os Fords. e Chevrolets de carrocerias enormes, e principalmente sem o horror dos gasogênios.
A euforia de consumo se estendeu a tudo o que podia ser importado principalmente utensílios domésticos, o sonho das donas de casa.
Junto com as peças de reposição dos carros importados para atividades comerciais, nossa casa ganhou uma geladeira Crosley Shelvador. a primeira de nossa vida. Branca, como devem ser as geladeiras, com detalhe azul claro. Trinco mecânico, ainda não magnético.
O “gigante” branco ocupava muito espaço nas pequenas cozinhas. A geladeira era o "deus" maior no “templo” doméstico que era a cozinha. Pouco aproveitamento de espaço, importava era a pose, a imponência. Também, não havia o hábito dos gelados e o interior ficava quase vazio. Não nessa nossa geladeira, e não nos primeiros tempos quando a vizinhança pedia para guardar a carne da semana.
Quase a metade da geladeira era um gavetão basculante, que ficava na frente do motor. Destinado a guardar pães e coisas secas, guardava mesmo era baratas. Calorzinho gostoso para elas.
Essa Crosley Shelvador ficou conosco 40 anos e conviveu com muitas outras. Muitas marcas, muitos tamanhos, varias cores, mas ainda não tínhamos podido chegar às geladeiras de ponta.
Novos eletrodomésticos em casa nova. Escolhemos bem.
Passados 20 anos, o prazo de validade já está vencendo. Pequenos ajustes, pequenas cirurgias deixam as peças em ordem, mas, tenho consciência que não vão durar muito.
Mas sou fiel. Enquanto lavadora e geladeira estiverem “respirando”, eu não os abandono nem troco. E as trato muito bem. “Velhos” “Idosos” tem direito a meu respeito. Foram testemunhas de um quarto da minha vida.
Costumo chamar a geladeira de um “objeto biográfico” porque ela tem a cara do dono. Seu conteúdo mostra o perfil das pessoas, do que elas gostam mais e do que não gostam nada.
Nunca se vai encontrar na minha geladeira jiló ou quiabo. Nem muita cerveja, nem refrigerantes. Poucas verduras, alguns legumes.
Em compensação sobram potes de gelatina, meu consumo diário, coalhada para todo dia, as mousses que faço para os netos, os muitos ovos, os “meus” patês, e meus molhos. E as frutas que couberem. Dá pra saber que não bebo, como pouca verdura, quantidade razoável de legumes, muitas frutas e que gosto de aguardar visitas inesperadas para usar patê e molhos.
Tenho uma amiga que tem o seu freezer cheio de folhas de uva prontas para os charutinhos recheados de arroz. É uma família libanesa com certeza.
Em 1990, 91, quando eu inventei de trabalhar chocolate, fazendo muitas peças diferentes e bonitas, para enfeitar árvores de Natal, para enfeitar festas de casamento ou simplesmente para montar ovos de Páscoa para as crianças, geladeira e freezer trabalharam pra valer. Dias de esvaziá-los de comidas e encher de formas cheias do chocolate liquido e esperar que ele pegasse ponto. Noites a fio quando as encomendas eram muitas. Quem cansou fui eu e não eles.
Em 1999 ela ficou cheinha de potes camuflados para enganar uma velhinha esperta a não suspeitar de sua festa surpresa de 90 anos.
A minha “branquinha”, como eu a chamo, que se ressente de não ser enfeitada com os usuais imãs, também já testemunhou muitas festas .
Em setembro eu comemoro o meu “dia de Avó” com o aniversário dos quatro netos. O de 2005 foi provavelmente o ultimo porque uma parte voou para outro continente.
Neste ano a “branquinha” acomodou seis bolos: quatro eram os clássicos pão-de-ló de laranja cobertos com chantili e enfeitados com morangos (o mesmo modelo dos últimos 15 anos) para os quatro netos, mais dois para a mãe dos gêmeos e para a mulher de um neto (também de setembro).
Foi preciso tirar gavetas, deslocar prateleiras para acomodá-los. Mas, deu certo.
Mas nesse ano também o freeser participou da festa. Todas as massas passaram por ele antes de serem “vestidas” de chantili e morango. Todos os gelos vieram dele, todas as cervejas de reserva fizeram um rápido estágio dentro dele.

Cada vez há menos pessoas envolvidas nesta casa e nesses meus “objetos biográficos”. Meu esforço é para manter a família próxima tão unida quando possível e esperar que em algum lugar do futuro eu ainda tenha que tirar gavetas, deslocar prateleiras para acomodar muitos bolos de aniversário
Comentários
lembrei de tantas coisas passadas, que não voltam mais e a saudade insiste em reviver.Que bom foi saber que vc existe, que pessoa
maravilhosa...Que Deus continue te dando essa lucidez, e essa vitalidade.Um abraço com todo o meu carinho.Ganhou mais uma fã.
Beijos! Deus te abençõe grandemente!
E fiquei feliz em ve-la com tanta lucidez e alegria por viver. Pensei como podia ter minha avo ao meu lado q morreu nova com 56 anos e nao pude desfrutar do seu convivio. Mas tenho boas recordacoes de eu com 2 anos e ficava em sua casa ela fazia o cha da tarde pra mim. Era paparicada por ela...
Beijos e que Deus a deixe por aqui por longos anos e de parabens aos filhos e netos por uma pessoa tao maravilhosa q pude conhecer pela TV...