sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A ESCRITA À MÃO

É o titulo de uma cronica de Ruy Castro que eu “roubei”. Continuo gostando de quase todas as suas cronicas, umas mais outras menos.

Pena que Ruy Castro não seja paulistano. Com assuntos nossos a delicia da leitura seria maior.

Mas, quando o assunto é geral sempre vai fundo na minha memória. Voltei aos idos de 1939 quando, no terceiro ano do então curso primário já tinha subido de status e tinha permissão de escrever á tinta. Nos dois primeiros anos, era só á lapis. Nas carteiras individuais ou duplas havia um tinteiro embutido, quase cheio de tinta. As canetas de madeira com penas de aço deixavam calos no dedo maior (ainda tenho vestigio de um) de tanta força que se usava . As penas chegavam a abrir. Mas eram baratas e se trocava muito.Tenho ainda algumas penas com 86 anos, envoltas no talco que as protegia

À tinta só se escrevia no caderno de passar a limpo

Como uniforme usava-se um avental branco que estava sempre muito cheio de borrões de tinta esparramada. Acessorios eram os mata-borrões. Como eram úteis para absorver o excesso de tinta deixado sobre o papel!! Nos “berços” de mata-borrão prendiam-se várias folhas, trocadas quando já estavam cheias de tinta. Outro acessório pouca gente tinha. Era um produto da criatividade das mães. O limpa-penas: várias rodelas de feltro de 10cm, 8cm, 6cm 4cm de diâmetro presos no centro por um botão. Limpava-se a pena entre um feltro e outro. O que eu tinha era de feltro marron.

Quando surgiram as caneta-tinteiro foi um sucesso. Tive uma Parker 51 toda dourada. Mas sucesso mesmo foram as esferográficas (vi muita gente falar estereográficas) devido ao baixo custo e longa durabilidade.

Quase nenhum desses objetos dinossauricos se usa mais. Substituidos por um objeto retangular que atende pelo simpatico nome de lap top que nos dão tudo em tempo recorde. Eu tenho um icone minimo, um A que clicado abre o dicionário Caldas Aulete. Olho o meu, de papel, em cinco volumes ocupando um espação, pesado e que preciso espaço e deslocamento para consultar. Claro que escolho bater o dedo no ícone.

Onde vamos parar não sei. Também, não tenho muito tempo mais para saber.

Memórias resgatadas à parte, o que me encantou foi o fechamento da cronica que tenho que transcrever para que todos os meus seguidores, que não leem jornal, ou perderam esse, tomem conhecimento.

Uma história narrada por uma amiga conta como, por volta de 1855, os barqueiros que singravam o Sena de madrugada, nos arredores de Rouen, se guiavam por uma luz de vela que,noite após noite, durante seis anos, saía da janela de uma casinha à margem do rio. Eles não podiam saber, mas era Flaubert escrevendo – à mão,é claro – “Madame Bovary”

Obrigada Ruy por me dar assunto para um texto.


4 comentários:

João disse...

Adoro Flaubert!
E sabe: de 1939 ate 1963, quando comecei a usar a caneta de madeira, quase nada mudou. Era tudo mesmo assim e assim permaneceu por muitas décadas!

Aluizio Araujo disse...

'POSSUIMOS MEMÓRIA CURTA'
Retroagindo no tempo se faz necessário, vez em quando para valorizarmos mais toda essa parafernália tecnológica existente ao nosso favor. É incrível, parece que foi ontem? Vovó Neuza fez muito bem em tirar do baú para nossa lembrança, essa 'não tão antiga mais já saindo da nossa curta memória' esses intrumentos artesanais ainda visível em nossa memória . Escrever com lápis, caneta-pena, uso do mata-borrão, apontador, máquina de escrever manual, elétrica, dicionários e etc. Pensando bem, como é bem mais fácil escrever hoje, com corretor de texto, impressão e o corrêio eletrônico levando em segundos nossas mensagens expressa para o mundo todo!Como o mundo virtual facilita nossas vidas, concordam?!Aluizio Araujo

PatchJoana disse...

Olá Neuza,
posso darte del tu?
Adoro o teu blog, de vez em quando dou uma passadinha.
Te saluto
Joana

Anônimo disse...

Oiii, assisti o prgrama da Ana Maria e vi o blog da senhora!
Resolvi procurar e ler, adorei!!!
Ainda não li tudo que quero, pq acabei de achar o blog!
A senhora é o maximo!!! =D
Beijos, Luana - 21 anos.