sábado, 20 de dezembro de 2008

NOSSOS NATAIS

Dos natais de minha infância pouco me lembro. Acho que não tínhamos condições financeiras para grandes comemorações, ou então no nosso meio social e familiar, tudo se resumia a um almoço em que se reunia a família. Troca de presentes? Nada. Me lembraria se houvesse.

Acho que só quando nos vimos “família”, os natais se tornaram significativos. Assim que os filhos puderam compreender suas ligações com o ambiente, usávamos a data para maiores comemorações, mais presentes, para criar mais expectativas agradáveis e maior curtição da data (naturalmente pelos presentes e brinquedos).

Na minha família, de formação religiosa muito fraca (éramos rotulados de Católicos, mas nossas convicções e freqüência à igrejas se resumiam a pouquíssimas idas à missa, casamentos, batizados e 1ª comunhão como conseqüência normal do contexto) o Natal nunca foi visto com significado religioso. Era uma festa familiar, material no que se referia a presentes e ceias, e como reforço de vínculos de amizade. E continua assim até hoje, mesmo com os filhos e netos. Atualmente se tornou mais do que nunca um evento “comercial”.

Mas alguns Natais são lembrados. Em 1967, quando fizemos nosso primeiro acampamento, na noite de Natal estávamos acampados (em condições precárias) em Foz do Iguaçu. Fomos convidados por um morador da região, para a ceia em sua casa. Apenas como solidariedade a um grupo que estava “sozinho”. Fomos todos (nossa família, a do Décio e do Zé Valarelli - 13 pessoas), e a maneira como fomos tratados, a simpatia e naturalidade, nos marcaram tanto, que até hoje, pelo menos Ayrton, eu, Flavio e Jurema ainda nos lembramos dele. Soubemos depois que o senhor em questão, tão simples no seu convite, tão humano, simpático e cordial no seu atendimento, era o dono do hotel próximo e de toda a área adjacente, inclusive aquela onde acampávamos. E passou o seu Natal, que poderia ser rico, luxuoso e com tudo o que quisesse, com um grupo desconhecido, pela simples satisfação de solidariedade.

Antes de termos netos, vivíamos o Natal com visitas a família e amigos. Segundo me lembra minha filha Jurema, o envolvimento com o Natal começava muito antes (lá pelo mês de novembro), quando preparávamos os presentes para todo mundo, sempre com preocupações pessoais com cada um. Chegamos a preparar 130 presentes, que íamos entregar pessoalmente, ao mesmo tempo em que revíamos familiares e amigos para lhes desejar felicidades e progressos futuros. Sempre fizemos isso por prazer nosso, com participação de nós quatro, mas nunca pensamos em retribuição.

Com os netos, voltamos a festejar o Natal. Entre eles, ficou marcado o de 1990, no sítio de S. Roque. As crianças (netos André, Bruno, Tiago e Victor) já tinham idade para aproveitar as expectativas e ainda tinham a inocência de acreditar na figura simbólica do Papai Noel. Compramos roupas características e encenamos no sítio, na noite do dia 24, a chegada de Papai Noel em uma carroça (com burro e tudo) que caminhou uns 100 metros até chegar à casa, “guiada” pelo próprio Papai Noel e “orientada” pelo Marcelo, irmão do Oscar. A carroça vinha cheia com os presentes que foram distribuídos para cada criança pelo Papai Noel muito bem desempenhado por uma amiga nossa. A carinha feliz das crianças, a surpresa estampada no olhar, valeu o Natal.

Agora, os natais para nós (Ayrton eu), não tem mais nada de extraordinário. Os meninos estão crescidos e é só uma data para melhores presentes. Como reunião familiar, é menos importante, porque é difícil acomodar todos os interesses, e então usamos datas comuns para estar com todos.

Nos esforçamos por não criar compromissos, obrigações nessas datas, e não achamos que só por ser Natal precisamos estar juntos. Não significa desligamento da família próxima, mas um esforço para lhes dar liberdade de comemorar o Natal como quiserem, de acordo com sua concepção de vida, oportunidade e vontade. Nem por isso estamos “longe” deles.

Mesmo nesse 2008, sem a minha família mais próxima – mãe e marido – continuo com a mesma filosofia de não criar compromissos. Mas sempre é um dia diferente

3 comentários:

Marcus Vinícius disse...

_Que sucesso vovô Neuza!!

Voltei aki depois de um dia, e vi quanta gente acessou teu blog por conta das matérias no G1 e outros meios... Eu já disse que favoritei pra poder voltar sempre aqui.

Sobre o Natal.. Sou religioso e pra mim o sgnificado fica nisso, por mais q faça parte de tradição (inclusive da Igreja) Não monto àrvore e nem dou presente. Prefiro não receber tbm... Páscoa e Natal (principalmente a Páscoa) são os principais acontecimentos cristãos.
Não me permito ser movido comercialmente por isso e assim como a senhora: tenho oportunidades de me reunir com os meus durante todo o ano, não me ultilizo destas datas para tal.
Família q é família não precisa de datas especiais. "usamos datas comuns para estar com todos" É claro que tem sim todo o clima de natal, mas não devemos fixar apenas no ultimo mes do ano, temos outros 11 meses para sermos gentis e amigáveis com todos...
O relato de hoje foi muito bacana.. Mas uma vez gostei muito..

Um bjo de neto pra ti...

Marcus

Jéssica Carvalho disse...

Nossa Neuza, seu blog eh demais, aprendi e agora vou continuar aprendendo muito com você... fiz escrevivendo com você, no módulo Seres Imaginários, Segredos...foi uma experiência muito marcante na minha vida, tudo o que aprendi e vivi com todos naquelas manhãs, não tem presente de Natal que supere! Obrigada por tudo!
Parabéns pelo seu trabalho, você é a avô dos sonhos de todo mundo! É exemplo que o tempo é importante, mas não determina nossas ações!
Um beijo no seu coração.

Pris 'just1+cliché' Lopes disse...

D. Neuza,

Também tomei conhecimento do seu blog pela Época e desde então a visito regularmente. Prazer - Priscila, paulistana morando no Rio (vim por conta do marido), 27 anos, casada, ainda sem filhos, analista de projetos logísticos.

O Natal em minha família sempre foi assim como à sua; somente hoje em dia minha mãe se enraizou no Catolicismo e o celebra tal qual. Entretanto, a mim respeita e me desobriga de tal. Neste ano, juntarei ammigos íntimos e passaremos juntos com uma ceia feita de kebabs e 'geladinho' para sobremesa.

Acredito ser primordial no Natal sentir-se acolhido e estar rodeado, seja por um só indivíduo, por pessoas que busquem o amor e respeito mútuo que tanto falta nos dias de hoje.

Um beijo, bom Natal, ótimo 2009,

Priscila