NOSSOS QUARTOS: OS "DELE", OS "MEUS", OS "NOSSOS"
Quem disse que quarto não tem história? Posso até reconstruir a minha vida passando por eles. Não há um quarto preferido. Há quartos com histórias.
O primeiro “quarto” de Ayrton adulto foi improvisado.
No conjunto alugado para montar seu primeiro consultório tinha uma sala de espera grande. Ayrton fez então uma divisão, delimitando um espaço de aproximadamente 3m por 1,5m. Só cabia uma pequena cama, espaço para levantar, uma mesa e uma cadeira. Espaço mínimo para viver, mas que ele se dispôs a ocupar para que pudesse ficar mais tempo no consultório e não ter mais despesas que as necessárias. Nesse “cubículo” viveu 2 anos. Foi sua cota de sacrifício de início de vida, mas valeu à pena.
Dos meus quartos de solteira, do primeiro que me lembro foi, no Brás. Nele ficávamos os quatro: meus pais, eu e minha irmã. Foi nele que passei por uma “nefrite” doença grave na época. Depois, já no Ipiranga, eu e minha irmã ficávamos em um pequeno quarto cimentado, mas quando ela morreu passei para o quarto de meus pais.
Meu quarto mesmo eu tive na minha adolescência e mocidade. A cama patente eu já tinha e resto foi o que restava dos móveis de casamento de meus pais, Um guarda roupa com grande espelho oval, toalete com tampo de mármore rosa, criado mudo redondo e uma mesa onde eu fazia minhas lições e estudava. Passei aí grande parte do curso ginasial, aí estudei muito para o vestibular e passei os primeiros tempos de faculdade. Aí passava minhas noites de sonos tranqüilos, minhas tardes de estudos contínuos e assimilei conceitos aprendidos durante o dia. Foi aí que tomei consciência de meu corpo.
Depois, tive um quarto chic mobiliado especialmente para mim. Móveis que me acompanharam depois do casamento, usado no “quarto de hóspedes” e depois pelos filhos.
Nesse quarto escrevia meus diários Nele sonhei com o meu primeiro encontro com Ayrton e depois testemunhou todos os nossos problemas nos quais eu pensava antes de dormir e que eu verbalizava no diário que ainda tenho. Era nesse quarto que eu planejava nosso futuro e curti e curti (em pensamento) o primeiro e único Amor, a paixão sentida em toda a sua plenitude. Nesse quarto vesti meu vestido de noiva e dele saí para uma nova vida. Nele me despedi de minha vida de unidade para partilhar a vida em comum com Ayrton.
Depois, tivemos “nossos” quartos.
O primeiro foi na Lapa. Era grande o suficiente para acomodar todos móveis e ainda deixava espaço que depois foi ocupado pelo berço das crianças. Foi palco de nossa vida íntima. Foi nele a nossa noite de núpcias com tudo a que tínhamos direito. Assistiu a concretização de um Amor até então platônico. Acertamos nele nossos comportamentos sexuais, nos conhecemos intimamente e expusemos nossas necessidades afetivas e físicas e nos equilibramos nesse aspecto. Quando o deixamos já éramos um verdadeiro casal, com todos os atritos inevitáveis bem solucionados. Nesse quarto foram concebidos nossos dois filhos (sem a menor dúvida).
Passamos depois para um quarto, em “nossa” casa. Grande, muito sol pela manhã, uma suíte. Na década de 60 os primeiros móveis foram trocados por “coisas” mais funcionais: um armário uma cama, e um aparador.
Nesse quarto vivemos nosso maior período: 26 anos. Foi a nossa fase mais produtiva. Muito trabalho, pouco tempo dentro dele. Não mais sonhos, mas vivências. Aí trocávamos idéia sobre os problemas dos filhos, decidíamos sobre comportamentos e atitudes nossas. Resolvíamos e planejávamos nosso futuro Sobretudo vivemos nossa sexualidade plena, exercida com segurança agora, com a tranqüilidade que só os anos são capazes de dar. Foi a fase de nosso Amor “maduro”.
Partilhado com os quatro netos, que gostavam se “empilhar” na cama conosco.
Finalmente, nosso último quarto, desde 1988 de novo em um apartamento. Quarto pequeno só cabe a cama e um aparador. . Não dá para circular. Mas têm um pequeno “closet” e um banheiro anexo.Nesse agora nosso quarto passamos nossa vida mais calma. Vida de aposentado do Ayrton a partir de 1989, quando não pode continuar a trabalhar por perda de visão em uma das vistas. Quarto usado quase só para dormir, Nenhuma grande história nesse quarto, mas a mais importante delas: foi o que testemunhou toda a doença do Ayrton. No final de 1999 e começo de 2000 foi mais usado, porque para lhe fazer companhia eu ficava muito nele, lendo para ele, bordando, transferindo para o quarto meu quartel general em muitas horas do dia e início da noite.
Foi o ambiente total do Ayrton nos dois últimos dias, e foi o espaço onde deu seu último suspiro. Foi o espaço que o envolveu em seguida à sua ida e no qual ainda permaneceu várias horas antes da saída final. Nesse espaço me despedi dele e lhe falei as últimas palavras de Amor. Nesse espaço os filhos e netos lhe fizeram companhia constante até sua saída definitiva. Nesse quarto eu continuo sozinha.
No conjunto alugado para montar seu primeiro consultório tinha uma sala de espera grande. Ayrton fez então uma divisão, delimitando um espaço de aproximadamente 3m por 1,5m. Só cabia uma pequena cama, espaço para levantar, uma mesa e uma cadeira. Espaço mínimo para viver, mas que ele se dispôs a ocupar para que pudesse ficar mais tempo no consultório e não ter mais despesas que as necessárias. Nesse “cubículo” viveu 2 anos. Foi sua cota de sacrifício de início de vida, mas valeu à pena.
Dos meus quartos de solteira, do primeiro que me lembro foi, no Brás. Nele ficávamos os quatro: meus pais, eu e minha irmã. Foi nele que passei por uma “nefrite” doença grave na época. Depois, já no Ipiranga, eu e minha irmã ficávamos em um pequeno quarto cimentado, mas quando ela morreu passei para o quarto de meus pais.
Meu quarto mesmo eu tive na minha adolescência e mocidade. A cama patente eu já tinha e resto foi o que restava dos móveis de casamento de meus pais, Um guarda roupa com grande espelho oval, toalete com tampo de mármore rosa, criado mudo redondo e uma mesa onde eu fazia minhas lições e estudava. Passei aí grande parte do curso ginasial, aí estudei muito para o vestibular e passei os primeiros tempos de faculdade. Aí passava minhas noites de sonos tranqüilos, minhas tardes de estudos contínuos e assimilei conceitos aprendidos durante o dia. Foi aí que tomei consciência de meu corpo.
Depois, tive um quarto chic mobiliado especialmente para mim. Móveis que me acompanharam depois do casamento, usado no “quarto de hóspedes” e depois pelos filhos.
Nesse quarto escrevia meus diários Nele sonhei com o meu primeiro encontro com Ayrton e depois testemunhou todos os nossos problemas nos quais eu pensava antes de dormir e que eu verbalizava no diário que ainda tenho. Era nesse quarto que eu planejava nosso futuro e curti e curti (em pensamento) o primeiro e único Amor, a paixão sentida em toda a sua plenitude. Nesse quarto vesti meu vestido de noiva e dele saí para uma nova vida. Nele me despedi de minha vida de unidade para partilhar a vida em comum com Ayrton.
Depois, tivemos “nossos” quartos.
O primeiro foi na Lapa. Era grande o suficiente para acomodar todos móveis e ainda deixava espaço que depois foi ocupado pelo berço das crianças. Foi palco de nossa vida íntima. Foi nele a nossa noite de núpcias com tudo a que tínhamos direito. Assistiu a concretização de um Amor até então platônico. Acertamos nele nossos comportamentos sexuais, nos conhecemos intimamente e expusemos nossas necessidades afetivas e físicas e nos equilibramos nesse aspecto. Quando o deixamos já éramos um verdadeiro casal, com todos os atritos inevitáveis bem solucionados. Nesse quarto foram concebidos nossos dois filhos (sem a menor dúvida).
Passamos depois para um quarto, em “nossa” casa. Grande, muito sol pela manhã, uma suíte. Na década de 60 os primeiros móveis foram trocados por “coisas” mais funcionais: um armário uma cama, e um aparador.
Nesse quarto vivemos nosso maior período: 26 anos. Foi a nossa fase mais produtiva. Muito trabalho, pouco tempo dentro dele. Não mais sonhos, mas vivências. Aí trocávamos idéia sobre os problemas dos filhos, decidíamos sobre comportamentos e atitudes nossas. Resolvíamos e planejávamos nosso futuro Sobretudo vivemos nossa sexualidade plena, exercida com segurança agora, com a tranqüilidade que só os anos são capazes de dar. Foi a fase de nosso Amor “maduro”.
Partilhado com os quatro netos, que gostavam se “empilhar” na cama conosco.
Finalmente, nosso último quarto, desde 1988 de novo em um apartamento. Quarto pequeno só cabe a cama e um aparador. . Não dá para circular. Mas têm um pequeno “closet” e um banheiro anexo.Nesse agora nosso quarto passamos nossa vida mais calma. Vida de aposentado do Ayrton a partir de 1989, quando não pode continuar a trabalhar por perda de visão em uma das vistas. Quarto usado quase só para dormir, Nenhuma grande história nesse quarto, mas a mais importante delas: foi o que testemunhou toda a doença do Ayrton. No final de 1999 e começo de 2000 foi mais usado, porque para lhe fazer companhia eu ficava muito nele, lendo para ele, bordando, transferindo para o quarto meu quartel general em muitas horas do dia e início da noite.

Foi o ambiente total do Ayrton nos dois últimos dias, e foi o espaço onde deu seu último suspiro. Foi o espaço que o envolveu em seguida à sua ida e no qual ainda permaneceu várias horas antes da saída final. Nesse espaço me despedi dele e lhe falei as últimas palavras de Amor. Nesse espaço os filhos e netos lhe fizeram companhia constante até sua saída definitiva. Nesse quarto eu continuo sozinha.
Comentários
Parabéns!
E seu blog é maravilhoso!
E que bela estória de amor...linda!
Bjos
Danielle
Desejo um natal de paz,e um 2009 cheio d inspiração,coragem,e amor.
bjs d Estrel@
Me caso em breve e só quero ser assim como você foi. Saber ser companheira, saber ouvir e falar, fazer meu amor feliz. Ele é dentista. Eu sou jornalista.
Enfim, tenho orgulho da sua história de vida e do jeito como consegue passar isso, emocionando e aproxiamndo pessoas como eu.
Um ano novo maravilhoso prá você. Espero que cheio de novidades!
Que linda você
Que linda suas palavras!
Adorei!
Adorei!
Me fez sentir saudades de SPaulo viu! rs
Quero ser como vc qdo crescer!
Voltarei mais vezes.
Muito lírica, as lembranças passadas e retomadas agora pelo blog!
Parabéns! Chorei ao lembrar de meus quartos, de minha família e das partidas dos mais queridos e amados!!
Parabéns! (já virei teu fã)
Rudnei Vieira - de Sorocaba