segunda-feira, 21 de março de 2011

Algumas considerações sobre EL SUEÑO DEL CELTA de Mario Vargas Lhosa

Não sou acadêmica, critica literária,  ou uma profa.como Cremilda Medina  que é capaz de uma análise profunda. Sou  uma leitora comum. Uma   das minhas vertentes culturais é sem dúvida a leitura. Não leio tanto quanto gostaria. Não há tempo material para isso, embora aproveite os tempos de deslocamento em ônibus e metrô e tempos de espera.

 Meu dia de 24 horas é cheio de afaseres porque mesmo aquelas horas destinadaas ao sono  - pelo menos seis horas - são usadas para o rearranjo dos neurônios, quando se resolvem  problemas ou a criação acontece  a partir de flashs. Nas outras 18 horas  roubo não poucas dos afazeres domésticos para cuidar das minhas outras vertentes culturais além da leitura. Trabalho ainda com Memórias resgatadas  e isso me exige pesquisas de atualização..  Não prescindo das minhas músicas e um concerto exige tempo de deslocamento, de  participação  e de posterior assimilação. Isso quando não  pesquiso sobre a obra e o compositor. Sempre tenho que fazer uma triagem porque a oferta é muito maior do que a possibilidade de ouvir . E sobra  um tempo menor para  contato com arte plasticas e tomar conhecimento de quem é quem no universo pictorico atual e quem foi quem como base  das artes plástica. E tenho meus textos de estudos, muito variados de acordo com os cursos feitos. Dificil dividir as 18 horas restantes do dia mesmo .porque às vezes preciso.satisfazer minha feminilidade com atividades domésticas. 

Mas,  hoje eu vou escrever sobre literatura, sobre um escritor em particular porque é ele que está preenchendo meu espaço literário nestes ultimos dias.  

Há mais de 20 anos leio Vargas Lhosa. Nem sei quantos. E não é porque agora é um premio Nobel que estou  valorisando-o mais. Sempre gostei do seu estilo.
Comecei com Pantaleão e as Visitadoras naturalmente, e  com ele  mergulhei no universo Vargas Lhosa.  E foram vindo uns e outros  (Conversa na Catedral, Tia Julia e o Escrevinhador, O Paraiso na outra Esquina.........) A Guerra do Fim do Mundo  me impressionou muito sobretudo pela fidelidade a um assunto que nem era dele.  Recebi de presente um exemplar na lingua original. Ótimo para comparação entre as  duas linguagens. .  . 
Um dos ultimos  livros de Vargas Lhosa que eu li foi A Linguagem da Paixão um livro da década de 90 e que ainda soa atual. Tenho agora um amigo  peruano que me trouxe um exemplar na linguagem original. Beleza.

Estou no ultimo dos livros de Vargas lhosa. Ainda não foi publicado no Brasil. Só o será em maio. E esse amigo peruano, Roberto Tagoa me trouxe como presente de Natal  El suenõ del Celta. Estou lendo há  dias. É preciso um espaço de tempo entre os vários capitulos. É um livro pesado, dificil de se ler, principalmente quando a leitura é em outra língua. Uma pesquisa tão profunda, tão detalhada que não dá para acreditar  que um peruano possa reproduzir tão fielmente a vida, as agruras, os pensamentos, as dúvidas de alguem que nem é seu conterrãneo. Descrever  um fanatismo politico que nem é seu. 

Me lembrou A Guerra do Fim do Mundo  quando o aprofundamento no problema de Canudos parece impossível para quem não é da terra.  E me lembrou também Conversa na Catedral pela maneira própria de conduzir o texto, em que só no final é possivel completar  o mosaico que vai sendo apresentado aos pouco. Não tenho capacidade de análise mais profunda. .

Tive que parar um pouco a leitura  justamente na hora da noticia do enforcamento, de tão angustiada estava.  Tomo um fôlego  para continuar. Ensaio desistir, mas é irresistivel continuar. 
O espaço do livro entre a  hora em que se comunica o enforcamento do heroi irlandês e   o  final, é fechado com toda a confusão politica sobre a Irlanda. Serve para dar um tempo para compensar o sufoco e retornar. E aí é que Vargas lhosa  mostra toda sua maestria.   Pega uma frase escrita lá no começo do livro e as desdobra agora no quase final  dando aquilo que faltava para o entendimento.  E o mosaico vai se compondo. 

Volto à leitura. Os momento religiosos dentro de uma cela. As lembranças  agora familiares,  entremeadas com a chegada de seu traje de morte. Novo sufoco. Paro de novo. Continuo? Não tenho muita coragem mas preciso para fechar  toda essa história. E continuei. Venci a angustia do enforcamento e fechei o mosaico. 

Pela minha agonia Imagino  a do escritor  durante a escrita e também ele deve ter respirado fundo no seu final.

Retomo a leitura  de um livro antigo de Vargas Lhosa que eu já li mas estou relendo  Lituma nos Andes. 










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