EDVARD MUNCH- o pintor desesperado
Recebi uma imagem com uma legenda
Oliveira imitando "O Grito" de Edvard Munch
De onde veio a imagem?
É a foto de uma oliveira que há anos está na porta de um amigo que mora na
Sicília – Itália - Me contou que as oliveiras do sul do Mediterrâneo são de
origem árabe, e mais velhas são, mais retorcido é o tronco delas. E a oliveira
da foto está “a due passi dalla porta di
casa. Dopo tanti anni me ne sono accorto la settimana scorsa”.
E para quem conhece Munch a” imitação” de O GRITO é real. É Arte que imita a vida
ou a vida que imita a Arte? Ou é uma percepção inesperada que nos leva à
analogia?
Quem foi Edvard Munch, o que é O GRITO?
SOBRE EDVARD MUNCH
Edvard Munch (1893-1944) foi um pintor e gravador
norueguês. Nasceu em Loten. Estudou em Oslo. Foi à Paris para adquirir estudos
e aperfeiçoar seus dotes na pintura. Lá descobriu obras de Vincent van Gogh e Paul Gauguin, e indubitavelmente o seu estilo passou então por
grandes mudanças.
Retornou a Noruega em 1908, e lá, estabeleceu-se
com um dos expoentes da corrente artística do expressionismo, como se pode ver
nos afrescos da Universidade de Oslo.
A vida difícil de Munch refletiu-se em sua obra.
Perdeu a mãe e duas irmãs muito cedo. O pintor também não tinha boa saúde e a
morte foi praticamente uma presença constante em sua vida.
A menina Doente (1885) inicia uma temática que surgiria como uma
linha de força em todo o seu caminho artístico. Suas obras, expressam e os seus
sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância (sua
mãe morreu quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15 anos, a
irmã mais nova sofria de doença mental e uma outra irmã morreu meses depois de
casar); enfrentou a angustia, transformando obras em imagens que deixavam
transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida.
A menina doente
Edvard Munch faleceu em 23 de janeiro de 1944. Encontra-se sepultado no Cemitério de
Nosso Salvador, Oslo,
na Noruega.
SOBRE O GRITO – SCREAM em inglês ou SKRIK em
noroeguês
É o nome popular dado a cada uma das
quatro versões de uma composição, criada como pinturas por Munch
entre
1893 e 1910. Der Schrei der Natur (O Grito da
Natureza) é o título Munch
deu a esses trabalhos, os quais mostram uma figura com uma expressão de agonia
contra uma paisagem com um céu alaranjado tumultuada.
"O Grito", foi pintado quando Munch tinha trinta anos e é
considerada a sua obra máxima, e uma das mais importantes da história do
expressionismo. O quadro retrata a angústia e o
desespero, e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor quanto com
seus amigos. Representa um dos símbolos
artísticos do século 20.
O sentimento de angústia e desespero representados
na obra leva a crer que ela é uma das sínteses artísticas da modernidade, época
em que ocorreram duas grandes guerras e o surgimento de regimes totalitários,
como o comunismo.
A fonte de inspiração de O Grito pode ser encontrada na vida pessoal do
próprio Munch, um homem educado por um pai controlador, que assistiu quando
criança à morte da mãe e de uma irmã. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar
à pintura, Munch cortou relações
com o pai e integrou a cena artística de Oslo. A escolha não lhe trouxe a paz
desejada, bem pelo contrário. Munch acabou por se envolver com uma mulher
casada que só lhe trouxe mágoa e desespero e no início da década de 1890, Laura a sua irmã
favorita, foi diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo
psiquiátrico.
O Grito é considerado como uma
das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto
de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.
O Grito é uma série de quatro pinturas de Edvard Munch, a mais célebre das
quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina (Termo da biologia que designa seres que possuem dois sexos. Hermafrodita) em
um momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a
doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol.
O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis
peças, intitulado Amor. A
ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o
encantamento inicial a uma ruptura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta
em sensações de angústia.
A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, Munch foi classificado
como artista degenerado e retirou toda a sua obra
em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que
aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no
entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação.
A série tem quatro pinturas conhecidas: duas no
Museu, em Oslo, outra na Galeria
Nacional de Oslo e outra em coleção particular.
- A original de 1893
(91x73.5 cm), numa técnica de óleo e pastel sobre cartão, encontra-se
exposto na Galeria Nacional de Oslo. Pura representação de angústia a primeira
versão recebeu o título de O Desespero.
Foi demonizada pelos nazistas e Munch foi banido como artista degenerado. O quadro O
Desespero foi uma primeira versão de O GRITO e mostra um homem
de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo
semelhante à da sua experiência pessoal.
O Desespero, óleo
sobre tela, 1892 - Usando como fundo a paisagem vista do parque Ekebert, em
Oslo (Noruega), ...
Não contente com o resultado, Munch tentou uma
nova composição, desta vez com uma figura mais andrógina, de frente para o
observador e numa atitude menos contemplativa e mais desesperada.
- A segunda (83,5x66 cm), de 1893 em têmpera sobre cartão, foi exibida no Museu Munch de Oslo até ao seu roubo em 2004.Esta versão tem cores menos vivas e tida por historiadores de arte como a mais incompleta.
- A segunda (83,5x66 cm), de 1893 em têmpera sobre cartão, foi exibida no Museu Munch de Oslo até ao seu roubo em 2004.Esta versão tem cores menos vivas e tida por historiadores de arte como a mais incompleta.
- a quarta versão, de 1910 a figura é mais
perturbadora devido à ausência de olhos e as cores pálidas. Era propriedade de
um particular, até ser arrematada em um leilão da Sotheby's, Em 2 de Maio de 2012
foi vendido pelo preço recorde de 119,9 milhões de dólares (cerca de 91 milhões
de euros), tornando-se a obra mais cara de sempre em leilão, superando o quadro
até então recordista, de Pablo Picasso, Nu, Folhas e Busto, que em Maio de 2010 foi leiloado por 106,5
milhões de dólares (81 milhões de euros)3 . A obra foi comprada
pelo empresário norte americano Leon Black
INTERPRETANDO
“O GRITO”
Vemos ao fundo um céu (com cores quentes), em
oposição ao rio em azul (cor fria) que
sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa
para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade).
Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da
angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. Os
elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela
figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras.
Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto
esquerdo. A característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e
podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem
OS ROUBOS
DE “O GRITO”
Em 12 de Fevereiro de 1994, O
Grito da Galeria Nacional de Oslo foi roubado em pleno
dia, por um conjunto de ladrões que se deu ao trabalho de deixar uma mensagem
que dizia: Obrigado pela falta de segurança. Três meses depois, os
assaltantes enviaram um pedido de resgate ao governo norueguês, exigindo um
resgate no valor de um milhão de dólares americanos. As entidades
norueguesas recusaram a exigência e pouco depois, a 7 de Maio, o quadro foi
recuperado numa ação conjunta da polícia local com a Scotland Yard.
Em 22 de Agosto de 2004, a versão exposta no Munch Museum foi roubada num assalto
à mão armada que levou também a Madonna do mesmo autor. O Museu ficou à espera
de um pedido de resgate, que nunca chegou. Em Abril de 2005 foi preso um homem em
ligação a este crime e surgiram rumores que os assaltantes tivessem queimado o
quadro como forma de eliminar provas.
Em Dezembro de 2006 os danos causados ao
quadro, pelos ladrões, foram qualificados como "irreparáveis" por
especialistas em pinturas do Museu Munch. As pequenas manchas produzidas pela
humidade são vistas pelos peritos como um problema sem solução alguma, enquanto
uma série de fendas e buracos causados por queimaduras de cigarros, exigem
trabalhos de restauro
OUTRAS
OBRAS DE EDVARD MUNCH
![]() |
O Gólgota - 1900 |
![]() |
O Beijo |
Comentários
Emma Otta
Chefe do Departamento de Psicologia Experimental - IPUSP
Emma Otta
Chefe do Departamento de Psicologia Experimental - IPUSP
Gostei do "juventude acumulada".
Seu blog é excelente. Amei a relação de livros.