quinta-feira, 20 de novembro de 2014

EDVARD MUNCH- o pintor desesperado

Recebi uma imagem com uma legenda

Oliveira imitando "O Grito" de Edvard Munch
De onde veio a imagem? 
É a foto de uma oliveira que há anos está na porta de um amigo que mora na Sicília – Itália - Me contou que as oliveiras do sul do Mediterrâneo são de origem árabe, e mais velhas são, mais retorcido é o tronco delas. E a oliveira da foto está “a due passi dalla porta di casa. Dopo tanti anni me ne sono accorto la settimana scorsa”.

E para quem conhece Munch a” imitação” de O GRITO é real. É Arte que imita a vida ou a vida que imita a Arte? Ou é uma percepção inesperada que nos leva à analogia? 

Quem foi Edvard Munch, o que é O GRITO?
                                                      SOBRE EDVARD MUNCH

Edvard Munch (1893-1944) foi um pintor e gravador norueguês. Nasceu em Loten. Estudou em Oslo. Foi à Paris para adquirir estudos e aperfeiçoar seus dotes na pintura. Lá descobriu obras de Vincent van Gogh e Paul Gauguin, e indubitavelmente o seu estilo passou então por grandes mudanças.
Retornou a Noruega em 1908, e lá, estabeleceu-se com um dos expoentes da corrente artística do expressionismo, como se pode ver nos afrescos da Universidade de Oslo.
A vida difícil de Munch refletiu-se em sua obra. Perdeu a mãe e duas irmãs muito cedo. O pintor também não tinha boa saúde e a morte foi praticamente uma presença constante em sua vida.
A menina Doente (1885) inicia uma temática que surgiria como uma linha de força em todo o seu caminho artístico. Suas obras, expressam e os seus sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância (sua mãe morreu quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15 anos, a irmã mais nova sofria de doença mental e uma outra irmã morreu meses depois de casar); enfrentou a angustia, transformando obras em imagens que deixavam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida.
A menina doente
 Edvard Munch  faleceu em 23 de janeiro de 1944. Encontra-se sepultado no Cemitério de Nosso SalvadorOslo, na Noruega.

SOBRE O GRITO – SCREAM em inglês ou SKRIK em noroeguês
 É o nome popular dado a cada uma das quatro versões de uma composição, criada como pinturas por Munch entre 1893 e 1910. Der Schrei der Natur (O Grito da Natureza) é o título Munch deu a esses trabalhos, os quais mostram uma figura com uma expressão de agonia contra uma paisagem com um céu alaranjado tumultuada. 
"O Grito", foi pintado quando Munch tinha trinta anos e é considerada a sua obra máxima, e uma das mais importantes da história do expressionismo. O quadro retrata a angústia e o desespero, e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor quanto com seus amigos.  Representa um dos símbolos artísticos do século 20.
O sentimento de angústia e desespero representados na obra leva a crer que ela é uma das sínteses artísticas da modernidade, época em que ocorreram duas grandes guerras e o surgimento de regimes totalitários, como o comunismo.
A fonte de inspiração de O Grito pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch, um homem educado por um pai controlador, que assistiu quando criança à morte da mãe e de uma irmã. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou a cena artística de Oslo. A escolha não lhe trouxe a paz desejada, bem pelo contrário. Munch acabou por se envolver com uma mulher casada que só lhe trouxe mágoa e desespero e no início da década de 1890, Laura a sua irmã favorita, foi diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo psiquiátrico.
O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.
O Grito é uma série de quatro pinturas de Edvard Munch, a mais célebre das quais datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina (Termo da biologia que designa seres que possuem dois sexos. Hermafrodita) em um momento de profunda angústia e desespero existencial. O plano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. 
O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma ruptura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia.
A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, Munch foi classificado como artista degenerado e retirou toda a sua obra em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação.
A série tem quatro pinturas conhecidas: duas no Museu, em Oslo, outra na Galeria Nacional de Oslo e outra em coleção particular.
- A original de 1893 (91x73.5 cm), numa técnica de óleo e pastel sobre cartão, encontra-se exposto na Galeria Nacional de Oslo. Pura representação de angústia a primeira versão recebeu o título de O Desespero. Foi demonizada pelos nazistas e Munch foi banido como artista degenerado. O quadro O Desespero foi uma primeira versão de O GRITO e mostra um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à da sua experiência pessoal.

O Desespero, óleo sobre tela, 1892 - Usando como fundo a paisagem vista do parque Ekebert, em Oslo (Noruega), ...
Não contente com o resultado, Munch tentou uma nova composição, desta vez com uma figura mais andrógina, de frente para o observador e numa atitude menos contemplativa e mais desesperada.

 -  A segunda (83,5x66 cm), de 1893 em têmpera sobre cartão, foi exibida no Museu Munch de Oslo até ao seu roubo em 2004.Esta versão tem cores menos vivas e tida por historiadores de arte como a mais incompleta.

- A terceira, de 1895 pertence ao mesmo museu. De cores mais fortes e com línguas de fogo sobre azul. Esta versão, é a única em que a moldura foi pintada pelo artista com o poema que descreve uma caminhada ao pôr-do-sol que inspirou a pintura. Outra particularidade única desta versão é que uma das figuras que está em segundo plano olha para baixo, para a cidade.
- a quarta versão, de 1910 a figura é mais perturbadora devido à ausência de olhos e as cores pálidas. Era propriedade de um particular, até ser arrematada em um leilão da Sotheby's, Em 2 de Maio de 2012 foi vendido pelo preço recorde de 119,9 milhões de dólares (cerca de 91 milhões de euros), tornando-se a obra mais cara de sempre em leilão, superando o quadro até então recordista, de Pablo Picasso, Nu, Folhas e Busto, que em Maio de 2010 foi leiloado por 106,5 milhões de dólares (81 milhões de euros)3 . A obra foi comprada pelo empresário norte americano Leon Black
INTERPRETANDO “O GRITO
Vemos ao fundo um céu (com cores quentes), em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade). Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. A característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem
 OS ROUBOS DE “O GRITO”
Em 12 de Fevereiro de 1994, O Grito da Galeria Nacional de Oslo foi roubado em pleno dia, por um conjunto de ladrões que se deu ao trabalho de deixar uma mensagem que dizia: Obrigado pela falta de segurança. Três meses depois, os assaltantes enviaram um pedido de resgate ao governo norueguês, exigindo um resgate no valor de um milhão de dólares americanos. As entidades norueguesas recusaram a exigência e pouco depois, a 7 de Maio, o quadro foi recuperado numa ação conjunta da polícia local com a Scotland Yard.
Em 22 de Agosto de 2004, a versão exposta no Munch Museum foi roubada num assalto à mão armada que levou também a Madonna do mesmo autor. O Museu ficou à espera de um pedido de resgate, que nunca chegou. Em Abril de 2005 foi preso um homem em ligação a este crime e surgiram rumores que os assaltantes tivessem queimado o quadro como forma de eliminar provas.
A polícia norueguesa anunciou ter reencontrado o quadro a 31 de Agosto de 2006.
Em Dezembro de 2006 os danos causados ao quadro, pelos ladrões, foram qualificados como "irreparáveis" por especialistas em pinturas do Museu Munch. As pequenas manchas produzidas pela humidade são vistas pelos peritos como um problema sem solução alguma, enquanto uma série de fendas e buracos causados por queimaduras de cigarros, exigem trabalhos de restauro
                  OUTRAS OBRAS DE EDVARD MUNCH
      
O Gólgota - 1900
  O Beijo
     





            
            

4 comentários:

Emma Otta disse...

É uma satisfação especial para todos nós o lançamento deste livro. Vou lembrar o lançamento do livro ao falar de César no dia 9 de dezembro de 2014, às 14 horas, no Auditório Carolina Martuscelli Bori, (Bloco G) do IPUSP, do evento em homenagem ao Professor César Ades e o trabalho de pesquisa realizado por ele.

Emma Otta
Chefe do Departamento de Psicologia Experimental - IPUSP

Emma Otta disse...

É uma satisfação especial para todos nós o lançamento deste livro. Vou lembrar o lançamento do livro ao falar de César no dia 9 de dezembro de 2014, às 14 horas, no Auditório Carolina Martuscelli Bori, (Bloco G) do IPUSP, do evento em homenagem ao Professor César Ades e o trabalho de pesquisa realizado por ele.

Emma Otta
Chefe do Departamento de Psicologia Experimental - IPUSP

Maria Okuyama disse...

Srª Neuza,fiquei feliz e emocionada com sua entrevista no hoje em dia.
Gostei do "juventude acumulada".
Seu blog é excelente. Amei a relação de livros.

daquy daly disse...

adorei te ver na televisao vc é muita ativa meu canal é daquydaly um abraço!