sexta-feira, 6 de junho de 2008

MAIO MUSICAL - PRIMEIRA QUINZENA


Já no dia 4, domingo houve concerto no Ibirapuera, na parte aberta do auditório. Domingo de sol depois de muita chuva, céu azul com nuvenzinhas brancas para enfeitar. Lugar privilegiado para nós que já vivemos bastante. Desta vez foi uma orquestra alemã, Orquestra Sinfônica de Bamberg e a apresentação sempre apreciada de Marcelo Jafé. Cinco Danças Eslavas de Dvorak, e então, nem a 5ª, nem a 9ª Sinfonias de Beethoven, mas a 7ª que sem ser a mais conhecida, encanta. Seu segundo movimento é.... sinto, não encontro palavras para falar sobre ele. Envolve, emociona, e deixa muita tristeza quando acaba.

Muitas aclamações, bis e os sons pairando no ar acompanham a saída do parque.

Em casa, “Quem tem medo de Musica Clássica” de Arthur da Távola ainda com Beethoven, Concerto nº 5 – Imperador. Um dos clássicos do repertorio pianistico.

No dia 6, terça feira na Faculdade de Medicina. Instrumentistas da Orquestra Sinfônica da USP se apresentam em pequenas formações. Foi um recital de Trompete e Piano com compositores pouco conhecidos, mas execução primorosa. Solos de trompete são raros.

Dia 7, outra quarta feira e mais trilhas sonoras. Desta vez foi uma recuperação de memória com Ima Sumac uma cantora peruana excepcional pela voz que modula em quatro oitavas (e cinco notas como aprendi) . Um fenômeno vocal que ouvi muito em tempos de ouvir musica a dois. Lembranças. Saudades.

Novas andanças da USP até a Praça da Sé - ônibus cheio, lerdo, desconfortável - para ouvir um solo de violoncelo com um rapaz grego. Foi um show de técnica e apresentação de peças escritas especialmente para o instrumento e para o executante. Gosto muito desse instrumento e ouvir os sons que um bom instrumentista tira dele é gratificante. Mas nunca ouvi uma execução tão diferente e ao mesmo tempo tão agradável.

Terminado "O Anel dos Nibelungos", Terron começou a apresentação de Tristão e Isolda. Essa eu gosto mais e curto mais.

No domingo 11, dia das Mães, preferi ficar com Flavio, o filho que está mais próximo e falar com Jurema, filha que está a 10 mil km. Eles são a musica da minha vida.

Na terça feira 13, ópera. Nunca tinha ouvido falar em “O Castelo do Barba Azul” Minha educação musical não ia muito além de uma Traviata, uma Carmem, uma Madame Baterfly e claro algumas outras.

Ultimamente estou muito receptiva a coisas novas. A minha impressão é que quero aproveitar meu tempo que sei não será tão longo, para conhecer o máximo de coisas. Não tem muita explicação porque terminado meu ciclo de vida, onde fica tudo isso? Estou mais imediatista. Aproveito o “agora”.

E a surpresa de ver uma ópera contemporânea, com musica de um compositor contemporâneo –Bela Bartok – e um cenário sugestivo e expressivo. Ópera com apenas dois participantes: um baixo – o Barba Azul e uma mezzo soprano, Judith. As “portas” eram pranchas com espelhos quando se abriam e isso, duplicando as imagens, duplicava a percepção do espaço. E também nunca vi uma ópera em que a musica superasse o canto e o visual. Musica forte, temática para cada “porta” , passou bem sua mensagem de terror e ambiente sombrio.
Gostei, sai satisfeita, muito satisfeita.

Quarta feira é dia de mais musica. Aula com o Marcos que desta vez nos fez chorar de emoção e saudades. Quem não se lembra de “Suplicio de Uma Saudade” com sua musica temática. E a tristeza da partida de um amor nascente. Completando, “Tarde demais para Esquecer” (A affair to Remember). Visual e som se completando. Todos saímos emocionados.

E ai, “por mares nunca dantes navegados” fomos parar no Jabaquara, onde Custodio o colega que nos deu carona, deixou o carro. E aí, de metrô superlotado chegamos à Sé de Caixa com Musica . Sabia que o recital seria de Eduardo Monteiro. Conheci há pouco esse pianista e me encantou. Não perderia sua apresentação por nada. Tocou Debussy, Ravel e Almeida Prado. Em Debussy, suas mãos pareciam não tocar no teclado, mas deslizar sobre ele como a “aquacidade” do compositor. De Ravel tocou “Ondine” um dos três poemas em prosa de Aluysius Bertrand –Gaspar de la Nuit – musicado por ele. De Almeida Prado - musico brasileiro bem contemporâneo - uma peça que exigiu do pianista sua maior força entremeada por sua maior delicadeza.

Eduardo Monteiro é um pianista de sensibilidade, técnica e emoção, Eduardo Monteiro satisfaz plenamente a necessidade emotiva do ouvinte.

Tive depois a oportunidade de abraçá-lo em agradecimento aos momentos felizes que proporcionou a mim e aos muitos ouvintes.

Quarta feira de musica plenamente realizada.

E chega o dia do novo curso no CIEE. Prazer já no caminho com motorista simpático que parou o ônibus em frente ao CIEE. Atitude que provocou risos até no recepcionista.

Café da manhã esperando. E encontrei amigos que eu tinha motivado a aproveitar o curso. Foi muito agradável. Senti-me útil, e fazendo aquilo que para mim é muito importante; compartilhar coisas boas, espalhar o que há de bom em São Paulo. Segundo Claudio Willer, sou uma agitadora cultural.

Palestra brilhante de Sergio Casoy sobre o tema “Crônica da Ópera Paulistana” . Conversa clara, com inserções bem humoradas e histórias de famílias é o que dá o brilho à palestra.
Vídeos de alta qualidade ilustram a teoria. Vimos trechos significativos desde Attila de Verdi até Nabucco também de Verdi passando por Fosca (Carlos Gomes), Carmen ( Bi\zet) Lohengrin (Wagner) Hamlet (Ambroise Thomas) Aida (Verdi) Tosca (Puccini) La Boheme (Puccini) Cosi Fan Tutte (Mozart. E com as melhores gravações e melhores interpretes. Récitas especiais de Caruso, Beniamino Gigli, Tito Schipa.

Atividade cultural de primeiríssima.

E terminou a primeira quinzena de maio. Até dia 31

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