terça-feira, 5 de agosto de 2008

MUSICA EM JULHO

Julho é o mês de férias e, portanto fraco em programação musical. Em são Paulo, tudo se concentra em Campos de Jordão, no Festival de Inverno. Limito-me a ler o que a imprensa escreve ficando a par dos acontecimentos.

O mês começou com a abertura do Festival que eu já comentei e mereceu matéria à parte (Manfredo).

Enquanto não há concertos para assistir, comecei a “brincar” com a Linha do Tempo da História da Música feita no computador. Há 25 anos atrás, fiz essa linha à mão em papel vegetal milimetrado. Desbotada, ainda sobrevive. Agora estou usando os recursos de informática. Listei 140 compositores com datas de nascimento e morte e aos poucos vou construindo o gráfico. Colorido, vai ficar bonito, mas não sei se vai dar para imprimir. O importante é que durante a confecção vou tomando contato de novo com todos os nomes, suas épocas e suas obras, lembrando mentalmente muitas musicas.

Em um domingo em casa pude ouvir “de novo” um programa que Arthur da Távola já havia apresentado na TV Senado. Ele morreu, mas seus programas continuam sendo reapresentados.

Na versão que vi e ouvi, o maestro Seiji Osawa convidou um maravilhoso trio de jazz, com o exímio pianista Marcus Robert, que dá o nome ao trio, o baterista (mais um músico do clã dos Marsalis - Jason Marsalis) e o baixo de Roland Guérin, para a execução de Rapsody in Blue de George Gershwin

O trio intervém na obra, recria-a em trio inserido em sua orquestração original. Há uma integração racial muito linda nesta exibição:

“Um maestro oriental formado no Ocidente, organizando para uma platéia alemã branca, a música de um judeu norte americano de origem russa, e introduzindo um maravilhoso trio de músicos negros, num exemplo de que a música deve ser paz, deve ser antipreconceito, pois com tudo isso, a obra jamais deixa de ser norte americana
A música não carece de explicação, é melódica e genial como espetáculo e sonoridade. Explica-se por si mesma. Os músicos são aplaudidos de pé, enquanto entardece em Berlim “. (Artur da Távola)

Nos encontros do CRECI sobre “São Paulo Cultural” comecei a falar de musica e usei o sempre atual e especial “Fantasia” para mostrar o que é musica não popular – erudita ou clássica - como quiserem. E novamente Fantasia me deliciou depois de quase 70 anos e umas 10 projeções assistidas.

E então, MPB. Tributo aos 50 anos de Bossa Nova feito pelo Zimbo Trio.
Para quem não conhece o Zimbo Trio apresentou-se pela primeira vez na Boate Oásis em São Paulo em 1964 e nunca parou de se apresentar. É compostos por um pianista de formação erudita, Amilton Godoi, um baterista Rubens Barsotti e o baixo Luiz Chaves (ultimas informações é que este não está mais e quem o substitui é Itamar Colaço)

Foi uma apresentação memorável para uma platéia que lotava literalmente o teatro do CIEE.

Para a minha geração que “viveu” a Bossa Nova em uma idade ainda participativa – uns 40 anos e filhos adolescentes – foi uma volta aos bons tempos musicais de MPB.

Com muito humor, facilidade de comunicação, competência e, sobretudo alegria na execução, deram um show de profissionalismo, sensibilidade, capacidade de improvisação e técnica.
Bonito ver a fisionomia risonha, alegre mesmo com que eles se comunicavam entre si e com a platéia.
Bonito ver o que eu achei “cadenza” com que cada um se apresentava em solo, podendo aí então mostrar a que veio. A da bateria foi fenomenal.
E foram as muitas musicas da Bossa Nova, desde Garota de Ipanema, Desafinado, Samba de uma nota Só, Águas de Março, Felicidade (de Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes) em arranjos especiais feitos por eles mesmos.

E no final, a platéia se juntando aos músicos: “Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser...” trazendo para a terra Vinicius – o magnífico.

Noite para ninguém botar defeito.

E o julho musical continuou no domingo (27) no Municipal. O maestro Florêncio que eu admiro e Beethoven, Mendelssohn e Strauss num concerto agradável, com um teatro cheio. Pena que ainda alguns batem palmas no meio da peça, quebrando a continuidade.

A temática de hoje, foi a ligação Musica –Literatura com Beethoven musicando o Coriolano de von Collin (abertura Coriolano), Mendelssohn inspirado em Shakespeare (Sonhos de uma noite de Verão) e Strauss referindo-se a Nietzsche, (Assim falava Zaratustra).
Muita gente se surpreendeu ao ouvir a Marcha Nupcial de Mendelssohn - muito conhecida e usada na abertura de cerimônias nupciais - fazendo parte da peça. Pensavam que fosse uma peça isolada.

E à tarde na Casa das Rosas para dois saraus, onde se tocou MPB, musicas novas recém saídas das cabeças de compositores jovens, onde se falou de Frederico Garcia Lorca, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Vinicus....

Na segunda feira, havia combinado com as participantes da oficina São Paulo Cultural do CRECI , ida ao Teatro Municipal para um concerto didático que acontece várias vezes. É chamado de Almanaque Musical. Várias escolas levam seus alunos e o teatro estava lotado. Meninada pequena, geralmente menor de 10 anos se comporta muito bem. Silenciosos nos momentos adequados. Sem detalhes de nomes seja de compositor ou musica, a orquestra procura sons agradáveis como foi o da Protofonia do Guarany – Carlos Gomes. Há muito não a ouvia e me lembrei do orfeon do curso ginasial onde o maestro Bentivegna nos dirigia nessa musica. Isso em 1943-44.
Coro cantou a “boca cihusa” um trecho da Buterfly. Sldes complementaram. Quinta Sinfonia de Beethoven enche de sons nosso templo da musica. Coro desce do seu “pedestal” e se mistura aos ouvintes, às crianças, mostrando-se como gente real.
Faz-se muita coisa nesta cidade.

Na terça feira fui ao MASP. Vi “de novo” a exposição sobre o Mito na pintura. Aproveitei melhor.
E desci para um pouco de música: um duo de piano – Maria Fernanda Krug e Antonio Ribeiro (um casal? – pareceu, pelos olhares) tocando Kreisler, Mozarat, Gluck, Bela Bartok, Schumann, Chopin, De Falla. Um bom começo de tarde.
Meu julho musical acabou por aí porque na quinta não tive condições de ir ver o meu sempre querido Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo. Na próxima, não perco.

Até meu “relatório” musical seguinte Musica em Agosto.

Um comentário:

Anônimo disse...

Assistir a apresentação do maestro Seiji Osawa com o pianista Marcus robert . Foi uma das apresentações mais linada que já vi na minha vida.Fiquei emocionada.