quinta-feira, 7 de agosto de 2008

MINHA VIDA DE ESTUDANTE - 2005

Durante os quase 30 anos que lecionei, nunca deixei de estudar. Não formalmente, não em cursos especiais que no fim acabam por serem fabricas de certificados que não dizem nada, mas por minha própria conta. Afinal, não se pode ensinar se não se tem muita segurança no assunto. Crianças pequenas não me impediram de passar horas desenrolando assuntos difíceis para torná-los fáceis para os alunos.

Passaram quase 55 anos da minha saída da Usp em 1951.

Minha vida passou por muitas fases: casei, tive filhos, tive neto, perdi meu companheiro de 46 anos, perdi pai e mãe.

Os quatro anos de invalidez de minha mãe fizeram com que eu me debruçasse sobre o computador, pesquisasse mais e mais e acabasse aumentando minha bagagem cultural. Em todos os sentidos. E isso é estudo, embora não formal.

E comecei a sonhar em voltar para a USP. Nenhum outro espaço me atraiu. Lá no fundo do subconsciente, a sementinha de “uspiana” estava em estado de dormência e só “acordou” quando eu me vi de novo no campus, sob as árvores frondosas, em um ambiente que convida a se engajar com a turma de jovens estudantes.

Cheguei ao campus Butantã da USP de São Paulo em maio de 2005, Fui “assuntar”, e encontrei o carisma, a simpatia e simplicidade de Cremilda Medina, que me acolheu, me deixou à vontade para voltar aos bancos (agora cadeiras) universitários. Andei devagar, a passos tímidos, achando tudo muito difícil. Mas, desafio é comigo mesmo. E fui ficando.No segundo semestre já comecei as Narrativas da Contemporaneidade como aluna regular mas com um grupo de graduandos.

Também o segundo semestre fiz no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) um curso de Literatura Brasileira: Gêneros Híbridos. Telê Ancona Lopes foi a professora, e a over dose de Mário de Andrade quase me fez desistir. Mas teimei e cheguei ao final do semestre com nota 9,5. Nunca me senti tão gente. Minha auto estima chegou aos céus. E aprendi muita coisa. Não tudo certamente, porque não há assim tanto espaço no meu já usado cérebro, mas muita coisa ficou armazenada, pronta a ser resgatada quando necessário.

No jornalismo da ECA encontrei mais conhecimentos em fotojornalismo em curso de um mês com aproveitamento 100%.

Comecei a escrever com mais segurança, dentro de um estilo mais jornalístico que, no entanto não me tirou a espontaneidade. E consegui colocar não menos do que duas matérias na “inaugurante” revista “Reproposta – uma revista da Terceira Idade para todas as Idades”. Orgulho muito grande. Vaidade emergindo.

Terminei 2005 satisfeita comigo mesma.

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