terça-feira, 25 de dezembro de 2012

ESTRELINHAS – textinho em um Natal


Uma das coisas que me desesperam é a escuridão total. Perco as referências e me descontrolo. Por isso, não preciso e não gosto de escuridão para dormir. Tenho sempre a janela aberta. Vidro fechado para eventuais chuvas, mas veneziana aberta.  Às vezes vario a posição da veneziana.
Há algum tempo, meses talvez. Tive uma experiência interessante: acordei pelas cinco da manhã e ao abrir os olhos no retângulo iluminado da janela, vi no escuro, duas estrelinhas.  Foi engraçado porque foi como se me saudassem: duas estrelinhas no meio de um sono a “piscar” para mim. Gostei.
Depois de um tempo, a visão se repetiu, mas as estrelinhas já estavam mais próximas da moldura. Claro, a terra continuou girando e elas mudaram de posição. Gostei de revê-las, cumprimentei-as e já as considerei “minhas” estrelinhas. Sensação estranha, mas gostosa.  
Nesta noite de Natal, acordei mais cedo.  Eram três horas. Procurei-as e elas não estavam lá. Ou eu não as via.  Mas, ás cinco voltei a vê-la. Uma só tangendo a moldura da janela. Tive que me virar para ver a outra. E encontrei mais abaixo um punhado de estrelinhas, não sei se só agora visíveis ou visíveis nesta noite especial.
E aí me lembrei do nosso Bilac:
                                                            Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouvi-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto

E conversamos toda a noite,
enquanto a Via-Láctea, como um pálio aberto,
Cintila.
E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas?
Que sentido tem o que dizem,
quando estão contigo? "

E eu vos direi:
"Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e e de entender estrelas


Acho que estou em estado de graça quando converso com elas. Só dizer Oi já me deixa bem. Porque amo meus amigos, meus filhos meus netos, os que se foram e os que ainda estão aqui. Amo o mundo em que vivo, as músicas que escuto e  imagens que vejo.  Amo a minha vida como ela é.  E continuo amando, sobretudo aquele que com sua bondade, tolerância e presença, fez de minha vida um ato de amor. O meu sempre querido Ayrton.
                                               NEUZA – dia de Natal 2012

Um comentário:

Lu Azevedo disse...

Que linda você e que lindo texto tao cheio de sensibilidade!

Me lembrei da minha amada vovó, que hoje deve estar perto dessas estrelinhas que vc namora.

Prazer conhecer vc e seu blog!

Beijos!

Lu

nicolandoporai.wordpress.com