terça-feira, 15 de julho de 2008

ESPIANDO O MUNDO CONTEMPORÂNEO

Continuo curiosa e agora, menos tímida e mais segura em freqüentar lugares desconhecidos, aceito bem convites para eventos que chamam a minha atenção.
Cadastrada em muitas instituições - Sesc. Sesi, Itaú Cultural, Fapesp, CIEE e outras tantas instituições culturais, sempre recebo convites e quando consigo, dentro de uma agenda bastante cheia, encontrar tempo, espaço e interesse, aceito o convite.

Neste mês de julho de 2008, terminadas algumas aulas e os programas musicais meio em recesso, encontro tempo para novas aventuras.

Foi o que aconteceu neste 1º de julho. O convite do Itaú Cultural era de bom gosto (o que já motiva) quase pessoal, o espaço na Av. Paulista, fácil de se chegar e o assunto “Emoção Artificial 4.0 – Emergência” bienal de Arte e Tecnologia interessante e atual.

Muita gente já às 20horas. E aumentou muito mais tarde. Gente bonita, culta, falante, sempre conhecendo uns e outros, falando várias línguas, e um desfile de modas novas, extravagantes, nada formais, muito pessoais. Nenhuma dondoca. É um evento social e cultural. Gente gentil, agradável, quando um contato rápido acontece. As paqueras, quando havia eram sempre entre homens e sempre através de olhares significativos. E homens lindos por sinal.

Como não conhecia ninguém, não tive conversas e tive tempo para minhas observações pessoais. Consigo imaginar a trajetória das antigas (nem tão antigas assim) “festinhas” de escritórios aos atuais coquetéis de grandes empresas. A evolução, o progresso, a organização me encantam. Tudo é perfeito, desde a postura e o comportamento de quem serve, até os aperitivos e as bebida.

Os que servem são sempre altos – precisam circular com bandejas cheias de copos acima das cabeças - sempre de preto. Invisíveis. Não sorriem, não falam. São robôs. Eficientes como tais. Alguns chamavam a atenção como o representante afro com um cabelo produzidissimo, uma aparência tão diferente que dava vontade de tirar uma foto. Sucos, muitos sucos para o primeiro momento. Pro Seco para os momentos seguintes.

Petiscos finos e saborosos, com toque sofisticado e até quando eu fiquei, uma deliciosa sopa de ervilha foi servida em uma xicarazinha de porcelana com duas asinhas, uma delicadeza que deu vontade de levar para casa.

Enquanto isso:
A parafernália que já estava montada e a postos começou a funcionar. Som de sei lá quantos decibéis, projeções de figuras visualmente invasivas, com cores fortes e movimentos rápidos davam ao espaço um aspecto de BALADA.
Foi o que o Jarlei me explicou. O que é uma balada. Muitas pessoas aglomeradas (como sardinhas em lata diriam os mais antigos), som altíssimo, cores fortes e eventualmente “drogas”. Não tão eventualmente assim. O som é puro ritmo e é o que faz as pessoas se chacoalharem, pularem, e satisfazerem seu ritmo fisiológico. Gente jovem tem fisiologia acelerada. O objetivo físico deve ser acrescido de outro. Qual é?

Pronto. Não preciso mais ir a uma balada. Já sei o que é. Naturalmente não é mais para mim. Não tenho mais motivação, força física e horas seguidas nesse ambiente não me agradam. Mas, VALEU como novo conhecimento e elemento para entender comportamentos. Como amostra de como é hoje o lazer da juventude.

Paralelamente, fomos dar uma olhadinha na mostra. Nestes próximos dias voltarei lá para ver com calma. São mostras de Artes Visuais Contemporâneas, de INSTALAÇÕES (nossa, já sei o que é isso!!!) Das muitas apresentadas, paramos em duas: um aquário de peixes com padrões de natação que se modificam com musicas diferentes. E uma sala com 10 instalações de microfones e alto falantes que interagem quando sons (p.ex. palmas) são produzidos por pessoas. Varias pessoas agindo provocam o equivalente a uma orquestra. Muito interessante. Volto lá para maior observação.

Voltinhas pra lá, voltinhas pra cá, não encontrei ninguém conhecido, mas conversei um pouco com uma garota de olhos cor de mel e um rapaz ruivo que gentilmente tirou uma foto minha.

Voltei para casa de ônibus como sempre. Duvido que alguém mais o fizesse. Todos têm seus carros e nem pensam em alternativas.

Como digo sempre, tudo é experiência, tudo é válido e tudo acrescenta algo mais ao nosso conhecimento. E, misturado à todo o resto vai nos moldando, nos mudando para viver melhor nesse mundo de mudanças tão rápidas.

Se minhas considerações e comentários são simplórios, nunca se esqueçam que tenho 78 anos. É o que dá para fazer.

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