domingo, 16 de janeiro de 2011

UMA XÍCARA TAMBÉM TEM HISTÓRIA


Qualquer objeto que se torne biográfico também tem história. É esta xícara que por causa de sua história tem lugar no meu Baú da Memória. Para mim, qualquer objeto tem história porque a lembrança que ele trás resgata um tempo, um espaço e uma situação.
O objeto fotografado de hoje, uma xícara, tem 13 anos. Tem no fundo o “made in China” que nos acostumamos a ver agora em mil e um objeto, mas em 1997 era mais raro. A xícara é azul, e é  bonita

Chegou a nós em Araçatuba no dia 16 de maio de 1997, quando Ayrton fez 70 anos.
Ayrton e seu irmão Ary aniversariavam em maio, um no dia 14 – Ary – e outro no dia 16 -  Ayrton. Tinham um ano de diferença. Quando meninos,  os pais sempre os vestiam da mesma maneira e sempre foram tidos como gêmeos.  Quando chegou a hora de entrar na escola, Ayrton teve que esperar um ano para que os dois entrassem juntos. Coisa dos pais. Não dá para entender. Foi muito bonitinho na época mas sempre  refletiu na vida dos dois: Ayrton, mais velho, mais amadurecido,  sempre ia melhor na escola e Ary se ressentia disso. Foi perdendo a motivação, ficando para trás e se formou anos depois de Ayrton.

Já mais velhos, curtiam essa proximidade de aniversários e nós é que íamos a Araçatuba onde Ary morava para as festas serem uma só.  Em 1987, em Araçatuba para os aniversáriantes,  um grande susto, o infarte do Ayrton seguido depois de alguns meses do infarte do Ary.   10 anos depois, em 1997, para festejar  a “boa” saúde de ambos, fomos de novo para Araçatuba,  como vinhamos fazendo todos os anos.

E logo pela manhã do dia 16, uma bela surpresa. Na porta do nosso quarto, uma cesta de café da manhã, completa. Ayrton ficou muito emocionado e nesse tempo estava muito ligado ao irmão. Festejamos logo cedo com as gulozeimas da cesta. Na impossiilidade de trazermos tudo (perecíveis)  trouxemos a xícara como lembrança desse dia tão feliz.

O tempo passou, muita coisa aconteceu na familia, Ayrton partiu em 2000, Ary entrou em um processo de coma total de durou mais de 2 anos, e partiu também, e a xicara ficou perambulando no armário junto com outras, senão esquecida pelo menos não valorizada.

Quando fiquei sozinha em casa,  elegi a xícara como “minha” e só me servia dela. Parecia que com isso eu estava mais proxima do Ayrton. Neste ano (2010) mudnças aconteceram inclusive nos armários. Coisas novas foram adquiridas para marcar bem os novos tempos e  a “minha” xícara foi aposentada. Vai para  o Baú da Memória como testemunha de um tempo da minha vida.

4 comentários:

milu disse...

Que história linda!!!Me emocionei!Bjs.

cristiano mori disse...

O mundo é pequeno, sou dentista e tenho 53 anos. Sou formado em Araçatuba.
O Sr. Ary de Carvalho nao foi professor de radiologia nos inicios dos anos 80, e tem uma filha chamada Marcia.
E o seu marido Ayrton, quando visitava Araçatuba nao contumava caminhar pela cidade, usando um vistoso tenis NIKE.
Se confirmarem as informaçoes, acho que conheci os dois....Cristiano.

Anônimo disse...

Sua xícara tem a idade do meu filho... Em 18/05/1997 nascia em Osasco o Gabriel...
Bjs
Sara

Entre as melhores 4 paredes disse...

Que bonita a forma de expores as lembranças de tua vida! Um modo saudoso e carinhoso de valorizar os dias que foram permitidos a ti e aos teus. Gostei muito do modo como escreveste esta postagem. A partir de agora, torno-me tua seguidora. Tenho um blog que criei recentemente, mas pouco escrevi, pois tenho tanto prazer em ler o que mais se encontra nessa outra dimensão de vida que temos o privilegio de ter, que prefiro apenas ler, por enquanto.
Um abraço carinhoso a ti, querida Neuza.
Patrícia Oliva