sábado, 5 de abril de 2008

AMIGOS...PRESERVAR É PRECISO

Ter amigos que mantém contatos periódicos, sempre compartilham nossos sucessos ou fracassos, dividem com a gente suas emoções, é sempre um privilegio.

Mas, ter amigos que além disso tudo ainda cultivam sentimentos, emoções e são pessoas sensíveis, amorosos e carinhosos sem ser piegas, tem garra e coragem que são exemplos, é um duplo privilégio.

Conheci Roberto Dupret Mattar nos tempos das Narrativas da Contemporaneidade da Profa. Cremilda da USP. Foi em 2006? Dele sabia apenas que tinha sido jornalista, mas em conseqüência de um AVC perdeu o emprego e extravasava suas frustrações escrevendo. E como escreve.

Voltamos a nos encontrar na oficina Escrevivendo e ele escrevia cada vez melhor. Tenho muitos textos dele. Está na hora de fazer um livro. Este ano viajou e não fez parte do grupo.

Ainda no ano passado esteve mostrando seus dons também em obras de arte visuais feitas com um grupo do MAC-USP. (a foto mostra Roberto e sua obra de arte)

Conheci Ana Maria, sua mulher, acho que de relance, mas através de mensagens estabelecemos mais do que um contato, uma ligação maior. Também escreve. E bem.

Escreveu-me informalmente sobre sua relação com Roberto e eu achei um texto tão denso, profundamente sentimental e sincero, que vou transcrevê-lo. (com sua licença)


CENAS DE UM CASAMENTO" de Ana Maria Mattar

Começando pelas coisas boas (com ressalvas...): sou amiga, namorada, amante, ouvinte, contadora de histórias, cúmplice, leitora do jornal do dia, de livros e dos e-mails, passeadora, visitadora de museus, parceira de filmes legais, redatora, executora das maquetes do MAC...

As "pero no mucho": cuidadora, acompanhante de consultas e tratamentos médicos, mediadora de seus conflitos pessoais (depressão, insônia, irritação, agressividade, insatisfação e desânimo por seu estado atual) e de conflitos de ordem familiar, cozinheira eventual (detesto cozinha!), motorista, telefonista...

Para finalizar, a péssima: sou sua algoz!!! Sou muito exigente, prepotente, crítica, cruel às vezes. Sempre acho que ele pode fazer mais e melhores as coisas. E, ele pode! Sou sua "chefe de redação": se não gosto de um texto (raríssimo acontecer), sou impiedosa. Espero que faça e refaça até passar pelo meu crivo de qualidade, atropelando-o, deixando-o inseguro. Mas, depois de gritos, tapas na mesa, expressões mútuas tipo: não faço mais merda nenhuma! (o texto é dele, mas, a redação é minha. Cruel, né?), o produto final e ótimo e compensa todo o atrito. Com suas dificuldades corporais/sociais atuais: andar, sentar, se alimentar, empostar a voz adequadamente ao falar, manter boa postura corporal etc, minha atitude é militar! Não deixo passar nada! Mas, o resultado tem sido ótimo! Ele mostrou ser capaz (com muito esforço e sofrimento) de superar, e muito, as limitações (?) impostas pelo AVC que sofreu.

Enfim, sou a mulher do Roberto Dupré. Tão presente e companheira que, às vezes, nem sei mais o que é dele e o que é meu...

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