domingo, 6 de abril de 2008

EU E OS LIVROS...OU OS LIVROS E EU

Dando continuidade aos textos sobre livros, vou postar mais um (o segundo) que ainda não é o ultimo. Ainda vou escrever muito sobre os muitos livros que eu li.

Não senti o prazer de ler muito cedo.

Na minha casa de pessoas simples, eu me lembro que só havia dois livros: Antologia Nacional e Geografia Geral. Devem ter sido de meu pai quando ele estudou para Guarda-Livros.

No primeiro, meu pai leu para mim o poema de Casemiro de Abreu “Meus Oito Anos”, o primeiro que conheci. Se eu não li sozinha, devia ter uns cinco anos. No segundo, via as figuras de lugares de outros mundos. E como a impressão era em preto e branco, sempre me ficou a idéia que outros paises eram escuros, nebulosos, cinzentos, diferentes daqui onde eu podia ver o sol.

Durante o curso primário, nada ficou. Mas, em 1940 meu pai ganhou do Circulo Esotérico da Comunhão do Pensamento um livro que foi realmente o primeiro romance que eu li. “Telma a Princesa da Noruega”. De Maria Corelli. E ficou bem marcado o pais do sol à meia noite. Parecia outro mundo. Durante muitos anos essa impressão perdurou. Quando comecei a registrar minhas memórias e citei o fato, procurei em sebos, livrarias e até no Circulo, esse livro. Não encontrei nem vestígio. No ano passado, 2007, uma participante do grupo Escrevivendo, -Telma- ao me ouvir comentar sobre seu nome me disse que tinha o livro e me emprestou.
Com um espaço temporal de mais de 60 anos, a leitura foi totalmente diferente.

Não mais a fantasia de uma menina de 12,14 anos. Não mais o sonho de amor ideal, começando e florescendo nos padrões da época e do lugar. Não mais a atitude de uma mulher da época. Tudo certinho, tudo encaixado, tudo artificial. A única coisa real foi sempre a descrição do lugar, do tempo, do sol à meia noite e o inverno comprido influindo em todos os comportamentos. Trechos longos, descritivos e desagradáveis de ler. Serviu apenas como comparação.

Nada contra. Foi escrito numa época de romantismo meloso. Uma Madame Delhi mais elaborada, onde se vê resultados de pesquisas., descrições corretas. Redundante, repetitivo. Li num fôlego porque pulei muitos trechos piegas demais e fora do contexto atual.


OUTROS LIVROS

A coleção completa de Monteiro Lobato (infantil e adulto), as duas coleções de Julio Verne, foram livros lidos já depois de casada, quando estávamos montando a biblioteca para os filhos. E aí começaram as compras de livros. Dois a gostar de ler faziam um rombo no orçamento. Mas, os filhos aproveitaram bem.

Não posso comentar todos. Apenas alguns que deixaram marcas.

Não gosto de ler livros emprestados. Gosto de ter os meus porque posso riscar e rabiscar, grifar trechos que eu gosto ou que me dizem algo. Meus livros sempre estão cheios de cores dos marca textos. Quando eles ainda não existiam, constatei que eu já grifava os textos importantes com régua e caneta.

Meus livros têm sempre recorte de jornal, revista, que falam dele. Uma critica um comentário sempre é recortado e anexado. Se fizer uma pesquisa sobre autor também coloco junto. Gosto muito de ler a “orelha” do livro. Me dá uma noção do que ele vai ser. Não gosto de emprestar, mas acabo cedendo a bons argumentos e assim perco muitos livros. Agora, vou comentar apenas sobre alguns.

De Saramago, gosto de todos. A sua maneira de escrever, sui generis, já é um desafio. E eu gosto de desafios. As suas idéias são no mínimo fantásticas: a separação da península Ibérica do resto da Europa e suas implicações em Jangada de Pedra; a alteração de toda uma história de Portugal por uma palavra apenas “não” em vez do “sim” em História do Cerco de Lisboa; A construção do convento de Mafra e a saga do padre Bartolomeu de Gusmão em Memorial do Convento; Em uma cidade todos os habitante ficam cegos de repente, menos uma pessoa – Ensaio sobre a Cegueira. E por aí vai.

De Saramago, não muito conhecido é Levantado do Chão que aborda a vida dos camponeses de Alentejo na época de Salazar. São capítulos tão densos que eu só podia ler um por vez. Há a descrição de uma tortura que ele vai contando junto com o deslocamento de um carreiro de formigas, dando uma idéia do que acontece, quanto tempo dura a tortura, sem escrever com linguagem direta. Vale a pena ler em voz alta.

Mas, o que merece mais atenção minha é “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” um livro polemico que ou se ama ou se detesta. Se você tem dogmas religiosos arraigados não leia. Vai dar um nó na cabeça.

Logo na primeira parte, quando o autor descreve a crucificação de Cristo, a força do texto é tão grande que se tem a impressão que os personagens vão sair do quadro. Procurei muito saber em qual das crucificações Saramago tinha se baseado – porque há “n” quadros do assunto. Consegui saber que foi o “Crucification” de Albrecht. Dürer, Mas não encontrei sua imagem.

Do mesmo livro, a conversa de Deus, o Diabo e Jesus – aqui no meio do mar nebuloso e não no deserto como dizem os evangelhos. Merece ser lido em voz alta e várias vezes para analisar e meditar.

E tantos outros trechos que só lendo o livro com atenção.

Mais um apenas: No País das Sombras Longas. Seria uma “reportagem romanceada”. Há muita pesquisa. As descrições do local e dos hábitos são corretas. Muito interessante para conhecer um outro mundo, onde se pensa diferente por força das circunstâncias ambientais. Coisas chocantes para nós são perfeitamente explicáveis para eles.

O nome se refere aos habitantes do “cucoruto” do mundo, onde o sol passa na tangente e as sombras são longas. À medida que descem rumo ao Equador, as sombras vão ficando cada vez mais curtas.

Fiquei muito brava na segunda parte do livro onde os “brancos” interferem nas tradições e causam uma grande confusão mental em uma esquimó. É a mesma história de sempre: uns acham que o seu é o certo e tentam impor suas idéias. Me lembrou muito o caso dos jesuítas de São Paulo, querendo “civilizar” os índios, impor seus valores destruindo os deles.
Saiu uma continuação do livro, mas, nem guardei o nome. Não gostei.

Há muitos outros que gostaria de comentar, mas vou fazê-lo aos poucos.

17 comentários:

Roseli disse...

Pssôra Neuzinha, você "tá mandando" muitíssimo bem! Adorei! É claro que por enquanto só consegui dar uma olhada "na diagonal", porque são 4h21 da matina e parei neste instante pra dar uma dormidinha. Mas já deu pra ver que me interessa (e muito), por isso foi parar entre os meus favoritos em tempo recorde!
Parabéns, querida!
Um beijo grande
Roseli

Tiago disse...

Olá Vovó Neuza, sou Tiago Nascimento Ordonez, da gerontologia- USP, estou realizando um trabalho sobre a auto-estima de participantes de programas sociais, por isso gostaria de entrevistá-la, na quarta-feira dia 16/04, no CRECI@, no período da tarde (das 13:00 às 16:00 hrs), pois nesse dia faço estágio nesse local. Se for possível, me mande um -email confirmando:
ordonez@usp.br, agradeço a atenção,
Tiago

Anônimo disse...

Vovó!

Há anos procuro o livro Thelma - A Princesa da Noruega, e nunca desisto de procurá-lo... só que dessa vez deparei-me com seu blog.
Que legal, adorei!
E, será que você sabe onde posso encontrar o livro?
beijossss e muitas bênçãos!
Beta

Anônimo disse...

Olá, me indicaram este livro e quem me indicou foi uma senhora de 84 anos, e falou deste livro de maneira tão maravilhada que me deixou muito curiosa para le-lo, por favor onde posso encontra-lo. bjs. Madalena
Meu E-mail.
madastella@boll.com.br, por favor me dê uma dica ok?bjs.

Telma disse...

Olá Vovó Neuza.
Meu nome é graças a este livro, mas eu nunca o encontrei para ler e e entender a razão da escolha. E como ja postaram gostaria muito de conhecer esta historia. Tenho lembraça da minha mãe (falecida há 32 anos)falando só que tirou o meu nome dai, mas nunca me contou porque. Hoje com 48 anos, ainda busco este resgate. E também como os outros deixo o meu e-mail, para receber noticias. Obrigada
Telma Ivanise email: telmaivc@ig.com.br

martha delhi disse...

Adorei o seu blog.Parabéns,
Martha DElhi

Maíra disse...

OLá me chamo MAíra e adorei o blog da vovo neuza, tambem quero achar esse livro Telma a princesa, eu tenho um romance, de Maria Corelli, que tabem mudou minha vida que eh Um romance de dois mundo e estou lendo atualmente, achei todos os livros do circulo (nao todos, todos que tenho) na casa de minha vó, eles sao muito especiais, e raros... espero que consigam achar...

Anônimo disse...

Olá Vovó Neuza,

Me chamo Júlio e estou ajudando meu pai a dar de presente a minha mâe um dos primeiros livros que ela leu na vida, que foi exatamente "THELMA A PRINCEZA DA NORUEGA". Como soube aqui no Blog que a Sra. pôs suas mâos, ainda que por pouco tempo, num exemplar deste livro, gostaria de saber se poderia me ajudar a conseguir ao menos uma cópia. Me colocar em contato com o dono do livro ou qualquer outra forma de auxílio.

Obrigado, nosso e-mail é fam_costa@uol.com.br

Juca disse...

Eu acessei seu blog pesquisando no google pelo título: Thelma a princesa da Noruega. Achei curiosa a sua opinião sobre o livro. Eu também o li ha quase três décadas, eu era criança, uns 12 anos e me ficou a impressão de uma história maravilhosa. Não tenho mais o livro e o procuro já faz algum tempo para relê-lo. Será que também vou me decepicionar?

Telma disse...

Eu a encontrei enquanto procurava o livro Thelma, a princesa da Noruega. Minha história é a seguinte: Minha mãe me deu meu nome porque havia lido o livro, depois ela ganhou-o de um amigo, após o meu nascimento. Eu tenho o livro guardado com muito carinho, mas ele está com páginas faltando, eu gostaria de comprar um que estivesse inteiro. Não encontro, procuro há anos. Adorei seu blog, é um exemplo de vida!

joane disse...

Meu nome é joane ,achei otimo seu comentario sobre o livro telma a princesa da noruega, procuro esse livro, foi o primeiro livro que li ,e achei interesante encontrar varias pessoas com a mesma historia, isso é muito bom saber.
Depois de ler seu comentário ,acho que vou parar de procurar,pois a história está nas minhas recordações como algo belo incomparavel e não quero mudar isso,é como mudar algo de belo do meu passado, quero guardar esse encanto como esta. obrigado
Esquece o que leu hoje ,lembre do sol da meia noite dos seus verdes anos, ele tem um brilho mais intenso

Telma Holtmann disse...

Cara Vovó Neuza, fiquei impressionada com a sua jovialidade em conduzir sua vida. Parabéns! Você é um exemplo a ser seguido. Veja que interessante, minha mãe também se chama Neuza, leu o livro, ficou impressionada e resolveu me batizar com o nome da princesa Telma (sem h - imposição do padre, para ele Telma vem de São Telmo). Gostaria de ler o livro. Um forte abraço. Telma Holtmann

Anônimo disse...

Oi Neusa
Adorei o blog vc e incrivel, me inspira, pois quando parei tive pouca disposiçao para manter-me disciplinada, virei uma folgada e agora aos 70 tenho muita dificuldade para começar qualquer atividade.
Parabens pelo belo exemplo, com caloroso abraço
Beth

Jandira disse...

Olá Neusa,
Parabéns pelo blog!
Cheguei até você por conta de ,também, muito procurar o romance Thelma, a Princesa da Noruega. No passado, por volta do ano de 1936, casamento dos meus pais, ele deu de presente a ela, esse doce romance.Todos os filhos o leram na infância ... e alguém o levou para sempre... Triste em saber que não vou conseguir encontrar outro... será?
Espero sua resposta, por favor!
Meu abraço, Jandira.
Meu e-mail: jandagb@terra.com.br.

Anônimo disse...

procuro o livro thelma a princesa da noruega .... li na juventude e queri reler.... me ajudem a encontrar
cimorandi@bol.com.br

Anônimo disse...

procuro tambem pinguinho de gente de gilda de abreu.
cimorandi@bol.com.br

Grace disse...

Vovó Neuza, vi o seu blog pois busquei na internet o romance Thelma a princesa da Noruega. Minha vó leu este livro (emprestado) quando jovem e por causa dele deu o nome à minha mãe de telma. Minha mãe é louca para lê-lo. Tem alguma forma de consegui-lo? Aguardo resposta.Beijos