sexta-feira, 28 de março de 2008

MARIANTONIA - INSTITUTO DE ARTE CONTEMPORÂNEA

Mais uma coisa nova que descobri em São Paulo. Alertada pelo prof. de História da Arte no Brasil, fui até a rua Maria Antonia. Esta rua fez parte de minha vida no ano de 1951 quando, no ultimo ano da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, fazia a licenciatura.

Mas, até então, era um prédio a mais que freqüentávamos em uma época em que os cursos eram espalhados por vários casarões. Uma lembrança fugidia de colunas altas de uma instituição e não casa adaptada.

Essa imagem ficou congelada.

Em outubro de 1968 o prédio da Maria Antonia volta a ser noticia. Em uma época de regime de força há um antagonismo declarado entre o Instituto Mackenzie de um lado da rua e o prédio da Faculdade de Filosofia do outro lado.

Ovos, pedras e um coquetel Molotov acirram a luta e às 2he20 do dia 3 de outubro o prédio de cinco andares já não tem mais vidraças e a fachada está escurecida.

Logo mais à tarde o sangue acaba de “pintar” o prédio e a vida se esvai de um jovem de 20 anos, secundarista. A “guerra” só para quando a policia invade os dois prédios. Não vivi o problema mas acomanhei tudo o que acontecia. Meu filho com 13 anos já se envolvia com o problema no antigo Colegio de Aplicação da rua Gabriel dos Santos.

Novamente a imagem é congelada, mas agora com as marcas da violência.

Volta ao meu cotidiano em 2007 quando volto para um curso e encontro o prédio já restaurado e transformado em Centro Universitário Maria Antonia, o “mariantonia” com é conhecido. Embora de visual mais leve, e desde 1994 funciona para a cultura, em parceria com a USP, ao entrar no prédio parece que uma nuvem de violência ainda paira no ar.

Felizmente é substituída pela maneira carinhosa e simpática com que somos recebidos e podemos agora, do terraço do terceiro andar, lembrar já sem muita dor, os acontecimentos de 68.

Neste 2008 volto ao espaço ”mariantonia” para tomar conhecimento do Instituto de Arte Contemporânea, do qual realmente nunca tinha ouvido falar. Fica ao lado do prédio principal do Centro Universitário, está recuperado e abriga uma exposição de arte que prioriza os artistas já falecidos Amílcar de Castro, Mira Schandel, Sergio Camargo e Willys de Castro. Suas obras expostas são testemunhos de tempos de Arte Moderna (ou Contemporânea?). Espaços grandes, obras bem espalhadas dão oportunidade de boa visão.

Um monitor me disse que esse anexo teria abrigado o Grêmio da Faculdade de Filosofia.

Passeei pelas duas salas do primeiro andar – a única que tem obras de arte - dei uma geral nas obras e saí dela meio balançada entre as primeiras impressões do lugar, as impressões mais dolorosas e a atual, estética, tranqüila, cultural.

Lugar para se visitar com um convite a pensar sobre tudo aquilo que ele representa. É um pedaço da História de São Paulo.

Fica no prédio Joaquim Nabuco, na Rua Maria Antonia, 258

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