quarta-feira, 19 de março de 2008

UM PONTO PRIVILEGIADO DE SÃO PAULO ATUAL


Se você é paulistano e anda pelo centro da cidade, desça ao Vale do Anhangabaú e pare no cruzamento do Vale com a Avenida São João. Se você souber ver e não só olhar, terá aí uma aula de história da cidade, que dará mais prazer a essa visão.

Repare no aclive da ladeira e conhecerá a borda do planalto inicial da cidade, onde o centro velho se instalou. É a rua Libero Badaró. Em nível mais baixo, o Vale do Anhangabaú, cavado pelo rio Anhangabaú que era um dos limites naturais do primitivo núcleo da cidade. O outro era o rio Tamanduateí.

Olhe em frente para o começo da Avenida São João. E terá a visão dos três gigantes de São Paulo: O Edifício Altino Arantes (Banespa) dominando a visão. À sua direita o Martinelli e às sua esquerda o prédio do Banco do Brasil. Cada um com sua história.

O Altino Arantes com seus 36 andares e 161 metros, é todo em concreto armado, 17.951m² construídos, tem 161,22 metros de altura, 14 elevadores, 900 degraus e 1119 janelas. Perdendo agora a posição de mais alto, continua imponente por ocupar um espaço em pleno planalto. Já háoutro texto dedicado a ele.

O Martinelli, com seus 130m de altura, o PAI dos arranha-céus paulistanos, o divisor de águas da verticalização da cidade com seus iniciais 17 andares projetados, a sua ampliação para 24 e depois ainda com a mansão do comendador no topo, equivalente a mais seis andares. Ou seja, 30 andares. Ocupa toda a ladeira da São João, mais meios quarteirões da rua São Bento e Líbero Badaró. A sua história já foi escrita e reescrita. Ainda há muito que escrever.

Olhe agora à sua direita e verá o Vale do Anhangabaú na sua ultima urbanização que prestigiou pedestres. Tente olhar o seu piso com os desenhos. Veja o conjunto de esculturas ao lado do Teatro Municipal, homenageando Carlos Gomes. Suas águas, suas estátuas, seus cavalos e seu belo jardim, bem cuidado porque é o jardim da Votorantim agora ocupando o que foi o prédio do hotel Esplanada. Na década de 50, o clube Trocadero nesse hotel, foi sede de muitos bailes. E verá o Viaduto do Chá que merece um texto próprio.

À sua esquerda está o Viaduto Santo Ifigênia. É uma obra urbana executada entre 1911 e 1913 com projeto arquitetônico dos italianos Michetti e Chiaropi. As peças todas foram encomendadas na Bélgica e montadas aqui, e mesmo assim com mão de obra estrangeira, porque não havia mão de obra especializada..
Esse viaduto tem 225 metros de comprimento por 13,60m de largura. Tem gradis da belle époque com destaque para o estilo art nouveau, belíssimos. Em 1978 teve a estrutura recuperada e ganhou uma escada para o Anhangabaú. Seu piso é visualmente bonito e preservado constitui um dos belos aspectos da cidade. (quando não há camelôs sobre ele)

Olhe agora para trás e à esquerda, e verá o belo prédio dos Correios e Telégrafos, uma construção Ramos de Azevedo inaugurada em 1933. Já reformado tem funcionando o Correio e deve abrigar mais um Centro Cultural.

E as fontes de água modificando o visual de uma região árida de cimento e ferro. E o Boulevard São João, ladeado por prédios antigos "querendo" ser reformados e recuperados e cinemas em decadência.

E a Avenida São João se perde em direção ao Oeste da cidade.

Foi suficiente uma parada no centro para conhecer melhor São Paulo e sua história.



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